Bioplástico é a solução para o problema do plástico?

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Bioplástico é a solução para o problema do plástico?

Se você acompanha as novidades que envolvem sustentabilidade, já deve ter ouvido falar do bioplástico. Mas você sabe o que é, realmente, esse material?

O bioplástico surgiu como uma alternativa para o problema da poluição da natureza pelo plástico.

Que as sacolas plásticas estão com os dias contados, todos já sabemos.

O plástico é um material que pode demorar mais de 400 anos para se decompor. Se considerarmos que ele começou a ser produzido há menos de 400 anos, quase todo o plástico que já foi produzido ainda existe.

Esse excesso de plástico, somado a falta de sistemas de reciclagem eficientes, é um grave problema ambiental.

As exigências do mercado e da legislação apontam a necessidades de criar alternativas que substituam o plástico convencional.

Mas será que o bioplástico é uma alternativa que resolve esse problema de fato?

Neste artigo você vai aprender:

  • Onde está o problema do plástico convencional
  • O que é bioplástico
  • Como é um bioplástico ideal
  • A reciclagem do plástico
  • Outras soluções para o problema do plástico

Depois de ler este artigo, com certeza você vai se tornar um consumidor ainda mais consciente.

1. Plástico convencional – onde está o problema

O plástico convencional é um produto que deriva do petróleo, matéria-prima não renovável. Além disso, sua produção é responsável por altos índices de emissão de carbono na atmosfera.

Ou seja, os principais problemas são:

  • Modo de produção: uso de matéria-prima não renovável e emissão de carbono.
  • Descarte: longo período para decomposição, poluindo rios e mares e causando desequilíbrio ambiental.

Como você verá a seguir, os diferentes tipos de bioplásticos trazem soluções para esses dois principais problemas.

2. O que é o bioplástico

Bioplásticos contemplam uma grande lista de materiais. Esses materiais possuem diferentes propriedades e aplicações. A associação European Bioplastics representa os interesses da indústria do bioplástico na Europa. Entretanto, diversos países pelo mundo adotam seus conceitos

Segundo essa associação, um material é classificado como Bioplástico se ele for à base de plantas ou se ele for biodegradável. Ou ainda, essas duas opções juntas.

Plástico à base de plantas

Um plástico a base de plantas é um plástico que contém biomassa em sua constituição. Ele pode ser produzido com cana-de-açúcar, milho, soja, e até algas marinhas.

Ainda não existe uma porcentagem mínima de biomassa exigida na composição para que um plástico seja considerado à base de plantas. Então mesmo que um plástico tenha 2% de sua composição à base de plantas, ele poderá ser considerado bioplástico.

Considerando que plantas são sequestradoras de carbono, elas reduzem a pegada de carbono desses bioplásticos.

Contudo, um plástico a base de plantas não é, necessariamente um plástico biodegradável.

Plástico Biodegradável

Para que um material possa ser considerado biodegradável, ele deve apresentar um período de decomposição de no máximo 18 meses. Nesse processo, o material deve se transformar em produtos atóxicos, como a água e o dióxido de carbono.

Entretanto, seu descarte deve ser feito da maneira correta. Um produto biodegradável deve ser compostado, e não enviado a aterros sanitários.

Ou seja, um material pode ser feito somente com matéria-prima de origem fóssil, mas se for biodegradável, será considerado um bioplástico.

Como seria então, um bioplástico ideal?

3. Como é um Bioplástico ideal

Juntando essas vantagens, o melhor bioplástico é aquele de fonte renovável e biodegradável ao mesmo tempo.

A European Bioplastic produziu um gráfico separando os diferentes tipos de plástico em suas categorias. Abaixo, podemos ver quais são os bioplásticos mais sustentáveis.

Bioplástico

Fonte: European Bioplastic

Até aqui já foi possível perceber que o Bioplástico está longe de ser uma solução perfeita. A indústria tem muito a evoluir para desenvolver cada vez produtos mais sustentáveis.

4. Bioplástico no Brasil

Não existem dados relacionados à produção ou venda de bioplásticos no Brasil. Contudo, o país é responsável por uma grande produção de bioplástico com origem renovável, utilizando cana-de-açúcar e etanol.

A Braskem é uma empresa que produz o plástico I’m Green no Brasil, utilizando cana-de-açúcar como base. Suas indústrias têm capacidade de produzir até 200mil toneladas de bioplástico por ano. Essa quantidade representa cerca de 10% da produção mundial de bioplástico.

Esse produto possui as mesmas propriedades do plástico convencional e é 100% reciclável.

Você pode estar se perguntando: se o plástico convencional também é reciclável, a solução não poderia ser somente reciclar?

5. Reciclagem do plástico

Na verdade, em cada processo de reciclagem o plástico perde qualidade. Ou seja, um produto de plástico, ao ser reciclado, não se transforma em outro produto igual. Ele se transforma em algo de qualidade inferior.

Além disso, o próprio processamento para reciclar esse plástico é um processo que emite carbono na atmosfera.

Portanto, mesmo que a reciclagem seja classificada como uma ação sustentável, ela também não é uma solução perfeita.

6. Outras soluções para o problema do plástico

A produção de bioplásticos ainda precisa enfrentar diversas barreiras. A principal delas é o custo. O bioplástico custa em média 3 vezes o valor do plástico convencional.

Além disso, temos uma grande indústria completamente estruturada na produção contínua de plásticos convencionais.

Com o apoio de políticas públicas e com a educação dos consumidores, a pressão para que a indústria se adapte tende a aumentar.

