Desvendando os Segredos de Uma Casa Sustentavel (Com Exemplos)

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Desvendando os Segredos de Uma Casa Sustentavel (Com Exemplos)

Muitos pensam em projetar ou construir uma casa sustentável.

Porém, poucos conhecem a variedade de elementos e dificuldades para a realizar com eficácia.

Alguns conhecem um pouco sobre materiais que podem ser aplicados, como lâmpadas de LED e painéis solares. Outros compreendem sobre elementos que geram economia de água, ou sobre materiais sustentáveis.

A verdade é que uma casa sustentável está ligada a diversos elementos, como:

  • Implantação
  • Conectividade
  • Materiais
  • Conforto
  • Energia
  • Água

Com a finalidade de mudar sua forma de pensar sobre uma casa sustentável…

Vamos apresentar todos estes elementos em um único artigo. Após a leitura, tenho certeza que você terá uma base sólida para continuar seus estudos.

Portanto, se você procura saber tudo sobre uma casa sustentável, continue lendo este artigo.

O Que é Uma Casa Sustentável?

Uma casa sustentável é conceituada como parte de um ecossistema. Portanto, é considerada parte de um habitat vivo.

Pode contrastar com o trabalho de muitos arquitetos que consideram uma casa “arte”. Ou, como muitos dizem, “uma escultura habitável”.

Acredito fortemente que uma casa deve procurar uma conexão profunda com o entorno. O clima, a região, o terreno e o ser humano.

Por quê? Porque projetos que ignoram seu entorno simplesmente não são mais aceitáveis em uma era de mudanças climáticas.

O famoso arquiteto Le Corbusier disse no início do século passado que “casas são máquinas de morar”. Portanto, é mais que hora desta máquina evoluir da mesma forma que a sociedade evoluiu. A consciência social e ambiental faz parte desta evolução.

Exemplo de implantação bioclimática, por UGREEN:

casa sustentável

Logo, esta é a minha visão de uma casa sustentável. Continue lendo para compreender todos os elementos que a compõe.

Qual a Importânica de Uma Casa Sustentável?

O uso de energia elétrica no Brasil é dividido pelos seguintes setores:

 

Portanto, o setor residencial é o segundo maior consumidor de energia no país.

A utilização de energia muitas vezes leva ao consumo de combustíveis fósseis. Consequentemente ao aquecimento global.

Logo, devemos ser mais sábios na utilização da energia em nossas residências. Isso vale tanto para a fabricação quanto para o uso, que ocorre por dezenas de anos.

Uma casa sustentável consiste em diversos elementos que estão intimamente interligados.

São estes elementos que você aprenderá logo a seguir…

Elemento #1: Implantação

Uma casa sustentável procura impactar ao mínimo o entorno no qual está inserido. As seguintes estratégias podem ser utilizadas para uma implantação de baixo impacto:

Captação da Água da Chuva

Uma casa sustentável não deixará a chuva não absorvida no próprio lote para a cidade cuidar. Portanto, levará em conta os índices pluviométricos para a captação da água da chuva e uma maior permeabilidade. Logo, podemos reutilizar a água e ao mesmo tempo ajudar a prevenir inundações em sua cidade.

Outra estratégia é o uso de telhados verdes. Além de promover a biodiversidade e a redução da carga térmica, promove também maior captação da água da chuva.

Espaços abertos

Uma casa sustentável deixa ela mesma e seu entorno respirar. Ao mesmo tempo, permite afastamentos suficientes entre edificações vizinhas. Promoverá o andar por meio de um paisagismo consciente que use menos água na irrigação.

Prevenção de Ilhas de Calor

Podemos prevenir o aquecimento das superfícies com cores mais claras e lisas. Esta relação se chama absortância e o quanto mais baixa, melhor.

A Norma de Desempenho privilegia absortâncias baixas. A referência são absortâncias abaixo de 60% em algumas regiões brasileiras e 40% em outras. As edificações obterão cargas térmicas inferiores e menor uso do ar condicionado. Simultaneamente, o meio urbano agradece pela contribuição com o microclima local.

Elemento #2: Conectividade

Uma casa sustentável promove o ir de vir de seus usuários. Portanto, uma casa dissociada do meio urbano não pode ser considerada uma casa sustentável.

Como assim?

A verdade é que uma casa sustentável deve possuir uma relação próxima com a cidade. Tornar os hábitos corriqueiros, como comprar um pão na padaria ou ir a uma loja, mais acessíveis.

É comum alguns pensarem que casas sustentáveis podem existir no campo. Porém, estas casas utilizam mais veículos nas atividades corriqueiras, poluindo mais. Consomem mais da infraestrutura urbana, necessitando de mais vias até estas residências. Consome até mais do meio ambiente, impactando uma flora e fauna de regiões que antes eram intocadas.

Portanto, cidades na densidade certa promovem sim a sustentabilidade.

Uma casa no meio urbano é mais independente do carro, poluindo menos. Promove atividades físicas como caminhar, ou o uso de bicicleta por ciclovias. Possui conexão com um bom sistema de transporte coletivo, facilitando o ir e vir.

Sabemos que desfrutar de uma boa estrutura urbana é privilégio de poucos brasileiros. Inegavelmente uma casa sustentável vai de encontro a um urbanismo sustentável. É uma evolução conjunta que necessita ocorrer.

Elemento #3: Conforto

Podemos separar o conforto de uma casa sustentável em:

  • Conforto Térmico
  • Conforto Lumínico Natural
  • Conforto Lumínico Artificial
  • Conforto Acústico
  • Qualidade do Ar
  • Vistas de Qualidade

Conforto Térmico

Imagine dez pessoas em um único ambiente. Mesmo que elas estejam nesta mesma situação, algumas podem estar sentindo mais frio ou mais calor.

A relação de bem estar é diferente para cada pessoa, devido ao seu metabolismo. Somando a este fator existe a vestimenta, que gera novas combinações de conforto….

Ainda existe a umidade, a velocidade do vento, a temperatura das superfícies e a temperatura do ambiente…

Todos estes fatores somados tornam as estratégias de conforto térmico mais difíceis de atingir. Para a maior eficácia, exige um profissional para simular o projeto e otimizar os custos.

Uma pessoa que projeta com foco em conforto térmico irá buscar uma relação intensa com a sua região bioclimática. Desta forma o conforto será garantido em grande parte de forma passiva. Dependerá menos do aquecimento ou ar condicionado e reduz o consumo de energia elétrica.

Regra rásica de envoltória para região norte e sul em uma casa sustentável

No sul do país será geralmente privilegiada uma envoltória com transmitância mais baixa. Ou em um bom português, uma parede que deixe passar menos o calor ou o frio.

Já a capacidade térmica da envoltória deve ser mais alta. Desta forma ela terá maior inércia térmica, absorvendo o calor externo no verão e a utilizando a noite, quando está mais frio.

Já no norte do Brasil será privilegiada uma ventilação mais acentuada. Portanto, utilizar pisos elevados é uma estratégia válida. Simultaneamente, aberturas abaixo da cobertura permitirá o controle térmico mais eficiente.

Contudo, o ideal é sempre avaliar cada projeto isoladamente em conjunto com o bioclima. Diversas ferramentas estão disponíveis para quem busca realizar arquitetura bioclimática.

Uma das ferramentas mais simples e eficientes é o Projeteee. Ela foi desenvolvida pelo Governo Federal em conjunto com o Ministério do Meio Ambiente.

Existem outras ferramentas voltadas para especialistas, que incluem simulação computacional. A mais famosa é o Energyplus, mas existem outras como Designbuilder, Sefaira e IES. Conheça nossos cursos para aprender a utilizá-las.

Conforto Lumínico Natural

O Conforto lumínico em uma casa sustentável deve privilegiar a distribuição máxima da luz, evitando o uso da luz elétrica.

No entanto, apenas distribuir a iluminação sem critério pode gerar grandes problemas. Um efeito comum é um grande índice de ofuscamento e uma maior carga térmica. Como resultado é necessário o maior uso do ar condicionado e energia.

Uma recomendação eficaz é obter a iluminação próxima a 300 lux durante o ano todo em áreas regularmente ocupadas. Estas áreas são geralmente salas, cozinhas e quartos. Por outro lado, não permitir áreas acima de 1250 lux durante o ano todo previne o ofuscamento.

Abaixo está um exemplo realizado por nosso escritório:

Parece difícil, certo? E realmente é, se o projeto foi conceituado com poucos recursos. Porém, com simulações computacionais e um bom conceito arquitetônico você terá ótimos resultados.

Recomendações para a otimização da iluminação em uma casa sustentável

  • A orientação é o elemento rei para uma edificação sustentável. Determinar a melhor posição para os ambientes otimizará a eficiência de uma residência.
  • Uma menor profundidade dos ambientes em relação a fachada gera ambientes mais claros e econômicos.
  • A avaliação criteriosa das proporções vidro/fachada para cada orientação da edificação é crucial. Edifícios com muito vidro necessitarão de vidros de alta performance para obter um bom nível de conforto.
  • Brises são ótimos elementos para o controle passivo do calor externo. No norte são indicados brises horizontais e no leste/oeste brises verticais.

Regra comum das aberturas e brises em uma casa sustentável

  • Norte: aberturas médias com brises horizontais.
  • Leste: aberturas médias com brises verticais
  • Sul: aberturas sem brises.
  • Oeste: menos aberturas e mais inércia térmica, bloqueando e retardando a intensidade do sol.

A simulação computacional é a melhor forma de gerar informações para as melhores decisões de projeto. Caso necessite de uma dessas análises, fale conosco.

Conforto Lumínico Artificial

Apesar das tão faladas lâmpadas de LED fornecerem economia, cuidados devem ser tomados.

A principal delas é a compreensão do uso de cada espaço. A Norma de Desempenho determina como parâmetro superior pelo menos 200 lux em salas. Porém, a CIBSE (Chartered Institution of Building Services Engineers) determina 300 lux.

Já para cozinhas a iluminância confortme NBR15575 deve ser maior, 400 lux. Neste caso a CIBSE indica 500 lux.

Portanto, verifique os níveis que você possui nos ambientes projetados. A simulação é a melhor forma de avaliação em projeto, assim garante-se maior economia na solução.

Para ambientes já construídos, é possível medir no próprio local com um luxímetro ou, com menor precisão, aplicativos. Atenha-se aos centros do ambiente e a uma altura de 80cm do solo para otimizar a precisão.

Conforto Acústico

A acústica trata de fenômenos importantes como a reverberação e o mascaramento.

No entanto, o mais importante para residências é a redução do ruído externo. Isso vale para a fachada e também entre ambientes, no caso de apartamentos distintos.

A Norma de Desempenho (NBR15575) apresenta regras claras neste quesito. São determinados limites que pisos, paredes e esquadrias devem suportar. Sua variação depende da classe de ruído da edificação e dos ambientes a serem avaliados.

