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Materiais Sustentáveis – Reportando e Otimizando

Materiais sustentáveis e sua aplicação na construção civil ainda são assuntos discutidos de forma rasa nas mesas de projeto e canteiros de obra do Brasil. Muitos ainda se perguntam: afinal o que faz um material ser sustentável?

Logo que fazemos essa pergunta, algumas das primeiras ideias que surgem como resposta são: conteúdo reciclável e madeira de reflorestamento. Não está errado, mas esses são apenas dois itens dentre os muitos aspectos que podem tornar um produto mais sustentável ao meio ambiente e mais nobre ao mercado. Abaixo vamos ver mais itens importantíssimos que devem fazer parte da discussão:

  • A procedência – Como é feita a extração de matérias primas? Como encontra-se as condições de trabalho das pessoas que fazem essa extração? Incentiva a economia local?
  • A velocidade de renovação no meio ambiente – Esse material se renova? Qual é a velocidade com que se renova? Quão abundante esse recurso é em nosso ecossistema?
  • A composição –  Quantos químicos são usados para a constituição do produto final? Quantos químicos são necessários para manutenção e acabamento desse produto?
  • Manipulação –  Como esse produto é industrializado? Quais são os efeitos do seu processo na poluição do meio ambiente?
  • Transporte – Esse produto é regional? Caso não seja, quantas toneladas de CO2 são necessárias para trazer esse produto para o seu canteiro de obra?
  • Impacto a saúde – Esse produto já foi testado quanto aos danos que pode vir a trazer à saúde humana? Todos os químicos utilizados são seguros para  humanos em todas as idades?

Todos esses questionamentos moldam um produto digno de ser especificado em qualquer construção que busca o reconhecimento ou a certificação sustentável.

E onde buscar essas respostas?

Desde a popularização das construções e das certificações sustentáveis, o mercado fornecedor de materiais passou a se preparar melhor e tentar acompanhar essa tendência, porém a verdade é que ainda temos um longo caminho a percorrer. Fornecedores aptos a providenciar respostas completas e confiáveis ainda são  minoria aqui no Brasil, o que se torna um empecilho na hora de especificar.

Entenda mais no Inforgráfico:

materiais sustentaveis

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Materiais e Saúde

Estamos vivendo numa era em que passamos a maior parte de  nosso tempo em ambientes fechados, seja no trabalho, em casa ou até mesmo no lazer. Esses ambientes são construídos por materiais sintéticos, cheios de compostos químicos e altamente processados. O que mais nos preocupa é que, em sua maioria, os materiais comercializados no Brasil não são testados quanto aos seus efeitos à saúde humana.

Nos EUA e Europa esse assunto vem sendo debatido de forma mais aberta; e já existem diversas instituições responsáveis pelo controle de qualidade e salubridade de ingredientes materiais. Há um respaldo de legislações e normas internacionais que ajudam na cobrança pelo desenvolvimento de produtos menos nocivos a saúde. Em terras brasileiras, esses avanços vêm acontecendo em alguns setores, no entanto conforme já citamos isso é minoria.

Portanto, para obtermos melhores resultados e confiabilidade nas informações relacionadas a materiais e produtos a serem especificados, seguimos nos apoiando fortemente nesses estudos e legislações internacionais. A certificação LEED, certificação sustentável mais utilizada no Brasil, oferece alguns exemplos de metodologias com padrões e legislações para reportagem da qualidade dos materiais utilizados.

Seguindo normas internacionais os métodos de reportagem mais aceitos globalmente são:

  • Listagem ou Declaração de Ingredientes Materiais
  • Analise do Ciclo de Vida – ACV
  • Declaração Ambiental do Produto ou EPD que em inglês é Environmental Product Declaration

Vamos ver cada um deles detalhadamente.

