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Arquitetura Social: 5 Passos Simples para Conhecer os Desafios e Oportunidades

De acordo com a Fundação Getúlio Vargas, existe um deficit habitacional de 7,7 milhões de moradias no Brasil.

Logo, a Arquitetura Social pode promover grandes soluções para este cenário. Promove boas relações, qualidade de vida e explora a transformação de uma sociedade.

Neste artigo vamos abordar pontos importantes da Arquitetura Social:

  1. O que é?
  2. Os Desafios Da Arquitetura Social no Brasil
  3. A Lei de Assistência Técnica
  4. Exemplos práticos
  5. Como fazer uma Arquitetura Social?

Continue lendo para saber mais sobre o tema.

1. O que é Arquitetura Social?

É a arquitetura voltada para o planejamento e construções para a população de baixa renda.

Ela é diretamente ligada com os programas de urbanização e habitação, bem como com as políticas públicas das cidades.

A Arquitetura Social tem como objetivo:

  • Promover uma relação saudável entre as pessoas e os espaços de convívio;
  • Criar espaços que desenvolvam a conexão entre vida humana e a realidade;
  • Desenvolver espaços que promovam a inclusão;
  • Propor acessibilidade;
  • Projetar com sustentabilidade;
  • Respeitar os usuários;
  • Projetar espaços para cumprir as necessidades humanas.

Considerando que nossos projetos interferem em grande parte da qualidade de vida das pessoas, devemos criar espaços adequados para as atividades diárias:

  • Projetar com dimensões aptas para a função estabelecida;
  • Considerar que luz, cores e texturas colaboram com a efetividade do espaço;
  • Moderar a temperatura com materiais de construção, plantas e composição adequada;
  • Considerar o conforto acústico, térmico e possíveis odores;
  • Criar uma relação proporcional agradável entre o indivíduo e a escala.

Assim, elaboramos cenários que influenciam direta e positivamente na vida das pessoas.

Devemos lembrar que encontramos diferentes realidades sociais no Brasil. E, tendo estes objetivos em mente, nós, profissionais da construção civil devemos ampliar nossa visão.

Em países como o Brasil, essa desigualdade social é muito grande. Muitas pessoas constroem sem o auxílio de um profissional técnico. Consequentemente, tem problemas com saneamento básico, segurança estrutural e conforto.

“Então, como encarar estes desafios para criar uma arquitetura inclusiva?”

Continue lendo para entender o problema da Arquitetura Social no Brasil e suas possíveis soluções.

2. Os desafios da Arquitetura Social no Brasil

O “sonho da casa própria” no Brasil é bastante conhecido.

No entanto, muitos brasileiros tem dificuldade em possuir uma casa agradável. Que atenda requisitos básicos de conforto, saneamento e acessibilidade.

Para a arquiteta Alis Josefides, o primeiro desafio é:

“Mudar a visão da sociedade sobre o profissional de arquitetura e urbanismo.”

As pessoas, de forma geral, não costumam saber as funções de um arquiteto. Culturalmente, o arquiteto é visto como artigo de luxo.

Para mudarmos isso, devemos nos aproximar de todas as camadas sociais da sociedade.

Pois, a função do arquiteto vai além de construir. Deve conectar o indivíduo com o local onde ele habita.

Com isso, ONG’s (como a ONG Soluções Urbanas), iniciativas privadas e a políticas públicas do governo criam estratégias.

Uma delas é a voltada para a construção de conjuntos habitacionais. No entanto, o deficit habitacional ainda continua grande.

Algumas ONG’s afirmam que o foco deve ser em reformas, ao invés da construção de novas moradia.

A defesa é que a possibilidade de oferecer habitações de interesse social para todos é praticamente nula. Podem ser mais efetivas pequenas mudanças que estabeleçam o bem-estar geral dos moradores.

3. A lei de Assistência Técnica

Existe a lei 11.888, de 2008, que viabiliza acesso gratuito, para famílias com renda de até 3 salários mínimos, à:

  • Serviços técnicos de engenharia;
  • Serviços técnicos de arquitetura;
  • Regularização fundiária.