Um exemplo são paredes externas em apartamentos em localização tranquila. Em um ensaio, as vedações externas devem suportar pelo menos 20 db de fontes de ruído localizadas a 2 metros de distância. Já em ambientes com maior ruído o requisito é maior, devendo suportar 25db.

Esta é apenas uma amostra dos critérios que uma casa deve fornecer para garantir a qualidade de vida dos usuários.

Qualidade do Ar

Uma casa sustentável estabelece um padrão mínimo para qualidade interna do ar. Realiza a troca do ar em condições determinadas pela sua região bioclimática.

A seriedade desta questão deve-se a síndrome dos edifícios doentes. Ela prejudica a saúde das pessoas que vivem em espaços inadequados na qualidade do ar.

As causas dos edifícios doentes estão na falha no sistema de aquecimento, ventilação e ar condicionado. Também são relacionados aos COV’s (Compostos Orgânicos Voláteis) usados na construção, altamente poluentes.

Este é um problema que não tem distinção de raça, gênero e mata tanto gente pobre quanto gente em melhores condições. Um exemplo é o ex-ministro Sérgio Mota, que foi vítima da bactéria Legionella sp, que causa pneumonia.

Portanto, utilizar produtos com uma quantidade reduzida de COV’s é uma solução simples e eficaz. Verifique principalmente a composição das pinturas utilizadas.

Outra ótima forma de privilegiar a qualidade do ar em uma casa é promover a ventilação adequada. A NBR15575 determina uma área de ventilação de pelo menos 7% da área do piso em grande parte das regiões brasileiras. Pode variar de 8 até 12% em regiões mais quentes.

Vistas de Qualidade

Olhar para fora traz saúde. Portanto, privilegie janelas que tenham vistas para elementos da cidade. A flora, fauna e até pessoas ajudam drasticamente na regulagem dos ritmos circadianos.

Sim, uma casa sustentável procura estabelecer a relação com o ritmo biológico humano. Afinal, é um ritmo estabelecido após dezenas de milhares de anos em contato com a natureza. Mas ainda sim, muitos insistem em ignorá-lo com edificações ineficientes.

Elemento #4: Materiais

Uma casa não pode ser considerada sustentável sem pensarmos na procedência dos seus materiais. Elas se distribuem nas seguintes estratégias:

  • Redução do uso de materiais na construção ou reforma.
  • Reutilização de materiais, tanto no próprio lote quanto fora dele.
  • Utilização de materiais orgânicos (madeira, pedra natural).
  • Utilização de materiais rapidamente renováveis (bambu, linóleo, cortiça, que se regeneram em um período máximo de 10 anos).
  • Utilização de materiais com conteúdo reciclável.
  • Utilização de materiais regionais.

Exemplo de aplicação de materiais sustentáveis em projeto, por UGREEN:

casa sustentavel

Porém, não é apenas especificar o que fornecedores dizem ser bom que irá gerar uma casa sustentável. A investigação deve ser parte da vida de quem possui compromisso com a sustentabilidade.

Para sua sorte, temos alguns materiais sustentáveis disponíveis para download aqui.

Qual a importância da investigação para uma casa sustentável?

Muitos materiais podem ser sustentáveis na sua composição. Porém, podem ser extraídos ou processados por pessoas em condições desumanas de trabalho.

Materiais podem ser sustentáveis, mas a matéria prima vir de longas distâncias. Utilizam muito combustível e podem, no final, ser menos sustentável que um produto comum fabricado em região próxima.

Um material sustentável pode originar um produto insustentável também. No processo de fabricação podem surgir componentes ou químicos que alteram sua característica. Pode inclusive prejudicar a saúde dos seres humanos durante o processo ou uso a longo prazo.

Uma ótima forma de obter materiais sustentáveis para uma casa é por certificações. Para produtos em madeira o FSC é uma sigla comum.

Porém, existem outras, como o Cradle to Cradle. Esta certificação considera um processo produtivo menos agressivo, promovendo a economia circular.

Existem ainda outras de relevância. Os EPD`s, Greenscreen e Declare da Living Future Institute são exemplos expressivos. Elas incentivam os fabricantes a comunicarem com mais clareza seus processos industriais. Estabelecem ainda parâmetros para a melhoria da sustentabilidade em seus processos.

Para saber mais sobre o tema, assista a palestra que realizamos na Expo Revestir em março de 2019:

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Elemento #5 Para Uma Casa Sustentável: Energia

A energia é a categoria que mais impacta o meio ambiente quando negligenciada. Em certificações, buscar a performance energética equivale a quase 1/3 de todo o processo.

Portanto, buscar a eficiência energética deve ser foco em um projeto que vise a sustentabilidade.

Porém, é um erro pensar que um projeto eficiente deve focar em energias renováveis. Entre leigos é aceitável, porém, não entre empresas e certificadoras.

Uma casa verdadeiramente sustentável deve economizar energia diretamente na fonte. Resumindo, o foco deve ser na concepção arquitetônica. Abaixo está um exemplo realizado pela UGREEN:

casa sustentável
Otimizações energéticas em uma casa sustentável, por UGREEN.

Uma das formas mais eficazes de obter economia de energia em projeto é simulando. Os resultados são otimizados se trabalhados em conjunto com o conforto térmico e lumínico.

É bastante importante nunca dissociar estes elementos em uma simulação. Afinal, mais conforto térmico e lumínico em uma edificação significa redução no consumo de energia.

Dentro do gráfico de uso residencial podemos verificar que os consumos possuem variações entre o verão e inverno. Os maiores usos são, em ordem, os refrigeradores, chuveiros, iluminação e ar condicionado.

Portanto, focar na economia destes elementos tornará sua casa mais econômica e sustentável. Como podemos trabalhar?

  • Economia no ar condicionado. Pode ser obtido com a melhoria dos índices de conforto térmico, como detalhado logo antes neste artigo.
  • Chuveiros. Equipamentos mais eficientes, que consomem menos água podem ser uma ótima solução.
  • Refrigerador e outros Equipamentos. Equipamentos mais eficientes, como os com selo PROCEL, são uma boa alternativa.
  • Iluminação. Podemos otimizá-la por um projeto bioclimático eficiente e o uso de lâmpadas adequadas, como já mencionado.

Elemento #6 Para Uma Casa Sustentável: Água

Uma casa sustentável utiliza a água mais sabiamente que casas comuns. Afinal, a população mundial continua crescendo junto com a poluição de rios e as mudanças climáticas.

Gosto de pensar na economia de acordo com o próprio fluxo da água.

“Reuso > Eficiência do Uso Externo > Eficiência do Uso Interno > Mudanças de Hábito.”

Reuso (e reciclagem)

O reuso é uma opção de baixo custo, já que a água é reutilizada com pouco tratamento adicional. Alguns exemplos são:

  • A coleta de chuva.
  • Pontas de água.
  • Irrigação com água cinza.
  • Água de banho compartilhada.

Já a reciclagem exige mais energia ou até mesmo produtos químicos para o tratamento. Alguns exemplos são a reciclagem de água cinza ou até mesmo a água negra.

Eficiência no Uso Externo

  • Plantas mais eficientes no paisagismo.
  • Irrigação eficiente. Um exemplo são os sistemas por gotejamento, que podem utilizar até 90% menos água que os convencionais.

Eficiência no Uso Interno

Para obtermos uma boa economia no uso interno da água, o ideal é conhecermos os maiores vilões do consumo. Abaixo podemos observar o perfil de consumo de água interno médio de uma residência brasileira.

 

Observando o gráfico, notamos que os 3 maiores usos são o vaso sanitário, o chuveiro e a pia de cozinha. Portanto, estes devem ser os principais itens a serem mitigados. Aqui estão alguns elementos que podem ajudar nesta economia:

  • Aeradores.
  • Banheiras com menor volume de água.
  • Louças mais eficientes, como vasos dual-flush ou mictórios sem uso d’agua.
  • Equipamentos mais eficientes, como chuveiros, máquinas de lavar roupa, entre outros.
  • Vasos sanitários por compostagem.
  • Conserto de vazamentos.

É importante notar no gráfico que o chuveiro encontra-se em 2 º lugar. Porém, o chuveiro é considerado também o 2 º maior consumidor de energia de uma edificação…

Portanto, obter reduções no consumo de água no chuveiro também irá impactar na redução do consumo de energia. Obtemos aqui um duplo benefício.

Mudanças de habito para uma casa sustentável

Após obtermos todas as reduções possíveis, é interessante promover ainda uma mudança de hábito. Desta forma obtemos ainda maiores economias.

Algumas estratégias são:

  • Não lavar o carro tão frequentemente.
  • Não irrigar a grama.
  • Tomar banhos mais curtos.

Exemplos Diferentes e Inovadores de Casas Sustentáveis Pelo Mundo

Casa Sustentável na Holanda

A casa de papelão Wikkel House pode ser construída em apenas um dia. Sua principal composição é o papelão em conjunto com uma supercola sem VOC’s. 

Apesar do papelão parecer algo não durável, esta residência pode durar até 100 anos. Portanto, possui uma vida útil superior a muitas residências convencionais.

Os espaços são pequenos, mas ainda acolhedores. Possui um quarto e uma sala que são separados pela cozinha e o banheiro.

casa sustentável

Para os nômades de plantão, outra vantagem. A residência pode facilmente ser transportada para qualquer lugar.

Porém, um impeditivo é o preço. Ela custa, em média, R$ 130 mil. Logo, não seria um atrativo para a maioria das famílias brasileiras.

Casa Sustentável em Milão: Aconchego no Meio da Floresta

Já falarmos que construir em ambientes virgens pode prejudicar a fauna e flora local.

No entanto, estas casas visam uma implantação no meio da floresta com um mínimo impacto no solo.

As casas na árvore, projetadas por Peter Pichler, trazem a sensação de viver dentro da floresta. Possuem entre 35 a 45m², sendo possíveis de serem utilizadas por famílias pequenas.

Apesar de bonitas, nota-se que a quantidade grande de peles de vidro e cores escuras. Portanto, não seria uma solução adequada para a maioria das zonas bioclimáticas brasileiras.

Porém, com algumas adaptações, seria possível obter bons resultados até mesmo em nosso país.

Casa Sustentável Pré-Fabricada Na Austrália

Esta é uma casa australiana pensada na eficiência energética e o impacto mínimo no meio ambiente. Inspirada nos princípios da permacultura, é auto-suficiente e reduz a pegada de carbono.

As abas horizontais no norte demonstram cuidado com a insolação predominante.

Outros elementos sustentáveis são tanques de água da chuva, fossa séptica e queimador de madeira para o inverno.

Janelas e portas operáveis são estrategicamente posicionadas para ventilação cruzada no verão.

No entanto, o mais importante é que os proprietários são apaixonados pela morada e o estilo de vida que ela promove.

Casa Sustentável Até Para Seu Cachorro!

Se cachorros pudessem falar, eles demonstrariam surpresa com esta casa logo abaixo.

