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A Utilização do Brise na Arquitetura Bioclimática

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No universo construtivo existem diversos elementos arquitetônicos que, quando bem utilizados, podem tornar ambientes muito mais saudáveis através de estratégias bioclimáticas. Um deles é com certeza o brise.

Mas como utilizá-lo?

Leia o artigo para aprender. Mas antes…

O que é um brise?

Brise, é elemento arquitetônico cujo nome é derivado do termo brise-soleil, termo francês que significa quebra-sol.

Foi criado com o intuito de filtrar os raios solares através de suas placas, solução encontrada para garantir a permeabilidade da luz natural sem que o os ambientes fiquem totalmente expostos ao sol.

Credita-se ao arquiteto Le Corbusier a sistematização do elemento, normalmente definido pela disposição de lâminas.

Na constituição do brise, pode-se distribuir as lâminas horizontalmente ou verticalmente, de maneira fixa ou móvel, variando de acordo com a necessidade.

Brise e arquitetura sustentável

O brise é um recurso muito utilizado em táticas que concedem maior aproveitamento lumínico, cuja função principal é filtrar ou até mesmo mascarar a luz natural.

Caracteriza-se este elemento como um agente de controle solar externo. Sendo também de suma importância na composição de fachadas ventiladas.

Aplicado corretamente, pode contribuir com o conforto térmico, permitindo a passagem do ar diminuindo a carga térmica do ambiente.

Usar este elemento em seu projeto reduz gastos energéticos gerando eficiência na edificação.

O brise é um recurso bastante utilizado em estratégias bioclimáticas. Confere distribuição luminosa, filtrando a penetração dos raios solares de acordo com a orientação em que é empregado.

Equilibra a distribuição de luminâncias no ambiente interno, controlando o ofuscamento causado pela iluminância excessiva dos raios solares.

Garantir um bom desempenho térmico e lumínico contribui bastante na aquisição da certificação LEED, sendo assim o brise torna-se um ótimo aliado.

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Como posso utilizar o brise?

Popularizado pelo modernismo, foi empregado em diversas obras de grandes nomes da arquitetura moderna como Le Corbusier e Oscar Niemeyer.

Foi muito utilizado de forma fixa na própria fachada como no edifício Copan e no Palácio Capanema, obras em que Niemeyer pôde caracterizar a aparência da edificação por meio dos brises.

Para utiliza-lo de forma correta é necessário conhecer alguns princípios da geometria solar. Pois sua eficácia é adequada em resposta ao posicionamento e ângulo do sol.

O elemento se torna melhor empregado quando instalado no lado externo da fachada, pois garante o devido controle antes do contato com aberturas e paredes. Garantindo uma maior eficiência termodinâmica.

Qual o melhor brise? Vertical ou Horizontal?

Pensando na geometria solar, entendemos que o posicionamento do sol é diferente ao decorrer das horas e muda conforme as estações.

É necessário entender de que forma a radiação permeia pelas aberturas do edifício.

Para facilitar o entendimento, existem alguns estudos que recomendam o posicionamento dos brises de acordo como a orientação solar, sendo eles:

Verticais, em fachadas e aberturas que recebem os raios solares de forma ascendente e poente. Este tipo de insolação advém das orientação leste e oeste.

Horizontais, em fachadas e aberturas que recebem os raios solares em posição mais a pino, fenômeno que ocorre em boa parte do dia, sendo mais recomendado na orientação Norte.

Para fachadas e aberturas com orientação sul geralmente não é necessário a aplicação de brises para fins de controle solar, pois recebem pouca insolação. Já em regiões próximas ao equador esta é  uma estratégia que pode ser considerada, já que existe incidência de sol em algumas horas no verão.

A forma ideal para definir o tipo de brise que deve-se empregar é, através da técnica de mascaramento, através dela é possível compreender a incidência solar do ponto em que se pretende trabalhar. Podendo assim, combinar as tipologias e criar modelos mistos.

Exemplos

Os brises podem ser móveis ou fixos, dispostos em diversos planos de forma horizontal, vertical ou mista. Sendo muito requisitado os modelos móveis, pela facilidade em se adequar às necessidades ajustando as lâminas de forma conveniente.

São diversos materiais e formatos, podendo utilizar como exemplo a madeira, o aço e o bambu.

Existem brises que são compostos por tramas de diversas fibras, fixados em uma armação que garanta sua forma de placa ou lâmina.

Ganha-se notoriedade vários edifícios que aplicaram brises na composição de suas fachadas, denotando também um apelo estético pelo elemento.

Sua empregabilidade garante plasticidade e textura podendo trabalha-lo com criatividade.

A relação com o clima

O brise é um ótimo aliado de regiões com climas quentes, onde a insolação é intensa durante grande parte do ano.

Pois através do sombreamento, garante uma maior eficiência termodinâmica do ambiente, mantendo-o mais ameno e ventilado, contribuindo para a regulação térmica sem elevar o consumo de energia.

Estes preciosos elementos da composição arquitetônica não são só para regiões ensolaradas. Mesmo em climas frios, são utilizados para filtrar a permeabilidade visual, garantindo a privacidade dos ocupantes da edificação.

Conclusão

Fazer uso de brises claramente não proporciona só personalidade em seu projeto, mas garante também uma melhor eficiência energética.

São poderosos agentes bioclimáticos e por isso mesmo, conferem de forma inteligente respostas às necessidades, trabalhando recursos naturais e gratuitos como a luz solar e a ventilação para garantir qualidade ao ambiente interno.

Elementos como este, destacam as vantagens de adotar premissas projetuais que possam contribuir com um ambiente autossustentável.

Considera-se que o brise, sem sombra de dúvida, é um elemento fundamental em edifícios que sofrem com muita insolação, pois coloca em prática agentes primordiais ao conforto ambiental e ao bem estar humano.

 

Referências

Araújo, M. R.; Gonçalves, V.; Cabús, R. ANÁLISE DA LUZ NATURAL A PARTIR DE ELEMENTOS VAZADOS. IX Encontro Nacional e V Latino Americano de Conforto no Ambiente Construído, Ouro Preto, p. 96-102. 2007.

Brises: Conheça os principais modelos disponíveis no mercado. CONAZ. disponível em: <https://www.conazsolucoes.com.br> acesso em 30 de maio de 2018.

Marçal, V. G.; Soares, G. B. N.; Souza, H. A. ANÁLISE DE ELEMENTOS ARQUITETÔNICOS XII Encontro Nacional e VIII Latino Americano de Conforto no Ambiente Construído, Brasília, p. 02-10. 2013.

Sorgato, M.J. DESEMPENHO TÉRMICO DE EDIFICAÇÕES RESIDENCIAIS E UNIFAMILIARES VENTILADAS NATURALMENTE. Florianópolis, 2009.

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outubro 31, 2018

1 responses on "Brise e Arquitetura Bioclimática"

  1. Muito Interessante o artigo. Trabalhamos com arquitetura de Hospitais e utilizamos os brises com muita frequência para proteção das áreas de internação.

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