Listagem de Ingredientes Materiais

 

O fabricante irá fornecer a receita do bolo, com todos os ingredientes e suas quantidades medidas em 1000 ppm (parts per million). No caso de ingredientes secretos, estes ainda devem ser reportados com seus nomes ocultos, todavia informações como a função, quantidade e perigos devem estar abertas.

A ideia da declaração dos Ingredientes Materiais  é encorajar o uso de produtos que tenham um impacto mais positivo no meio ambiente, na saúde humana e no âmbito econômico-social; desde a extração da matéria prima até sua destinação final.

Ingredientes Materiais: o que o LEED solicita

Reportar – Inventário de Ingredientes Químicos

Utilizar pelo menos 20 produtos de no mínimo 5 produtores que demonstrem um inventário químico de pelo menos 0,1 % (1000 ppm).

Pode ser usado o inventário do fabricante que publicou (no CAS):

  1. Um inventário publicamente disponível de todos os ingredientes, identificados por nome e um registro CAS (CASRN)
  2. Materiais com Propriedade Intelectual. Pode descartar o CASRN, mas deve apresentar intuito, quantidade e nível de perigo, usando:
  • Bendmark GreenScreen
  • Sistema Harmonizando Globamente para Classificação e Rotulagem de Produtos Químicos (GHS).
  • HPD open Standard – Health Product Declaration
  • Cradle to Cradle Certification
  • Declare Label
  • REACH List

O GreenScreen é muito utilizado para tecidos. Um exemplo dele aplicado a produtos pode ser encontrado em cortinas, persianas e tapeçaria.

O GHS foi criado pelas Nações Unidas. Portanto, é um sistema único de classificação de químicos, onde também, podem ser verificadas empresas que têm esses químicos.

Otimizar – Cadeia de Fornecedores do Fabricante

Produtos que atendam, a pelo menos, um critério para 25% do custo para o total de produtos da construção instalados no projeto. São coletados de fabricantes que se engajam em programas de saúde e riscos, em 99% do peso dos ingredientes.São coletados de fabricantes, com verificação de terceiros na sua cadeia de produção, que verifique:

  1. Ingredientes químicos ao longo da cadeia de abastecimento;
  2. Identificar, documentar e comunicar informações sobre a saúde, segurança e características ambientais dos ingredientes químicos;
  3. Implementar medidas para gerir o risco para a saúde, segurança e meio ambiente dos ingredientes químicos;
  4. Otimizar a saúde, segurança e impactos ambientais na concepção e aperfeiçoamento de ingredientes químicos;
  5. Processos para comunicar, receber e avaliar a segurança dos ingredientes químicos e a informação da administração ao longo da cadeia de suprimentos; e
  6. Informação de segurança e administração sobre os ingredientes químicos está disponível em todos os pontos ao longo da cadeia de suprimentos.

Analise do Ciclo de Vida dos Materiais  – ACV

O fabricante deve acessar todo o ciclo do material desde sua extração até seu descarte ou re-entrada na cadeia produtiva. Esse tipo de análise faz com que o fabricante tenha maior conhecimento e, consequentemente, maior consciência dos impactos gerados pelo seu produto em cada fase – extração, transporte, processo, durabilidade durante o tempo de utilização e descarte.

A ideia da ACV é entender os impactos ambientais e assim servir de ferramenta para reduzi-los.  A ACV é feita individualmente para cada produto que compõe uma edificação, sendo que cada um possui sua metodologia individual de teste. Os testes e relatórios de análises devem ser executados de acordo com a norma internacional ISO 14044-2006. No Brasil possuímos empresas especializadas na elaboração dessa documentação.