O Studio Schicketanz criou esta estrutura para fornecer abrigo para seus animais. É perceptível que o cliente adorou o resultado…

Apesar de parecer exagerado, a casa possui sim, diversos elementos sustentáveis. Existe uma envoltória eficiente, telhados verdes, refrigeração e até mesmo painéis solares.

E você, gostou do resultado?

Concluindo, uma casa sustentável…

É como uma terceira pele. Ela nos fornece abrigo dos elementos externos da mesma forma que nossas roupas.

Logo, deve se adaptar as condições climáticas adversas. Desta forma, ela contribui para não prejudicar o meio ambiente também.

Nenhum destes princípios citados podem ser ignorados na construção de uma casa. São estes elementos que tornam uma residência verdadeiramente sustentável.

Espero que você tenha gostado deste artigo. Comente abaixo o que você espera da sua casa sustentável!

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Ventilação Natural em Edificações: Um Guia Para Arquitetos

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Responda rápido:

↪︎ Uma boa ventilação natural garante uma maior saúde em nossos espaços?

A resposta é fácil: sim. Sabemos que o fluxo adequado de ventilação natural nos espaços é essencial para a saúde humana.

Porém, existe uma regra geral para edifícios em climas frios ou quentes de que, quanto mais ventilação, mais energia é necessária para condicionar adequadamente um ambiente.

Isso acontece porque a ventilação leva consigo parte da energia que foi utilizada para aquecer ou diminuir a temperatura de um espaço, necessitando de um maior uso para mantê-lo agradável.

Então quais são os desafios que precisamos combater para obtermos saúde e ao mesmo tempo um projeto energicamente eficiente?

Se você ler todo este artigo, vai descobrir…

  • Quais são as maiores dificuldades para o uso da ventilação natural.
  • Algumas das principais estratégias utilizadas.
  • Como podemos ir mais a fundo e sermos mais assertivos antes de considerarmos ventilação natural, mecânica, ou ambos, em nossos projetos.

Vamos lá?

Um problema difícil de ser tratado

Um estudo realizado em Harvard indica que edifícios verdes oferecem uma maior taxa de renovação de ar e por consequência, um menor nível de CO2 nos espaços.

As funções cognitivas tornam-se superiores quando os níveis de CO2 são reduzidos. Os itens que mais se destacam estão:

  • Atividades de nível básico.
  • Resposta a crise.
  • Uso da Informação.
  • Atividades estratégicas.

Mesmo com este nível de consciência, muitos sistemas mecânicos falham em fornecer ar fresco com uma taxa de renovação do ar adequada para seus ocupantes.

Quais são os principais problemas encontrados?

1. Um vício do processo tradicional de projeto.

Nós, como arquitetos, muitas vezes pensamos em nossas fachadas como um objeto contemplativo para fotos bonitas. Intensa utilização de vidro, pouco sombreamento e aberturas que não são projetadas para uma entrada e saída de ar efetiva pelos conceitos já conhecidos da ventilação cruzada e efeito chaminé.

É importante compreendermos este potencial, e a melhor forma de fazermos isto é observarmos o clima:

  • Quais são as direções que agem os ventos predominantes?
  • Quantas horas do ano podemos utilizar a ventilação natural em uma temperatura adequada?
  • Quais são as principais estratégias bioclimáticas indicadas?

Informações deste tipo podem ser encontradas facilmente no Brasil no site do Projeteee, e é certamente um bom lugar para começarmos.

A segunda questão é que a ventilação natural está extremamente ligada com a iluminação natural.

Portanto, podemos verificar desde os projetos conceituais se são possíveis plantas-tipo com orientação adequada e menor profundidade (máximo entre 7,5 – 8m). Desta forma podemos obter uma planta mais eficiente a nível de iluminação e ventilação.

Caso seja possível, o próximo passo é avaliarmos a viabilidade. Podemos utilizar ventilação natural, ventilação mecânica ou um modo misto?

Esta análise é extremamente importante e não podemos avaliá-la de modo pontual, apenas considerando o presente. Ambientes estão em constante transformação e podem afetar também nossos espaços. Alguns dos aspectos em destaque são:

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Poluição

É um aspecto que pode prejudicar drasticamente uma estratégia de ventilação natural. Em certas regiões do mundo, como diversas cidades da China, simplesmente não podemos contar com ventilação natural dentro dos edifícios sem um sistema de filtragem.

A poluição pode ainda ser variável durante o dia tanto a nível de intensidade quanto de poluentes químicos predominantes, dificultando uma estratégia assertiva de ventilação natural para mitigar estes efeitos.

Pode ainda afetar mais certas orientações, como algumas vias de trânsito intenso, ou mesmo certas alturas. Tende a permanecer em alturas mais baixas, então edificações altas podem usufruir do benefício da ventilação natural sem ser tão afetada.

Uma questão social relevante é que a baixa qualidade do ar muitas vezes está ligada a regiões com baixo poder aquisitivo, pois tentem estar próximos a fábricas ou rodovias. Nestes casos, dificilmente podemos contar com a ventilação natural sem algum tipo de controle rigoroso ou um partido de projeto mais apurado.

Já para ambientes onde a poluição é amena, uma forma de diminuir este impacto é a utilização de paredes verdes, que funcionam como um sistema de filtragem natural dos poluentes.

Acústica

É claro que, abrindo nossas janelas, teremos interferências acústicas que podem afetar bastante os usuários dependendo de onde sua edificação esteja localizada.

Usuários de escritórios com plantas abertas sofrem ainda mais, por este motivo é recomendável seguir boas práticas para controle de reverberação e transmissão sonora dos espaços.

Mudanças climáticas

Outra questão de grande relevância. Um sistema de ventilação natural pode ser adequado hoje, mas pode não ser amanhã, de forma que as temperaturas tendem a ficar mais altas.

Resiliência urbana

Outra questão muito importante: caso uma cidade sofra por falta de energia, edificações que possuam um sistema de ventilação natural continuam funcionando de maneira eficaz, ao contrário de edificações que confiam totalmente em sistemas mecânicos.

2. Falta de previsibilidade

Outro problema da ventilação natural é que ela não é totalmente previsível.

Como analistas de edificações, sabemos que uma das questões mais difíceis de serem avaliadas em uma simulação são as questões de conforto térmico. Dependendo do clima ou do tipo de edificação – como aquelas com muito vidro, por exemplo – existe dificuldade em analisarmos com precisão se uma estratégia é efetiva pelos softwares atuais.

Somando estes fatores com a ventilação natural, que muda de intensidade, sentido e temperatura durante o dia e no decorrer do ano, esta análise torna-se ainda mais difícil de ser realizada com precisão.

Alguns profissionais podem até dizer que a ventilação natural não funciona para edifícios de escritórios, mas a verdade é que eles ainda não conseguem compreendê-la totalmente. É por este motivo que muitos preferem trabalhar em ambientes totalmente previsível e controlável pela ventilação mecânica.

3. Estratégia Passiva ou Ativa?

Apesar de ser chamado de sistema passivo, a verdade é que uma fachada com ventilação natural acaba sendo uma envoltória ativa, afinal, atribui aos ocupantes da edificação o controle do seu conforto.

E se existe o controle humano, também existe o erro humano.

Sim, existem diversos pesadelos que ocupantes de uma edificação podem enfrentar por não haver um controle adequado nos sistemas da edificação.

Caso os usuários não saibam o que fazer enquanto os sistemas de automação são utilizados, por exemplo, pode haver um aumento desnecessário no consumo de energia.

Para combater estes problemas, uma estratégia eficiente e cada vez mais acessível são os sensores de ocupação com luzes que indicam quando os níveis de CO2 estejam baixos, alertando os usuários para a abertura das janelas.

Ainda assim, os ocupantes podem simplesmente esquecer de abrir a janela. Por este motivo, é imprescindível a educação dos usuários no controle dos seus espaços.

4. Custo

Muitos empresários não gostarão da ideia de pagarem por uma edificação ventilada mecanicamente em conjunto com um sistema de ventilação natural. Parecerá um custo desnecessário.

Até porque as cargas térmicas da edificação são dimensionadas conforme as piores horas – quando estará bastante quente/frio e não podemos confiar na ventilação natural – não gerando economia significativa no sistema de ar condicionado.

É por este motivo que muitos optam em apenas manter o ambiente controlado pela ventilação mecânica, com a vantagem de não ter que lidar com a poluição que a ventilação natural poderá trazer.

Os custos adicionais que uma edificação de uso misto terá são uma modelagem de CFD, controles como sensores de ocupação e atenuadores de vento, janelas operáveis e também um partido arquitetônico que usufrua deste sistema, com plantas de menor largura conforme dito anteriormente.

Mas existem grandes vantagens: menos equipamentos serão necessários caso a edificação possa usufruir de ventilação natural o ano todo. Haverá ainda uma sinergia com outros sistemas, como a iluminação natural e vistas de qualidade.

Outro fator que pode contribuir positivamente é o uso de economizadores, levando um pouco de ventilação natural em uma edificação ventilada mecanicamente. Podemos obter uma boa economia de energia quando a ventilação natural é utilizada de forma eficiente em conjunto com a mecânica.

5. Calor e Umidade

É um conceito bastante simples: se possuímos 32oC em um ambiente externo, a ventilação natural irá levar 32oC para dentro da edificação. Por este motivo a ventilação natural será difícil de ser utilizada o ano todo em edificações.

Uma estratégia que pode ser adotada é resfriamento evaporativo, resfriando o ar pelo aumento da sua umidade. Porém, em climas climas quentes e já úmidos, como na amazonia, esta ação não se torna possível.

Outra possibilidade interessante é o uso de árvores ou mesmo de paredes verdes entre a edificação e os ventos predominantes. Estes elementos tendem a diminuir a temperatura do ar antes que este adentre a edificação.

Conclusão

A ventilação natural é essencial para a saúde dos seres humanos. Uma taxa superior de ventilação garante uma melhoria drástica nas funções cognitivas, porém, é necessário uma análise criteriosa para que os objetivos sejam atingidos com eficiência.

Portanto, simulações computacionais são imprescindíveis e devem ser encaradas como um processo natural do fluxo de projeto de arquitetos e consultores.

E você, está pronto para mudar este paradigma?

 

Fontes:

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Como Trabalhar com uma Parede Verde?

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O que é Uma Parede Verde?

A inclusão da natureza no ambiente urbano contemporâneo tem sido cada vez mais reconhecida como uma boa prática em nossa sociedade.

Intervenções paisagísticas estão ganhando cada vez mais força e até mesmo protagonismo junto a grandes obras do cenário arquitetônico.

Felizmente, o uso de paredes verdes vem surgindo como proposta de qualidade de vida em nosso ambiente construído.

As paredes verdes, ou Green Walls, podem ser divididas em duas categorias:

  • Os Jardins Verticais, também conhecidos como Living Walls.
  • As Green Facades, popularmente conhecidas como Fachadas Verdes.