Para Alis Josefides, a iniciativa é muito importante. O desafio é construir uma estratégia que coloque em prática este direito.

Além disso, é crucial a interação entre os profissionais da construção civil com a população a ser alcançada.

Com isso, arquitetos e engenheiros percebem as particularidades do local. Bem como compreendem a movimentação e as necessidades da comunidade.

4. Exemplos de Arquitetura Social

Você já ouviu falar do arquiteto Alejandro Aravena?

Ele é um arquiteto chileno e ganhador do Prêmio Pritzker em 2016. É responsável por vários projetos inovadores na área de Arquitetura de Habitação Social.

O que Alejandro Aravena sabe fazer muito bem é envolver a comunidade na concepção do projeto.

Vamos conhecer uma de suas obras e posteriormente outra obra de Arquitetura Social.

Habitação Social Quinta Monroy, por Alejandro Aravena e ELEMENTAL – Chile, 2003

O objetivo foi abrigar cerca de 100 famílias que ocupavam ilegalmente o terreno.

Para efetivar a ideia, foram necessárias 4 estratégias:

  1. Alcançar uma alta densidade para pagar o terreno que era bem localizado.
  2. Introdução de um espaço coletivo entre os espaços público e privado. Com isso, se gera a sociabilização, que auxilia em áreas sociais mais frágeis.
  3. O edifício devia ser possível de crescimento dentro da sua própria estrutura.
  4. Projetar uma casa com porte de classe média. Tendo como foco a entrega da parte que o morador mais terá dificuldade em construir sozinho.

Escola-Ponte, por Li Xiaodong Atelier – China, 2012

A ideia deste projeto é ter 3 funções:

  1. Uma escola;
  2. Uma ponte, que liga dois castelos antigos separados por um pequeno rio;
  3. Um Centro Espiritual.

A ideia é revitalizar a comunidade onde se localiza a obra e preservar a cultura local. Isso resulta na sensação de pertencimento dos habitantes da região.

5. Como fazer?

Com planejamento e foco é possível atuar como arquiteto de forma efetiva e valorizada.

Para trabalhar com Arquitetura Social você pode optar por:

  • Concursos Públicos: projetos municipais, estaduais e federais geridas pelo poder público;
  • ONG’s: voltadas para a habitação social;
  • Empreendedorismo: financiamento coletivo, ou uma arquitetura voltada para classes C, D e E (Minha Casa Minha Vida).

Você tem interesse em empreender na esfera da arquitetura social? O Conselho de Arquitetura e Urbanismo disponibilizou 10 dicas para isso:

  1. Focar no mercado de reformas;
  2. Investir na população de baixa renda;
  3. Faça marketing local;
  4. Abranger do projeto à finalização da obra;
  5. Oferecer condições de parcelamento;
  6. Comprar materiais diretamente dos fabricantes;
  7. Qualificar mão de obra local;
  8. Viabilizar metodologias de troca e mutirões;
  9. Buscar parcerias;
  10. Elaborar um bom Plano de Negócios.

Concluindo…

Você viu neste artigo que a Arquitetura Social é uma ferramenta necessária. Com ela podemos trazer cada vez mais as condições de moradia que as pessoas precisam.

O desafio de mudar a percepção dos brasileiros com relação aos arquitetos é grande. Através da aproximação com todas as classes sociais, profissionais e empresas de arquitetura e urbanismo, podemos transformar este cenário.

Portanto, criar projetos que:

  • Promovam a harmonia entre espaços e pessoas;
  • Desenvolvam a inclusão, sustentabilidade e acessibilidade;
  • Projetar espaços para cumprir as necessidades humanas.

São elementos importantes para criar a sensação de pertencimento e conexão entre as pessoas e o espaço.

Lembrando que, a Sustentabilidade vai muito além de construir com paredes e tetos verdes.

A Sustentabilidade se trata do equilíbrio entre pessoas, lucro e planeta.

Projetar tendo em vista o direito de habitar de cada pessoa, também se torna uma atitude sustentável.

E então? O que você acha do cenário da Arquitetura Social no Brasil?

agosto 6, 2019
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