fbpx

Biofilia: como aplicar o design biofílico em sua casa e em seus projetos

O termo biofilia é bastante recente. Ele surgiu em torno de 1964, quando o psicanalista alemão Erich Fromm percebeu a atração do ser humano por tudo o que é vivo.

Desde então, a biofilia foi se tornando tendência. Hoje ela é estudada dentro de diversas áreas. Uma delas é o design de interiores.

Dentro da arquitetura e do design de interiores, ela é chamada de design biofílico.

Se biofilia é contato com a natureza, o que seria então o design biofílico?

O que é biofilia e design biofílico

A evolução tecnológica é muito recente na história da evolução humana. Isso significa que nosso organismo evoluiu de forma a responder a estímulos naturais.

Acordamos com a luz do sol e à noite temos sono. Alguns sons nos tranquilizam, como o da água.

Biofilia é a sinergia do homem com o meio natural. É percepção de que estamos ligados à natureza e que ela nos faz bem.

Diversos estudos já comprovaram os benefícios da presença da natureza em nosso cotidiano. Hoje, a maioria das pessoas passa grande parte do dia em ambientes fechados. Portanto, a ideia do design biofílico é trazer natureza para dentro dos ambientes.

O design biofílico pode ser bastante complexo. Ele vai muito além de ter plantas dentro de casa, ou uma vista para a floresta.

Luz do sol, ventilação, formas orgânicas, texturas, existem inúmeras maneiras de inserir esses itens na arquitetura. Contudo, tudo deve ser planejado com cautela para promover vantagens reais.

Neste artigo, listamos todos os elementos da biofilia na arquitetura. Além disso, as principais vantagens de investir no design biofílico em sua casa ou em seus projetos.

Leia até o fim e comece hoje mesmo a transformar os ambientes ao seu redor.

Quais as vantagens da Biofilia

Porque a biofilia se tornou uma tendência tão grande?

Com certeza isso se deve às inúmeras vantagens que ela proporciona. A biofilia melhora nossa saúde, produtividade e aumenta o lucro de estabelecimentos comerciais.

Confira as principais vantagens da biofilia para cada ambiente:

Em hospitais:

  • Acelera a recuperação de pacientes
  • Funcionários trabalham mais satisfeitos
  • Melhora a imagem pública do hospital

Em escolas:

  • Ajuda na concentração dos alunos
  • Melhorias cognitivas
  • Incentiva a curiosidade e observação

Em escritórios

  • Melhora o rendimento dos trabalhadores
  • Maior lucratividade para empresas

Em lojas ou supermercados:

  • Valoriza os produtos
  • Atrai clientes

Em residências:

  • Melhora o humor dos habitantes
  • Previne ansiedade

Isso demonstra como o design biofílico é uma ferramenta eficiente em qualquer ambiente.

Inserir a biofilia nos espaços não é muito simples. Listamos abaixo os 6 elementos que abrangem esse conceito.

Os 6 aspectos da Biofilia

1. Elementos ambientais:

Os elementos base da natureza são percebidos e interpretados facilmente pelo ser humano.

As cores sempre foram um aspecto importante para a nossa sobrevivência. A biofilia ressalta cores mais comuns na natureza, como tons terrosos, verde e marrom.

A água pode ser inserida nos espaços através do paisagismo com espelhos d’água. Na água, já seria possível colocar mais um elemento natural: animais. Aquários com peixes fazem parte de um design biofílico.

O ar pode ser valorizado em ambientes através da ventilação cruzada. Um sistema de ventilação natural garante um ar com qualidade superior. Portanto, é mais benéfico que o ar condicionado.

Plantas são fonte de alimento, forragem, podem transmitir segurança e proteção.

Janelas com vistas de qualidade nos permitem acompanhar o clima e ter uma noção do horário do dia. Além disso, podem ser o acesso visual a outros elementos biofílicos, como plantas, água e o próprio céu.

O fogo é outro elemento natural, ele denota cor, movimento e aconchego.

2. Formas Naturais

As formas da natureza podem ser representações naturais ou simulações. Essas formas podem ser:

  • Padrões botânicos
  • Ornamentos
  • Biomimética
  • Formais ovais
  • Tubulares
  • Arcos e abobadas.