Um dos percursores do paisagismo vertical no Brasil foi o paisagista Roberto Burle Marx, que projetou um jardim vertical para o Edifício do Ministério da Saúde no Rio de Janeiro junto a grandes nomes de arquitetura como Le Courbiser e Oscar Niemeyer.

Qual a importância de uma parede verde?

Apesar destas belezas serem fortemente atribuídas como elemento estético, podem contribuir muito quando adotadas como estratégias bioclimáticas.

Dentre os benefícios das paredes verdes estão:

  • A redução da carga térmica do ambiente.
  • A retenção de ruídos.
  • A umidificação e filtragem do ar, livrando os ambientes dos compostos orgânicos voláteis.

A medida que vão crescendo as certificações ambientais, torna-se cada vez mais necessário o uso de tecnologias que contribuam de forma efetiva em um bom desempenho dos edifícios.

Sabemos que a eficiência energética é um quesito muito importante para algumas destas certificações, como a LEED por exemplo.

Apesar de um telhado verde ser mais eficiente a nível energético e ambiental, as paredes verdes ainda sim podem ser ótimas aliadas. Então não podemos deixa-las de fora de nossos projetos, não é mesmo?

Assista a live sobre Paredes Verdes

Realizada por Sami Meira e Irina Kim Sang – Miami Vertical Garden – Miami, EUA

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Tipologias em Paredes Verdes

Para criar uma Parede Verde de forma correta torna-se necessário conhecer algumas das tipologias e entender qual se encaixa melhor no programa proposto pelo seu projeto.

O Jardim Vertical é o termo empregado quando a vegetação é colocada em um sistema de fixação auxiliar, geralmente afastados da parede ou com um formato autoportante.

Pode ser realizado também com o uso de feltro, criando bolsas onde é adicionado o substrato, permitindo assim o desenvolvimento das plantas.

Já nas Fachadas Verdes, as plantas são inseridas sobre lajes ou no solo próximas à edificação, podendo estas serem, diretas ou indiretas.

As diretas possuem uma superfície geralmente em argamassa bruta e as indiretas com um sistema de tela, que tornam mais fácil o desenvolvimento de espécies trepadeiras.

parede verde
Parede Verde. Cortesia de Vertical Garden Green Wall

Recomendações Essenciais Para Uma Parede Verde

É muito importante se atentar a carga adicional devido ao sistema de sua Parede Verde, a parede ou superfície de suporte deve ser capaz de resistir ao peso gerado pelo sistema, geralmente cerca de 20Kg saturados por m².

É necessário prever pontos de água e energia próximos da intervenção quando se pretender utilizar sistema de irrigação automatizado.

Quanto a estanqueidade, a superfície de suporte deve estar impermeabilizada para evitar o transpasse da umidade proveniente do sistema de irrigação ou até mesmo a própria vegetação.

Para evitar ao máximo qualquer problema com infiltrações, recomenda-se o uso de materiais impermeabilizantes de qualidade.

No Brasil não há uma norma que forneça parâmetros específicos para este tipo de intervenção, portanto orienta-se que para fins de manutenção seja consultada a NBR 15.575, onde podemos estabelecer alguns prazos de acordo os requisitos de desempenho.

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Como manter uma Parede Verde?

Um dos grandes desafios em jardins verticais é a durabilidade da vegetação e a permanência da sua exuberância, escolha da vegetação e sistema de irrigação.

Para se obter maiores benefícios ambientais, o ideal é usar plantas de espécies nativas.

É ideal estabelecer critérios para escolha de espécies através das suas características:

  • Considerar a incidência de ventos e luminosidade;
  • Plantas de sol, meia sombra e sombra;
  • Ciclo de vida perene;
  • Atributos ornamentais: folhas, flores e frutos;
  • Forma de crescimento: semiereta, pendente, etc;
  • Altura e diâmetro da planta;
  • Necessidade de água e nutrientes.

Muito cuidado com a luminosidade do ambiente que receberá a Parede Verde. Locais onde a iluminação é totalmente artificial podem causar déficits na taxa de fotossíntese de muitas espécies, resultando em uma maior demanda na manutenção.

Conclusão

Empregar Paredes Verdes em seu projeto não proporciona só personalidade na decoração. Garantem maior qualidade do ar e contribuem com a eficiência energética da edifício.

São poderosas agentes bioclimáticas, e por este motivo, conferem de forma inteligente respostas às necessidades ambientais.

Estratégias como essa, destacam a importância de se adotar premissas que contribuam com um ambiente sustentável, tornando-se uma ótima aliada no processo de certificação, promovendo o bem estar e melhorando a qualidade de vida.

Referências

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 15.575 Edificações Habitacionais – Desempenho. Parte 1: Requisitos gerais. Rio de Janeiro, 2013.

RODRIGUES, L. A. Técnicas e tecnologias para implementar paredes verdes externas em edifícios residenciais e comerciais na cidade de São Paulo. 2017. 148p.. Dissertação (Mestrado em Habitação – Tecnologia em Construção de Edifícios) – Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo. São Paulo, 2017.

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Você Conhece o Desafio de 2030?

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Enquanto trabalhava ao lado do Filipe está semana, percebi que ele tinha a intenção de abordar o Desafio de 2030 durante seu novo webinario, Fachadas Sustentáveis.

Foi então que questionei…

Quantas pessoas que irão assistir esse webinário conhecem o desafio de 2030?

Considero o assunto importante, portanto resolvi gravar esse video para esclarecer para todos o que é o desafio de arquitetura 2030.

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Ed Mazria e seu grupo Architecture 2030 são os responsáveis por estabelecer as metas do desafio 2030. São metas evolutivas que foram estabelecidas entre 2010 e 2030 que foram lançadas para cidades, distritos e produtos da construção civil.

Assim sendo, o Desafio de 2030 estabelece medidas drásticas na redução de emissões de gases de efeito estufa e no uso de energia.

Hoje nossa meta encontra-se em 70%, mas nos próximos anos, serão de:

  • 2020: 80%
  • 2025: 90%
  • 2030: Neutro – carbon neutral.

Os arquitetos pelo mundo toparam o desafio de 2030?

Hoje, 80% das TOP 10 firmas de arquitetura listadas estão dentro do desafio, e 65% das empresas TOP 20 do EUA também estão.

Inclusive adotam essa prática instituições americanas federais, o AIA e a ASHRAE, que tanto falamos em outros artigos. O Canadá é o segundo pais com mais instituições e governos que toparam o desafio.

Considerando que estes escritórios são os que justamente vem direcionando as tendências de arquitetura pelo mundo, obviamente que esta tendência chegará mais cedo ou mais tarde aqui no Brasil também.

Como crescer sua empresa com o desafio de arquitetura 2030?

De acordo com HOK, EDR (Eskew+Dumez+Ripple) e CTA (CTA Architects Engineers), as principais formas são:

  1. Seja inovador.
  2. Estabeleça suas metas para economia de energia já no início do projeto.
  3. Simule cedo e sempre.
  4. Encontre o balanço entre os custos de construção e operação.
  5. Faça dos seus modelos de simulação verdadeiras apresentações de projeto, e mantenha-os acessíveis para todos.
  6. Integre o desempenho ambiental ao seu processo de design. Ele não é a cereja do bolo, mas sim sua consistência.
  7. Contrate pessoas com paixão pela sustentabilidade.

Quer saber mais?

Conheça nossos materiais em construções sustentáveis:

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Brise Soleil e a Arquitetura Bioclimática

A Utilização do Brise Soleil na Arquitetura Bioclimática

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No universo construtivo existem diversos elementos arquitetônicos que, quando bem utilizados, podem tornar ambientes muito mais saudáveis através de estratégias bioclimáticas. Um deles é com certeza o brise soleil.

Mas como utilizá-lo?

Leia o artigo para aprender. Mas antes…

O que é um brise soleil?

Brise é elemento arquitetônico cujo nome é derivado do termo brise-soleil, termo francês que significa quebra-sol.

Foi criado com o intuito de filtrar os raios solares através de suas placas, solução encontrada para garantir a permeabilidade da luz natural sem que o os ambientes fiquem totalmente expostos ao sol.

Credita-se ao arquiteto Le Corbusier a sistematização do elemento, normalmente definido pela disposição de lâminas.

Na constituição do brise soleil, pode-se distribuir lâminas horizontais ou verticais. Podem ser fixas ou móveis, variando de acordo com a necessidade.

Brise Soleil e arquitetura sustentável

O brise é um recurso muito utilizado em táticas que buscam maior aproveitamento lumínico, filtrando ou até mesmo mascarando a luz natural.

Caracteriza-se este elemento como um agente de controle solar externo. Sendo também de suma importância na composição de fachadas ventiladas.

Quando aplicado corretamente, pode contribuir com o conforto térmico, permitindo a passagem do ar diminuindo a carga térmica do ambiente.

Logo, este elemento em seu projeto reduz gastos energéticos gerando eficiência na edificação.

O brise soleil é um recurso bastante utilizado em estratégias bioclimáticas. Confere distribuição luminosa, filtrando a penetração dos raios solares de acordo com a orientação em que é empregado.

Equilibra a distribuição de luminâncias no ambiente interno, controlando o ofuscamento causado pela iluminância excessiva dos raios solares.

Garantir um bom desempenho térmico e lumínico contribui bastante na aquisição da certificação LEED, sendo assim o brise soleil torna-se um ótimo aliado.

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Como posso utilizar o brise soleil?

Popularizado pelo modernismo, foi empregado em diversas obras de grandes nomes da arquitetura moderna como Le Corbusier e Oscar Niemeyer.

Foi muito utilizado de forma fixa na própria fachada como no edifício Copan e no Palácio Capanema, obras em que Niemeyer pôde caracterizar a aparência da edificação por meio dos brises.

Para utiliza-lo de forma correta é necessário conhecer alguns princípios da geometria solar. Pois sua eficácia é adequada em resposta ao posicionamento e ângulo do sol.

O elemento se torna melhor empregado quando instalado no lado externo da fachada, pois garante o devido controle antes do contato com aberturas e paredes. Garantindo uma maior eficiência termodinâmica.

Qual o melhor brise? Vertical ou Horizontal?

Pensando na geometria solar, entendemos que o posicionamento do sol é diferente ao decorrer das horas e muda conforme as estações.

Portanto, é necessário compreender de que forma a radiação permeia pelas aberturas do edifício.

Para facilitar o entendimento, existem alguns estudos que recomendam o posicionamento dos brises de acordo como a orientação solar, sendo eles:

Verticais, em fachadas e aberturas que recebem os raios solares de forma ascendente e poente. Este tipo de insolação advém das orientação leste e oeste.

Horizontais, em fachadas e aberturas que recebem os raios solares em posição mais a pino, fenômeno que ocorre em boa parte do dia, sendo mais recomendado na orientação Norte.