Análise do Ciclo de Vida: O que o LEED solicita

Reduzir em 10% os impactos ambientais em pelo menos 3 categorias das citadas abaixo, sem aumentar em mais de 5% os impactos em outras categorias:

  • Aquecimento Global – Redução do Efeito estufa em kg CO2;
  • Depredação da camada de ozônio estratosférica em kg CFC-11;
  • Acidificação do terreno e fontes de água em moles H+ or kg SO2;
  • Eutrofização (acúmulo de nutrientes que provoca acúmulo de matéria orgânica em decomposição) em kg nitrogênio ou kg fosfato;
  • Formação de Ozono Troposférico, em kg NOx, kg O3 eq, ou kg eteno; e
  • Depreciação dos recursos de energias não renováveis, em MJ.

Segundo os requisitos para pontuação mínima nesta categoria, devem ser analisados todo envelope e elementos estruturais da edificação: materiais componentes da fundação, paredes estruturais internas incluindo seus acabamentos, pisos e lajes estruturais sem seus acabamentos e coberturas. Elementos internos de acabamento serão considerados, todavia ficam a critério do projetista submeter informações.

Declaração Ambiental do Produto ou EPD

A declaração ambiental do produto é um documento normalmente autodeclarado pelo fornecedor ou fabricante. Ela contém informações sobre os ingredientes materiais de um produto e os impactos do seu ciclo de vida.  A declaração ambiental, para ser completa e bem pautada, deve seguir as normas ISO 14025,14040, 14044, e EN 15804 ou ISO 21930. Existe também a possibilidade de terceirizar este trabalho e, com isso, o documento ganha mais credibilidade e segurança quanto ao seu conteúdo.

Declaração Ambiental do Produto: o que o LEED socilicita

Opção 1 – Reportar

Usar pelo menos 20 produtos que serão instalados permanentemente na edificação proveniente de 5 fabricantes diferentes e que estejam declarando de acordo com as seguintes opções:

  • Declarações Específicas para Produto – Documentos revisados e criticados de acordo com a ISO 14044, e que possuam um escopo de análise definido para cobrir da extração ao descarte.
  • Declarações Ambientais de Produto – Documentos mais completos, revisados e analisados de acordo com as normas ISO 14025,14040, 14044, e EN 15804 ou ISO 21930 e escopo de análise definido para cobrir da extração ao descarte.
  • Declarações de terceiros realizadas de forma genérica para produtos “tipo”  que possam contar com envolvimento reconhecido do fabricante.
  • Declarações de terceiros realizadas especificamente para o produto e que conte com o envolvimento reconhecido do fabricante
  • Outras formas de declarações ambientais aprovadas pelo USGBC.

Opção 2 – Otimizar

Materiais que compõe 50% do custo total do orçamento devem se enquadrar em uma das seguintes exigências:

  1. Certificados atestados por terceiros que demonstrem algum tipo de redução dos impactos ambientais abaixo da média para a indústria em pelo menos 3 das categorias citadas abaixo:
    • Aquecimento Global – Redução do Efeito estufa em kg CO2;
    • Depredação da camada de ozônio estratosférica em kg CFC-11;
    • Acidificação do terreno e fontes de água em moles H+ or kg SO2;
    • Eutrofização ( acúmulo de nutrientes que provoca acúmulo de matéria orgânica em decomposição) em kg nitrogênio ou kg fosfato;
    • Formação de Ozono Troposférico, em kg NOx, kg O3 eq, ou kg eteno; e
    • Depreciação dos recursos de energias não renováveis, em MJ.
  2. Possuir produtos aprovados por outros standards exigidos pelo USGBC.
  3. Para alcançar o crédito, produtos devem ser extraédos, processados e comprados em um raio de 160km do projeto.

Mesmo que seu projeto não esteja buscando uma certificação, exigir que nossos produtos evoluam para versões melhores que não agridam nossa saúde e o meio ambiente é uma causa que vale a pena. Seremos nós os beneficiados a cada nova construção.

Os químicos mais perigosos a nossa saúde estão citados na lista REACH e em alguns países já foram até banidos do mercado. Veja também outros químicos que podem ser nocivos à saúde humana e são bastante utilizados  na construção civil.

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maio 24, 2018

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