Essas formas podem se adaptar ao clima e à vegetação de cada lugar, como nas imagens abaixo:

Biofilia

Biofilia

Biofilia

3. Padrões e processos naturais

Esse item remete às diferentes sensações que a natureza nos proporciona. Essa variabilidade sensorial pode ser representada por sons, cheiros, texturas e experiências.

Em ambientes amplos, a riqueza de informações pode encorajar as pessoas a explorarem o local. Por outro lado, espaços delimitados e menores passam a sensação de segurança. Na biofilia, os padrões e formas podem ser planejados para facilitar a leitura dos espaços.

Outro fator é a idade e denotação do tempo. Elementos que contam histórias através da aparência valorizam a cultura local.

De mesma maneira, elementos naturais que crescem e se transformam com o tempo geram um sentimento de prazer e satisfação.

4. Luz e espaço

Aqui, damos atenção à relação do ser humano com a passagem de luz durante o dia e também durante as estações. A presença ou ausência de luz causa diferentes estímulos no corpo humano.

Um ambiente de trabalho bem iluminado irá colaborar na produtividade dos trabalhadores. Por outro lado, nos sentimos mais confortáveis em um ambiente com pouca luz quando queremos relaxar.

Ao realizar projetos de iluminação, devemos ficar atentos à quantidade de Lúmens (medida de fluxo luminoso). Cada ambiente e atividade possui uma intensidade luminosa ideal necessárias. Essas quantidades estão especificadas pela norma NBR15575.

Quando se tem a intenção de valorizar a iluminação natural, é necessário tomar cuidado com o ofuscamento. O ideal é buscar um equilíbrio entre distribuição e quantidade de luz. Cortinas e persianas podem ajudar nesse sentido.

Para distribuir melhor a luz no interior, utiliza-se cores claras e materiais com alta refletância.

5. Relação de cultura e local

As relações afetivas também são consideradas na biofilia. Através da familiaridade, gera-se o sentimento de pertencimento e cuidado.

Essa sensação pode ser destacada pela geografia, através da enfatização da vegetação local. É possível destacar essa vegetação com vistas, jardins e paisagismo. Ou até na forma das construções inspirada nas formas da vegetação.

Outra maneira de valorizar esse aspecto é utilizar mão-de-obra local nas construções. Ou também, matérias-primas da região ou de regiões próximas.

A conexão histórica e cultural pode ser feita através da preservação do patrimônio local. Ou também, pela valorização do caráter nas novas construções. Evita-se assim edifícios muito padronizados e sem identidade.

6. Relações humanas com a natureza

O último aspecto traz a biofilia justamente como a nossa relação com a natureza.

Você já parou para reparar os sentimentos que a natureza transmite?

Por exemplo, ao ver uma cachoeira muito grande, você já sentiu medo? Alguns elementos naturais imponentes como esse causam sentimento de reverência e respeito.

A busca pela beleza e atração nos espaços sempre foi natural do ser humano. Locais bonitos estimulam nossa curiosidade e imaginação. Ao passo que locais que demonstram a engenhosidade humana geram confiança e auto estima.

Espaços fechados e cobertos transmitem segurança, acolhimento. Já lugares muito complexos, com excessos de cores e formas podem causar confusão.

Você conseguiu relacionar algum desses sentimentos com suas vivências?

Um projeto com biofilia

Se você pretende aplicar a biofilia em sua casa, preste atenção nos sentimentos que você deseja gerar. Com um propósito definido, é mais fácil definir quais aspectos serão mais importantes.

Da mesma maneira, é essencial que arquitetos e designers passem a aplicar os conceitos do design biofílico em seus projetos. O conhecimento existe e sua eficácia é comprovada.

A biofilia é uma forma de criar espaços que respeitam as pessoas. Ela revoluciona a nossa relação com o ambiente construído.

Os elementos listados nesse artigo garantem vantagens econômicas, sociais e ambientais. Desta forma, percebe-se que a biofilia é também uma grande aliada da sustentabilidade.

Fontes:
Stephen R. Kellert, Judith Herrwagen, Martin Mador – The Theory, Science and Practie of Biophilic Design
Stephen R. Kellert, Elizabeth F. Calabrese – The Practice os Biophilic Design
Timothy Beatley – Biophilic Cities
Timothy Beatley – The Handbook of Biophilic City Planning and Design
Jana Soderlund – The Emergence of Biophilic Design

novembro 16, 2020
© 2018 UGREEN