Para fachadas e aberturas com orientação sul geralmente não é necessário a aplicação de brises soleil para fins de controle solar, pois recebem pouca insolação. Já em regiões próximas ao equador esta é  uma estratégia que pode ser considerada, já que existe incidência de sol em algumas horas no verão.

A forma ideal para definir o tipo de brise soleil que deve-se empregar é, através da técnica de mascaramento. Através dela é possível compreender a incidência solar do ponto em que se pretende trabalhar, podendo assim combinar as tipologias e criar modelos mistos.

Exemplos

Os brises podem ser móveis ou fixos, dispostos em diversos planos de forma horizontal, vertical ou mista. São muito requisitados os modelos móveis, pela facilidade em se adequar às necessidades ajustando as lâminas de forma conveniente.

São diversos materiais e formatos, podendo utilizar como exemplo a madeira, o aço e o bambu.

Existem brises que são compostos por tramas de diversas fibras, fixados em uma armação que garanta sua forma de placa ou lâmina.

Ganha-se notoriedade vários edifícios que aplicaram brises na composição de suas fachadas, denotando também um apelo estético pelo elemento.

Sua empregabilidade garante plasticidade e textura, podendo trabalhá-lo com criatividade.

A relação com o clima

O brise soleil é um ótimo aliado de regiões com climas quentes, onde a insolação é intensa durante grande parte do ano.

Através do sombreamento, garante uma maior eficiência termodinâmica do ambiente, mantendo-o mais ameno e ventilado, contribuindo para a regulação térmica sem elevar o consumo de energia.

Logo, estes preciosos elementos da composição arquitetônica não são só para regiões ensolaradas. Mesmo em climas frios, são utilizados para filtrar a permeabilidade visual, garantindo a privacidade dos ocupantes da edificação.

Conclusão

Fazer uso de brises claramente não proporciona só personalidade em seu projeto, mas garante também uma melhor eficiência energética.

São poderosos agentes bioclimáticos e portanto, conferem de forma inteligente respostas às necessidades, trabalhando recursos naturais e gratuitos como a luz solar e a ventilação para garantir qualidade ao ambiente interno.

Elementos como este, destacam as vantagens de adotar premissas projetuais que possam contribuir com um ambiente autossustentável.

Acima de tudo, podemos considerar que o brise é um elemento fundamental em edifícios que sofrem com muita insolação. Coloca em prática agentes primordiais ao conforto ambiental e ao bem-estar humano.

 

brise soleil

Referências

Araújo, M. R.; Gonçalves, V.; Cabús, R. ANÁLISE DA LUZ NATURAL A PARTIR DE ELEMENTOS VAZADOS. IX Encontro Nacional e V Latino Americano de Conforto no Ambiente Construído, Ouro Preto, p. 96-102. 2007.

Brises: Conheça os principais modelos disponíveis no mercado. CONAZ. disponível em: <https://www.conazsolucoes.com.br> acesso em 30 de maio de 2018.

Marçal, V. G.; Soares, G. B. N.; Souza, H. A. ANÁLISE DE ELEMENTOS ARQUITETÔNICOS XII Encontro Nacional e VIII Latino Americano de Conforto no Ambiente Construído, Brasília, p. 02-10. 2013.

Sorgato, M.J. DESEMPENHO TÉRMICO DE EDIFICAÇÕES RESIDENCIAIS E UNIFAMILIARES VENTILADAS NATURALMENTE. Florianópolis, 2009.

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O Que É Cobogó e Sua Importância Em Construções Sustentáveis

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O Cobogó e Sua Importância em Construções Sustentáveis

No mundo da arquitetura existem diversos elementos construtivos que, quando bem utilizados, podem tornar ambientes muito mais belos, confortáveis e funcionais. Um deles é certamente o Cobogó.

Mas o que é um cobogó e o que é possível ser feito com ele?

Leia o artigo para aprender. Mas antes…

Os Cobogós na História

O Cobogó é um elemento construtivo brasileiro, criado na década de 1920. Seu nome é batizado com as primeiras sílabas dos sobrenomes de seus criadores, Amadeu Oliveira Coimbra, Ernest August Boeckmann e Antônio de Góis.

Foi criado em Recife, com o intuito de manter a ventilação natural através dos planos de parede – uma solução encontrada para auxiliar na termo regulação dos ambientes perante o calor Nordestino.

Em alguns lugares do Nordeste Brasileiro o nome cobogó sofreu variações interessantes. Alguns exemplos são comogócomogol, comungó, combobó e combogó.

Sua criação baseou-se nos Muxarabis, elementos arquitetônicos oriundos da arquitetura árabe, que permitem a ventilação e preservam a privacidade familiar.

Constitui-se em um elemento vazado, criado primeiramente em concreto e que teve sua difusão em diversos materiais como cerâmica, cimento, vidro, acrílico, PVC, resina e madeira.

cobogo

Porque o cobogó é importante

Usar cobogós é um recurso muito utilizado em estratégias que conferem maior eficiência bioclimática. A função principal é dividir ambientes e permitirem a entrada da luz natural e ventilação. A beleza do elemento é inegável nas áreas externas.

Seu uso proporciona a racionalização da construção, elencando ventilação, iluminação e controle solar como agentes de qualidade e conforto ambiental.

Empregando-o de forma adequada nos ambientes, eleva o índice de qualidade do ar através da troca constante. É recomendável para criar ambientes salubres e reduz gastos energéticos, com redução no uso da climatização artificial.

Quanto à iluminação, o uso de cobogós torna-se um ótimo dispositivo, protegendo a edificação contra a incidência direta dos raios solares, os direcionando e redistribuindo pelo ambiente.

A escolha deste elemento contribui com a uniformidade luminosa de acordo com a orientação solar em que é empregada, equilibrando a distribuição de luminâncias em superfícies internas.

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Como utilizar um Cobogó?

Um cobogó pode ser utilizado em praticamente qualquer tipo de construção, seja residencial, comercial e até mesmo industrial.

Popularizado pelo modernismo nas décadas de 1950 e 1960, foi empregado em várias obras de grandes nomes da arquitetura moderna como o arquiteto Lúcio Costa. Inicialmente utilizados na composição de divisões internas e posteriormente na composição de fachadas ventiladas.

Existem diversas formas criativas para se utilizar um cobogó. O mais usual é na divisão de ambientes externos e internos, mas outras possibilidades podem ser utilizadas. A separação de ambientes internos é uma destas formas, ou mesmo a divisão entre mesmos ambientes, gerando áreas mais íntimas por meio do bloqueio visual.

O custo de uma peça de cobogó é bastante variável. Podemos encontrar modelos mais simples de até R$1,50 no valor unitário chegando até R$90,00 nos modelos com um design diferenciado e maior qualidade de acabamento. Os tamanhos também variam, partindo as 19x19cm chegando até 40x40cm.

Em relação ao acabamento, podemos encontrar desde modelos rústicos em cerâmica crua, até peças esmaltadas ou acetinadas. Destaque para os Ecoblocos, que podem ser encontrados na faixa de R$17 e que possuem em seu processo de fabricação menos emissões. Para saber mais sobre o processo de fabricação ecológica de blocos ecológicos, leia este artigo.

É necessário um cálculo minucioso quando aplicado em planos com altura superior a 3 metros. Uma parede de cobogó não deve substituir qualquer parede de alvenaria, pois não é indicado em caso de grandes cargas de compressão.

Normas Técnicas Relacionadas à Cobogós

  • NBR 05712, que trata de blocos vazados modulares de concreto.
  • NBR 07173, que orienta no uso de blocos de concreto simples sem função estrutural.
  • NBR 07184, que fornece parâmetros para determinar a resistência e compressão.

O sucesso do cobogó também depende da orientação solar e das correntes de ar. Para orientar o desempenho térmico e a iluminância dos ambientes, contamos com as normas:

  • NBR 15220, que fornece instruções para análises térmicas em fachadas ventiladas
  • NBR 8995, que informa níveis mínimos de iluminação de acordo com a atividade e função do ambiente.

Grandes Exemplos de Cobogó

Casa Cobogó, por Márcio Kogan

casa cobogo

 

Residência Los Algarrobos / MasFernandez Arquitectos + Claudio Tapia

cobogó

Em meio aos cheios e vazios, entre paginação e composição, uma parede de cobogós concebe formas e gera plasticidade. Além da diversidade dos materiais é imensa a variedade de cores e formas, sendo possível brincar com a criatividade empregando personalidade em seu projeto.

Biblioteca Nacional de Brasília (BNB), por Oscar Niemeyer:

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A Relação do Cobogó com o Clima

Como cobogós são elementos de controle solar, age filtrando a incidência da radiação e correntes de ar. Entendendo isso, deve-se atentar para a região e o clima onde se pretende trabalhar com esses elementos.

Pode ser utilizado como uma excelente estratégia bioclimática para regiões com climas equatoriais, tropicais e subtropicais. É muito útil na resolução de problemas termo-higroscópicos.

Em climas frios, onde se admite a insolação, ou secos, onde a qualidade do ar é imprópria, não se recomenda a aplicação em fachadas, pois considerando os condicionantes, o cobogó pode tornar-se um adversário.

Deve-se tomar cuidado com a aplicação de cobogós de formas duvidosas e principalmente cobogós em vidro. Apesar de parecerem interessantes à primeira vista, podem não cumprir seu papel de gerar ventilação e ao mesmo tempo sombreamento. Logo, pode gerar mais iluminação do que o necessário, comprometendo o conforto lumínico e até mesmo térmico da edificação.

Alguns Usos Para o Cobogó

Os cobogós podem ser utilizados para praticamente qualquer tipo de superfície. Porém, estas são as aplicações mais comuns:

  • Fachadas: É o modo de uso mais tradicional. Se implementado da forma certa, é obtido o misto de ventilação natural e iluminação no ambiente.
  • Hall de Entrada em Casas ou Escritórios: permite transparência e uma boa transição visual do ambiente público para o privado.
  • Muros: é aplicável em perímetros menos extensos em regiões mais tranquilas, gerando um visual diferenciado.
  • Banheiros: geralmente aplicável em box de banheiros. Porém, deve se tomar cuidado para não ocasionar vazamentos para o piso do banheiro.
  • Cozinhas: geralmente utilizadas em bancadas ou transições entre espaços.
  • Quartos: permite a transição entre uma áreas mais íntimas. Abaixo um exemplo aplicado pela arquiteta Flávia Kloss de Curitiba:

Cuidados Com o Cobogó

Projetar com cobogós requerem cuidados bastante especiais. Veja alguns abaixo:

  • Certos modelos de cobogó podem acumular poeira e até mesmo mofo. Portanto, realize limpezas periódicas tanto internamente quanto na parte externa.
  • Em climas frios, o cuidado com o uso do elemento deve ser maior. É provável que o elemento não obtenha o resultado esperado nestes climas.
  • Como os cobogós reduzem a luminosidade, o posicionamento correto é crucial. Em alguns casos podemos optar por vazios maiores, mantendo o conceito e aumentando a taxa de iluminação.
  • No caso do uso de cobogós para proteger equipamentos, é necessário deixar espaços para o acesso a manutenção.
  • No caso de uma reutilização, é necessário a remoção com extremo cuidado. Muitas peças são frágeis e podem sofrer ruptura quando desconectadas da argamassa.

Cobogó: Um Triunfo da Arquitetura Sustentável

Entendemos que o cobogó é um grande triunfo das edificações sustentáveis e da arquitetura brasileira. É um ótimo aliado nas regiões quentes com presença de umidade e fortalece inclusive o design de interiores.

Compreendemos que quando bem empregado, torna-se um avanço nas estratégias bioclimáticas. Sua participação em um projeto é a prova do uso racional nas tecnologias construtivas.

Emprega beleza, plasticidade e controle de recursos naturais, distribuindo luz do sol e permitindo a circulação do ar.

Sua competência é comprovada por grandes nomes da arquitetura, capaz de garantir sucesso na qualidade espacial e no conforto ambiental. É um fenômeno arquitetônico tipicamente brasileiro.

Referências

Araújo, M. R.; Gonçalves, V.; Cabús, R. ANÁLISE DA LUZ NATURAL A PARTIR DE ELEMENTOS VAZADOS. IX Encontro Nacional e V Latino Americano de Conforto no Ambiente Construído, Ouro Preto, p. 96-102. 2007.

Marçal, V. G.; Soares, G. B. N.; Souza, H. A. ANÁLISE DE ELEMENTOS ARQUITETÔNICOS: Cobogós e Fachadas Ventiladas. XII Encontro Nacional e VIII Latino Americano de Conforto no Ambiente Construído, Brasília, p. 02-10. 2013.

Batalha Energética: Parede x Pele de Vidro

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Conhecer as possibilidades para a eficiência energética de uma edificação com pele de vidro é muito importante para qualquer profissional da construção civil, não necessitando ser algo restrito apenas para consultores.

É importante que arquitetos tenham a consciência dos parâmetros que elevam o desempenho de edificações para que eles possam contribuir com o máximo de eficiência e não descubram grandes oportunidades tarde demais.

Se você acompanhou nosso último artigo, já sabe da importância dos vidros na arquitetura e seus principais índices de performance. Sabe também que edifícios aparentemente idênticos em sua forma podem possuir níveis de consumo energético extremamente diferentes.

Agora nós vamos mais a fundo, mais precisamente compreendendo o PAF (Percentual de Abertura de Fachada) em uma edificação e a sua relação com os vidros. Vamos descobrir:

  • Qual é a importância do PAF?
  • De quais fachadas geralmente podemos extrair os maiores benefícios?
  • Qual a reação dos fechamentos de acordo com a eficiência dos vidros utilizados?

O que é PAF?

PAF é conhecido também como o Percentual de Abertura de Fachada, ou WWR (Window to Wall Ratio) em outros países. É obtido pela divisão da área de vidro pela área total de uma fachada. Se possuímos 2,00m² em uma fachada de 10,00m², possuímos um PAF de 20%. Se a área fosse 4,00m², seria 40%, e assim por diante.

O conceito do PAF é importante porque as janelas são geralmente o elo mais fraco quando falamos em eficiência energética em edificações no mundo todo.

Uma avaliação dessas proporções geralmente servem como um bom parâmetro inicial de projeto e podem ser extremamente benéficas para a eficiência energética de uma edificação.

modelo de simulacao energetica

O Modelo Utilizado para Simulação

O modelo que iremos utilizar será exatamente o mesmo utilizado no artigo passado: uma edificação de escritórios genérica em Curitiba, toda em vidro, de 30×30 metros, com 15 pavimentos de 3,60m de altura, posicionada 90° em relação ao norte.

Lembrando que os valores obtidos pelo Energyplus são apenas uma noção de grandeza, pois não foram considerados tratamentos de sombreamento, ajustes no uso da edificação, taxas de infiltração, nem transmitâncias precisas em elementos da edificação como paredes internas, pisos e cobertura.

A análise será realizada considerando 3 passos:

  • A melhor orientação da edificação.
  • A avaliação de quais fachadas serão as mais impactadas em uma edificação com vidros com SHGC de 0,8 e Valor U de 5,6.
  • A mesma avaliação anterior, apenas alterando o SHGC dos vidros para 0,25;

Round 1: A Melhor Orientação

orientacao edificacao

Como estamos avaliando uma caixa simples, sem considerações sobre condicionantes como edifícios vizinhos, sombreamentos, e possuímos o mesmo tratamento nos vidros em todas as fachadas, a edificação não apresentou grandes diferenças na economia energética com a mudança de orientação.

No entanto, esta relação será extremamente importante em qualquer caso real, então fica o alerta.

Mas aqui, considerando o melhor caso, em que rotacionamos a edificação 100° no sentido anti-horário, significa que podemos obter uma redução de 0,5% no consumo anual da edificação com pele de vidro.

Por este motivo mantivemos a orientação 90° em relação ao norte para facilitar o critério de análise.

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Round 2: Análise de PAF em cada fachada – SHGC 0,8 e Fator U de 5,6

shgc

Avaliar as proporções em cada fachada com pele de vidro é uma análise criteriosa que deve ser realizada com cuidado, pois os impactos energéticos podem ser imensos.

Nesta análise, consideramos sempre 3 fachadas totalmente em vidro e para a última fachada realizamos diversas simulações no Energyplus para obter curvas de análise.

Avaliando as 4 fachadas com vidros incolores, é notável que as fachadas leste e oeste são as que mais oferecem benefícios energéticos quando diminuídas as proporções — exatamente conforme estudamos nas aulas de conforto na faculdade — obtendo benefícios de até 10-12%, se comparados com a diminuição de proporções apenas na fachada norte ou sul.

Ainda, percebemos que a diminuição de proporção de vidro nessas fachadas leste e oeste representam economias energéticas de 17%-20% em relação ao vidro incolor.

No entanto, devemos nos atentar para a intensidade luminosa dentro dos ambientes e principalmente avaliar a qualidade a nível térmico, afinal vidros incolores não são indicados para edifícios.

Round 3: Análise de PAF em cada fachada – SHGC 0,25 e Fator U de 5,6

shgc e fator u

Para esta análise mudamos “apenas” o SHGC dos vidros, o que representa uma mudança significativa de performance geral.

Considerar que 3 fachadas já estão com um SHGC de 0,25 e a última com uma redução na porcentagem de vidros já estabelece um nível de performance energética pelo menos 10% superior ao caso anterior.

Adicionalmente, é importante notar que os benefícios pela mudança de proporção não dão tão drásticos quanto o primeiro caso. Se anteriormente os ajustes representavam de 17-20% de economia, agora representam no máximo 5% de eficiência energética.

Comparando os 2 Casos de PAF x Pele de Vidro

pele de vidro

Avaliando na prática em uma simulação, percebemos que o PAF em pele de vidro é extremamente importante em edificações, mas que ele também é atenuado quando utilizamos vidros de controle solar.

No gráfico acima essa diferença apresenta-se de forma clara, pois trabalhamos em um nível energético mais otimizado quando estamos trabalhando com variações do PAF em fachadas que já consideram controle solar.

No entanto, ainda não consideramos aqui a aplicação cuidadosa do PAF em cada fachada individualmente, considerando visuais, um nível de iluminação aceitável em grande parte das superfícies e até mesmo dispositivos de sombreamento, que podem ajudar na economia por evitar o uso de vidros de alta performance em todas as fachadas.

Ignorar análises mais criteriosas poderia, por exemplo, sugerir que utilizássemos um PAF de 0% (parede cega) em uma das paredes da edificação para obtermos a maior economia energética conforme apresentadas nos gráficos, mas esquecermos da distribuição luminosa, o que geraria pontos de baixa luminosidade na edificação e um consequente custo adicional pela iluminação artificial, conforme podemos observar abaixo.

simulacao iluminacao natural

Conforme a conclusão do artigo passado, precisamos avaliar edificações com pele de vidro de forma completa para que possamos obter perfis energéticos aceitáveis. Regras, tecnologias e gráficos ajudam, mas não são tudo. O critério humano continua sendo essencial para obtermos a mais alta performance.

Esperamos que o conteúdo tenha sido útil para lhe ajudar a pensar mais sobre edificações de alta performance.

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Como utilizar vidros para a eficiência energética

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Uma boa arquitetura possui uma relação de equilíbrio com o design, conforto e eficiência energética.

Se você chegou até aqui, sabe que os vidros são muito importantes para a eficiência energética, e gostaria de aplicá-los de forma mais assertiva em sua arquitetura, certo?

Afinal, desde que Mies Van der Rohe criou um dos primeiros conceitos da torre de cristal em 1921, a Freidrichstrasse Skyscraper, muita coisa mudou.

Hoje possuímos tecnologias muito mais avançadas de construção, como softwares em 3D, BIM e estratégias de simulação, só para citar algumas mudanças.

Mas…eu espero que você não esteja projetando como 1921, certo?

Então leia este artigo para entender sobre um dos principais aspectos primordiais do conforto e eficiência energética em edificações: as características principais dos vidros.

Os principais fatores em vidros para a eficiência energética

Quais são os principais fatores relacionados em vidros para a eficiência energética?

Na verdade existem diversos itens importantes que iremos abordar em outros artigos, tais como:

  • As transmitâncias em paredes, pisos e tetos
  • Edifícios vizinhos
  • Elementos de sombreamento
  • O uso da edificação
  • A ventilação natural
  • A caracterização das zonas térmicas
  • A aplicação de placas fotovoltaicas no final do processo.

Outro índice muito importante – talvez primordial – é o WWR (Window to Wall Ratio) também chamado de PAF, que é a proporção entre as janelas em relação a cada fachada da edificação.

No entanto, o objetivo deste artigo é demonstrar como apenas 3 índices nos vidros de uma edificação podem mudar drasticamente os fatores de eficiência energética, por mais que visualmente uma edificação seja praticamente igual a outra.

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Portanto, possuímos 3 índices primordiais em vidros para a eficiência energética:

  • O SHGC (Solar Heat Gain Coefficient)
  • Fator U (U Value)
  • O VLT (Visible Light Transmittance).

Cada um deles terá um papel diferenciado na eficiência energética da sua edificação, e nenhum pode ser ignorado.

A compreensão por uma simulação

Para que você entenda da forma mais didática possível, realizamos a simulação de vidros para a eficiência energética em uma edificação de escritórios genérica, toda em vidro, de 30×30 metros, com 15 pavimentos de 3,60m de altura, posicionada 90° em relação ao norte.

Serão realizadas 2 análises por índice:

  • A primeira será realizada comparando os índices em 5 cidades brasileiras.
  • A segunda será realizada comparando mais profundamente 2 cidades brasileiras com as condições mais diferenciadas — Curitiba e Manaus.

Lembrando que os valores obtidos são apenas uma noção de grandeza, pois não foram considerados tratamentos de sombreamento, ajustes no uso da edificação, taxas de infiltração, nem transmitâncias precisas em elementos da edificação como paredes internas, pisos e cobertura. Sempre considere avaliar todos elementos de uma edificação para obter melhores índices de eficiência energética.

O SHGC – Solar Heat Gain Coefficient

É sobre o ganho solar na edificação. Quando menor o seu índice – que vai de forma genérica de 0 até 1 – menor será o ganho solar dentro de um ambiente, pois ele se torna mais capaz de resistir à radiação.

Este fator é importante em todas as regiões brasileiras, principalmente as mais quentes, que irão geralmente sugerir índices baixos de SHGC nos vidros para que possamos manter um índice de conforto aceitável.

É importante mencionar que na maioria dos folhetos de fabricantes de vidros índice mais comum utilizado é o FS (Fator Solar). No entanto, o SHGC é mais completo, pois considera ganhos solares diretos em indiretos dentro da edificação e é mais amigável para softwares de simulação.

Como é o SHGC na prática?

Simulação da Edificação pelo Brasil

Podemos perceber no gráfico abaixo resultante da simulação de todas as fachadas em vidro simultaneamente que o consumo de energia anual aumenta de forma drástica dependendo do SHGC utilizado.

Esse aumento acontece de padrão similar nas 5 cidades analisadas, com aumentos no consumo energético quanto mais quente o clima da região.

Utilizando vidros de controle solar com SHGC`s próximos ao Baseline da ASHRAE 90.1.2013 – o principal padrão internacional para Otimização do Desempenho Energético em edificações — possuímos uma redução energética média de 20-25% em relação ao vidro incolor em todos os 5 estados brasileiros analisados.

Uma Lupa em Curitiba: Simulação da Edificação por Fachadas Individuais

Avaliando uma cidade de clima mais frio, podemos reconhecer claramente as diferenças os aumentos no consumo de energia pela utilização do SHGC em cada fachada.

Se utilizamos, por exemplo, 3 fachadas com o SHGC dentro do baseline da ASHRAE 90.1 e apenas a fachada oeste com vidro incolor, o aumento do consumo é mais drástico do que realizar o mesmo com 3 fachadas e considerar um vidro sem controle solar na fachada sul.

Se utilizarmos vidros de controle solar próximos a 0,33 de SHGC, podemos manter um bom nível energético não necessitando de diferenciações em cada fachada.

Uma Lupa em Manaus: Simulação da Edificação por Fachada

O mesmo padrão de resultado apresentado em Curitiba acontece também em Manaus, com a diferença de que o consumo energético é maior em condições idênticas de análise.

As fachadas leste/oeste também se destacam no consumo energético, e utilizar vidros com SHGC perto de 0,30 possibilitaria o uso do mesmo tipo de vidro em todas as fachadas mantendo um bom nível de performance.

Fator U (U Value)

Este é o fator de condutividade térmica do vidro. Quanto menor o fator U – que vai de forma genérica de 0.1 até 6.9 – menos calor ou frio será transferido para os ambientes.

Este fator será imprescindível principalmente em regiões onde a diferença da temperatura externa é muito diferente da interna, afinal, quanto mais o vidro deixar passar a temperatura externa/interna, mais energia será necessária para manter a edificação dentro de níveis aceitáveis de conforto.

Como é o Fator U na prática?

Simulação da Edificação pelo Brasil

Analisando as 4 fachadas de uma edificação simultaneamente em 5 estados brasileiros, podemos perceber o mesmo padrão de comportamento na edificação, com o natural aumento do consumo energético em regiões mais quentes utilizando o mesmo padrão nos outros índices — transmitâncias, perfis de uso, etc — da simulação.

É importante perceber também que em regiões mais quentes conseguiríamos uma eficiência de 3-5% caso utilizássemos um vidro com um Fator U próximo ao baseline da ASHRAE 90.1.2013.

No entanto, é imprescindível uma análise mais detalhada desses índices para cada fachada, que é o que faremos logo para Curitiba e Manaus.

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Uma Lupa em Curitiba: Simulação da Edificação por Fachada

Analisando Curitiba, podemos perceber claramente que poderíamos obter ótimos benefícios utilizando índices próximos a 3,51 no Fator U, em todas as fachadas — com destaque novamente pra a fachada oeste — contrariando inclusive o baseline da ASHRAE 90.1.2013 que exige índices mais criteriosos.

As fachadas oeste e leste, mantendo o padrão do SHGC, são novamente as fachadas onde podemos extrair os maiores benefícios.

É importante ressaltar que a ordem de grandeza do Fator U é muito menor que a do SHGC, portanto é muito importante avaliar o custo dessa solução x a economia energética obtida, que tende a ser menor do que os resultados obtidos pelo SHGC logo acima.

 

Uma Lupa em Manaus: Simulação da Edificação por Fachada

Já um outro extremo, como Manaus, exigiria um Fator U próximo a 2,27 para obtermos uma otimização energética máxima considerando a fachada toda em vidro.

Outro fator importante é que, acima do Baseline da ASHRAE, ocorre um salto no consumo, novamente nas fachadas leste oeste. É importante mais uma vez notar que este avanço não representa tanto quando comparado ao SHGC na edificação.

VLT – Visible Light Transmittance

É sobre a Transmitância de Luz Visível. Quanto maior – que vai de forma genérica de 0 a 1 – mais luz visível este vidro permitirá passar.

É lógico que o valor do VLT vai se relacionar diretamente com o SHGC em vidros para a eficiência energética, pois quanto mais luz uma janela passar, a tendência é que o valor também passe.

Como é o VLT na prática?

Simulação da Edificação pelo Brasil

Para entender como este índice se comporta em vidros para a eficiência energética, utilizamos os critérios de iluminação natural da IES (LM) 83-12, que é o método mais recomendado pelo LEED e consiste em 2 fatores de análise:

  • O Sda (Spatial Daylight Autonomy), que se refere a Automomia da Luz. São as áreas na altura do plano de trabalho em que conseguimos obter pelo menos 300 lux nos ambientes regularmente ocupados da edificação em um período entre as 8:00 até as 18:00 por 50% das horas do ano, ou 1825 horas.
  • Já o Ase (Annual Sunlight Exposure), é sobre a exposição da luz do sol nos ambientes para 250 horas do ano. Obter mais que 1000 lux pontuais significa que a edificação possui áreas com ofuscamento excessivo pela luz do sol. Uma exposição maior do que 10% da área da edificação pode ser considerada excessiva para os ambientes e é punido em certificações como o LEED.

Avaliando por este critério, podemos observar que, utilizando um VLT médio de 0,42 em 4 cidades brasileiras em vidros para a eficiência energética, obtemos diferenças importantes por fachada, como por exemplo a inexistência de ASE nas fachadas sul de Curitiba e São Paulo.

Outro fator que é importante observar é que não possuímos áreas regularmente ocupadas com um baixo índice de iluminação natural (sDA), o que acontece por não consideramos partições internas na edificação.

É perceptível também que, embora os principais impactos estejam ao oeste da edificação, cidades como Curitiba e Rio de Janeiro apresentam índices de ASE são superiores à São Paulo e Manaus, o que exigiria mais performance dos sistemas de sombreamento na edificação, como persianas horizontais, verticais, ou mesmo venezianas internas ou externas.

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Uma Lupa em Curitiba

Avaliando Curitiba individualmente com vidros utilizando índices de VLT de 0,16, 0,42 e 0,69 respectivamente, podemos notar que o índice de 0,16 geram áreas com baixa iluminação natural. Este índice seria ainda pior caso utilizássemos partições internas na edificação.

Para solucionar a baixa iluminação mantendo o baixo VLT, algumas soluções seriam possíveis, como diminuir a profundidade da planta, ou a utilização de sistemas de sombreamento tipo light shelf, que permitiria uma penetração maior da luz.

Mas o mais recomendado para esta edificação seria o aumento nos índices de VLT entre 40-50%.

Uma Lupa em Manaus

Manaus de comporta de forma parecida com Curitiba, no entanto a intensidade da iluminação no oeste se intensifica drasticamente com o VLT de 0,69, tornando praticamente obrigatório o uso de sistemas de sombreamento caso esse índice seja mantido.

Conclusão

conclusao eficiencia energetica

A conclusão básica que podemos tirar desse estudo é que não existem verdades absolutas quando falamos sobre vidros para a eficiência energética.

Edificações aparentemente idênticas podem apresentar padrões de consumo energético completamente diferentes dependendo da consideração dos vidros.

No entanto, os vidros são apenas um fator importante entre diversos outros, como as transmitâncias em paredes, pisos e tetos, elementos de sombreamento, o uso da edificação, a ventilação natural e a proporção de janela por fachada.

Considerar apenas a possibilidade de uma edificação vizinha existente ou futura poderia alterar drasticamente os índices apresentados neste estudo.

Outra conclusão simples é que precisamos entender que a análise energética não pode mais ser realizada como um diagnóstico tardio sobre “onde estamos”, e sim sobre “onde estamos e podemos ir”.

E para sabermos onde podemos ir, as simulações precisam ser realizadas logo no início do projeto, para que possamos realmente obter edificações de alta performance.

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Net Zero energia em edificações: como viabilizar este projeto?

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Net Zero Energia – Você sabe como viabilizar esse projeto?

No começo de maio fizemos um post sobre Edifício Net Zero. Caso este seja seu primeiro encontro com o termo, vale conferir.

Aqui neste artigo, nosso objetivo é detalhar as variadas definições do Edifício NetZero e como alcançar esse objetivo. Essa meta é viável para a maioria dos projetos, mas não é fácil. É necessário uma equipe comprometida em maximizar a eficiência do design e um investimento de menos de 10% sobre o valor total da obra.

O retorno financeiro se dá em uma média geral de 7 anos, podendo variar em um pouco mais ou menos de acordo com a tipologia de projeto.

Vamos iniciar nossa conversa apontando que:

  • 90% dos impactos ambientais que uma edificação exerce sobre o meio está atrelada ao uso de energia.
  • A vida útil de uma edificação gira em torno de 70 a 75 anos.

Olhando apenas esses números fica fácil entender o motivo de uma edificação sustentável, e principalmente eficiente, ser tão importante, devendo ser popularizada.

Nós, arquitetos e engenheiros, devemos assumir esse compromisso de forma mais séria e contundente. Aprendendo a administrar isso dentro de nossos projetos e junto a nossos clientes. Construir de forma equilibrada.

net zero

Equilíbrio

Essa é a palavra que melhor define um edifício NetZero. Esse equilíbrio deve ser alcançado em múltiplos aspectos – geração e destinação de resíduos, eficiência no uso da água e eficiência energética.  Hoje, no Brasil, o que vem sendo mais comercializado é NetZero Eficiência Energética no seu conceito mais básico: uma unidade de energia usada por uma produzida.

Contudo, NetZero pode ser muito mais se olharmos para a definição mais completa e já adotada em diversos países ao redor do mundo.  As definições abaixo foram publicadas pelo Departamento de Energia dos Estados Unidos através do seu Laboratório de Energias Renováveis:

  • Net Zero Energia Local – A mais comum e utilizada das definições. Segundo ela, o prédio deve, dentro do período de um ano, produzir ao menos o mesmo tanto de energia que consumiu dentro da sua localidade.
  • Net Zero Fonte de Energia – Dentro desta definição, o prédio deve produzir em um ano a mesma quantidade de energia que consome, incluindo a quantidade de energia que é gasta trazendo e levando energia deste prédio a sua fonte externa de energia.
  • Net Zero Custo de Energia – Este modelo é baseado na troca monetária, ou seja, o valor que o edifício recebe pela energia gerada a partir de suas fontes próprias e inseridas na rede deve ser igual ao valor que o prédio paga pela energia que retira da rede ao longo do período de um ano.
  • E Net Zero Emissões da Energia– Neste caso o balanço se dá da seguinte forma: o edifício deve produzir, em quantidade de energias renováveis sem emissões, a mesma quantidade que utiliza de energias que geram emissões. Vale lembrar que o Brasil é predominantemente atendido por energia hidráulica que gera menos emissões que energia via combustíveis fósseis, o que é uma vantagem ao proprietário do edifício na hora do balanço.

Entendeu agora que o buraco é bem mais embaixo?

Com isso podemos reafirmar que no Brasil as edificações que se denominam NetZero não alcançaram esse objetivo em sua totalidade, zerando em todos os aspectos citados acima. Aliás, poucos prédios no mundo alcançaram essa façanha.

Isso é ruim…estamos sendo enganados?

De forma alguma. Os impactos que uma edificação causa no meio ambiente são tantos que zerar em apenas uma definição representa um progresso significativo para o desempenho da construção.

Se o prédio produzir no ano a mesma quantidade em energia que ele consome, seu desempenho aumenta em média entre 50%-70% em relação a uma edificação convencional. Além de se tornar uma edificação mais confiável e sustentável, comercialmente seu valor e visibilidade aumentam bastante.

Agora que já cobrimos a parte teórica da coisa e já estamos convencidos de que NetZero é um objetivo ótimo para se ter, vamos ao que realmente interessa.

Como chegar no objetivo NetZero?

Como sugerido no nosso post de maio, Eficiência deve ser a chave e critério fundamental do projeto desde o inicio. Não basta ser eficiente, precisa ser super eficiente. Itens como os citados abaixo devem ser estudados e desenvolvidos com muita cautela pelo time de projeto.

Maximizar no design

Isso quer dizer que devemos projetar para usufruir passivamente de tudo que o meio pode nos oferecer, orientando o prédio para melhor utilizar:

  • Ventilação cruzada;
  • Luz natural;
  • Sombreamento; e
  • Calor do sol.

Um estudo de orientação solar e dos ventos bem executado é determinante. Ele apontará os artifícios passivos que podem ser instalados como:

  • Tamanho, orientação e altura das janelas;
  • Tamanho do beiral do telhado;
  • Necessidade de sombreamento ou exposição ao sol;
  • Necessidade de prateleiras de luz;
  • Parede e telhado verde, etc.

A distribuição das cargas geradas por equipamentos e dos ocupantes por andar ou setor também podem contribuir. Pessoas  produzem calor e isso deve ser contabilizado no balanço geral dos cálculos. Para que se tenha uma ideia, um adulto produz  100 watts de calor em repouso e 500 watts praticando exercícios.

Envelope da Edificação

A escolha do envelope é importante para o conforto e isolamento térmico dos ambientes.

  • Verificar aberturas e vedações para evitar trocas de ar indesejadas;
  • Utilizar diferentes tipos de vidros para atender às diferentes necessidades de cada fachada;
  • Espessura e materiais que compõem as paredes também devem variar de acordo com cada fachada;
  • Tipo de tintas e absorção de calor que a cor escolhida possui; e
  • Revestimentos que possuam nanotecnologia para isolamento acústico e térmico.

 

net zero

Equipamentos

Equipamentos de alto desempenho devem ser especificados trazendo benefícios como:

  • baixa manutenção e
  • mínimo de energia na operação.

Só neste item já reduzimos perto de 50% da conta final. Procure equipamentos que possuam o selo Energy Star. Quando possível utilizar tecnologias que captam energia de forma passiva, como aquecimento solar de água.

net zero

Uso e Manutenção consciente

Existe vida após o projeto!

De nada serve um projeto desta complexidade sem os devidos cuidados. Os usuários e a equipe de manutenção devem entender as melhores práticas de gerenciamento para as medidas implantadas.

Medir uma edificação vazia com equipamentos zerados cheirando novo é fácil. Realmente o mais difícil é manter e, constantemente, otimizar os resultados alcançados. O Brasil está cheio de placas LEED empoeiradas, telhados verdes mortos e etc.

Essas dicas devem ser estudadas e aplicadas de forma consciente, além de bem programadas para durar todo ciclo de vida da Edificação.

E o Brasil está aonde com esse objetivo?

O Brasil está comprometido com a sustentabilidade. As metas brasileiras dentro do Acordo de Paris para com as emissões de carbono e geração de energia limpa são ambiciosas. Com isso acreditamos que os incentivos governamentais devem aumentar muito.

Após a aprovação da ANEEL em 2012, a micro e a mini geração crescem aceleradas e já produzem ótimos resultados.

Esse crescimento tende a continuar, barateando os sistemas e projetos. Edificações NetZero não são coisas de orçamento rico, elas estão cada dia mais viáveis para a maioria das construções novas e existentes.

A Blockchain Como o Futuro da Energia Verde

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Você acompanha o crescimento da energia solar?

O setor de energia solar foi um dos que mais cresceu em 2017. De acordo com o The Guardian, o crescimento mundial foi de 50% em 2017, muito devido a esforços dos EUA e China.

No Brasil o crescimento foi de 70% nos últimos dois anos.

Mesmo com ótimos sinais, considero que o crescimento poderia ser muito maior, afinal, a produção de energia renovável ainda é proibitiva para grande maioria do setor residencial.

Como isso poderia ser diferente, incluindo você e muitos de seus clientes no processo?

Leia esse artigo para compreender.

O grande empecilho

O maior impeditivo para aqueles que buscam um sistema de energia renovável ainda é o longo prazo de retorno do investimento.

É importante ressaltar que a culpa desse longo payback não é do sistema solar por si só. O preço dos componentes na verdade só decrescem, caminhando inclusive contra o aumento anual das tarifas energéticas.

Este payback longo se origina, em grande parte, pela falta de incentivos governamentais.

Impeditivo 1

Mesmo que o produtor de energia residencial mantenha uma produção superior ao seu consumo, será necessário o pagamento da tarifa mínima para a concessionária, que terá um valor dependendo da região e da sua rede — monofásica, bifásica ou trifásica.

Esse fator torna o investimento interessante apenas para produzir o excedente da energia consumida, já que o residual da tarifa mínima terá que ser pago separadamente de qualquer forma.

Este fator diminui drasticamente o benefício ambiental e econômico do investimento.

Impeditivo 2

Outro revés para quem produz acima da própria demanda é apenas receber créditos sobre o excesso, que são “armazenados” – geralmente por um período de até 60 meses – e poderão ser utilizados para os próximos meses caso o consumo seja maior que a produção.

Este benefício é inútil na maioria dos casos, pois se você produz mais do que precisa, geralmente continuará produzindo, mesmo considerando estações mais frias onde a produção diminui.

Mas…e se o futuro reservasse maior independência e bons frutos para os bons produtores de energia verde?

A verdade é que esta realidade não está tão longe assim.

Para você entender como o setor de energia verde pode mudar drasticamente em alguns anos, precisamos entender o conceito da Blockchain.

A Blockchain como o futuro da energia verde

Se você acompanhou as notícias da área da tecnologia, deve estar familiarizado com o Bitcoin e o termo Blockchain.

O Blockchain é como se fosse um livro-razão virtual — público e compartilhado — que cria um consenso entre duas partes pela validação de muitos computadores pelo mundo sobre uma transação.

É considerado um sistema altamente seguro, justamente por ser descentralizado, e também econômico, pois as transações são livres de intermediários entre transações, como bancos e sistemas de pagamento.

A Blockchain é vista como a principal inovação do Bitcoin, a criptomoeda que tem aparecido em notícias do mundo todo, visto seu crescimento espantoso — e abrindo precedentes a milhares de outras criptomoedas surgirem no mercado.

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Hoje existem criptomoedas de todos os tamanhos e cores: algumas como uma evolução tecnológica do Bitcoin (Ethereum), ligadas a internet das coisas (IOTA) e até moedas estranhas ligadas a pornografia, videogames ou…batatas.

Bancos e instituições querem distância desse crescimento das criptomoedas – muito porque várias não sobreviverão a longo prazo – mas o motivo principal é porque buscam manter seu controle sobre a economia.

Definitivamente, existe um elefante na sala que hora ou outra eles terão que lidar — e eventualmente perder bastante neste processo.

A descentralização da energia

Cenários distópicos a parte, a verdade é que o setor da energia verde tem muito a se beneficiar com o sistema da Blockchain, principalmente pela descentralização da energia das grandes empresas e também pela eliminação de intermediários no processo da troca da energia excedente — o que gera uma grande economia no processo.

Uma das iniciativas mais sérias é a WePower, em que produtores de energia renovável poderão obter capital pela emissão de tokens que representam a energia que eles irão produzir e entregar, em um custo mais baixo que o mercado.

Entre esses fornecedores podem estar até mesmo eu e você, já que o sistema permite uma troca P2P, mais ou menos com os sistemas de troca de mp3 entre usuários que se tornou bastante popular nos anos 2000.

A grande vantagem é que, diferentemente do Bitcoin, em que a moeda se origina pela “mineração virtual” e consome energia de maneira crescente devido a escassez programada da moeda — o WePower inverte esses valores, beneficiando quem produz energia e consequentemente realiza boas ações ao planeta.

Um resultado mais democrático (e verde)

O resultado da energia verde descentralizada pela adoção da blockchain será uma energia mais barata e acessível para consumidores de todo o mundo, além da maior independência das concessionárias de distribuição energética.

Podemos ainda considerar que a produção de energia residencial pode vir a se tornar de mera hipótese para uma fonte de renda complementar real, independente das oscilações das tarifas mínimas de energia e das cargas tributárias.

Outra grande vantagem da blockchain é que dificilmente fontes de energia “sujas” como o petróleo ou o carvão conseguiriam assimilar sua tecnologia, por não serem sistemas digitais e altamente mensuráveis como a geração de energia fotovoltáica.

No fim do dia, a popularização e democratização tecnológica são as principais mudanças necessárias para que a energia solar ocupe o primeiro lugar entre todas as outras fontes de energia e contribua para um futuro mais sustentável. É hora.

E você, considera possível a Blockchain como o futuro da energia verde?