Enquanto isso, algumas atitudes que você pode adotar para diminuir o consumo de plástico são:

  • Levar suas próprias sacolas de pano ao supermercado;
  • Reclamar com fornecedores que utilizam embalagens de maneira exagerada;
  • Carregar seus próprios utensílios como garrafa de água, talheres e canudos para não precisar utilizar os descartáveis
  • Descartar corretamente seus resíduos para que eles sejam encaminhados para a reciclagem.

Concluindo…

O bioplástico ainda está longe de ser uma alternativa verdadeiramente eficaz contra o problema do plástico. A passos lentos a indústria vai se adaptando.

Se a sua cidade realiza a reciclagem de plástico, se responsabilize por descartá-lo corretamente. Caso contrário, o ideal é que você diminua ainda mais o consumo de embalagens plásticas.

Agora você já sabe para quais embalagens pode dar preferência: as de bioplástico de fontes renováveis e biodegradável. A responsabilidade não é só da indústria, é nossa também.

Fontes:

Pesquisa Fapesp

European Bioplastics

Os Princípios e as Vantagens de um Escritório Sustentável

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Os Princípios e as Vantagens de um Escritório Sustentável

Você já imaginou como seria trabalhar em um escritório sustentável?

Hoje, muitas pessoas passam grande parte do dia trabalhando dentro de escritórios. Além disso, passam muitos anos de suas vidas nessa situação.

As consequências de um ambiente de trabalho desconfortável podem gerar graves problemas de saúde. Muitas empresas já se conscientizaram sobre a importância de espaços bem planejados.

Um escritório sustentável é um espaço confortável para trabalhar. Ele tem boa iluminação, acústica e uma temperatura agradável. Ao mesmo tempo, ele é planejado de forma responsável com o planeta, adotando medidas de eficiência energética e responsabilidade ambiental.

Um escritório sustentável traz vantagens que vão além do bem-estar dos funcionários. Os lucros da empresa tendem a aumentar. Ao mesmo tempo, os gastos diminuem.

E é curioso que muitas pessoas tomem atitudes sustentáveis em suas casas. Porém, no ambiente de trabalho não dão tanta importância a essa questão. Pequenos incentivos são suficientes para mudar atitudes.

Neste artigo, você verá como ter um escritório sustentável é mais simples do que parece.

Vamos apresentar:

  • As principais vantagens de um escritório sustentável.
  • Como projetar um escritório sustentável em 6 passos.
  • Atitudes do dia-a-dia para um escritório sustentável.

Prepare-se para transformar sua rotina de trabalho.

1. As principais vantagens de um escritório sustentável

Mas por que, afinal, você deve investir em sustentabilidade no ambiente de trabalho. As vantagens são inúmeras, entre elas estão:

  • Economia

Sim, você pode economizar sendo sustentável. Isso porque a sustentabilidade visa a otimização energética. Além disso, ela prega o uso consciente dos recursos naturais.

Ou seja, as estratégias sustentáveis farão você economizar nas contas de água e luz.

Continue lendo este artigo para saber quais são essas estratégias.

  • Maior produtividade

Trabalhar em um ambiente agradável afeta a concentração e rendimento das pessoas. Isso irá fazer com que a empresa evolua mais rapidamente.

  • Valores

Uma empresa que adota a sustentabilidade como um valor será mais bem vista por seus clientes.

Hoje os consumidores já estão conscientes da importância da sustentabilidade. Desta forma, muitos dão preferência a empresas preocupadas com o meio ambiente.

  • Vantagens competitivas

Em alguns locais, já é possível obter redução de impostos ao adotar algumas atitudes sustentáveis. Como, por exemplo, utilizar energia de fontes renováveis.

Está convencido?

Agora, vamos ver como funciona um escritório sustentável.

2. Como projetar um escritório sustentável em 6 passos

Siga os passos abaixo para projetar um escritório sustentável. Ou ainda, para adaptar um escritório para que ele se torne mais sustentável.

1. Distribuição de luz natural

A luz natural é muito importante. Mas alguns cuidados são necessários. Em escritórios com muitas mesas de trabalho, essa luz pode ficar mal distribuída.

Em mesas muito próximas de janelas, também é preciso cuidar com o ofuscamento.

Ou seja, as janelas precisam ser projetadas com bons tamanhos. Se necessário, venezianas ou brises ajudam a controlar a entrada de luz. Para que essa luz seja bem distribuída, use cores claras dento do ambiente, principalmente no teto.

Confira na imagem abaixo algumas dicas de iluminação natural:

escritório sustentável

2. Vistas de qualidade

Ainda sobre as janelas, ofereça vistas de qualidade. Uma vista de qualidade é quando você tem uma vista agradável da sua mesa de trabalho. Geralmente ela envolve elementos naturais, paisagens bonitas, o céu e assim por diante.

A nossa mente responde bem quando há elementos naturais em seu campo de visão.

Os postos de trabalho devem ser organizados para que todos tenham vistas de qualidade. Se não for possível voltar todas as mesas para a janela, aposte em elementos naturais dentro do escritório.

3. Biofilia

Siga os princípios do design biofílico. Segundo eles, tudo o que remete à natureza tem boa influência sobre as pessoas.

Esses elementos podem ser texturas, formas e materiais. Ou ainda, a própria natureza, como plantas.

Existem algumas plantas específicas para ambientes internos. Elas melhoram a aparência do escritório e ainda purificam o ar.

4. Ventilação

Existem algumas estratégias que otimizam a ventilação natural. A vantagem é a economia no uso de ar condicionado.

Uma boa ventilação irá melhorar o conforto térmico dos trabalhadores.

Veja neste artigo quais são essas estratégias.

5. Acústica

Na maioria dos escritórios, a questão acústica é essencial. O silêncio garante concentração e foco aos trabalhadores.

A dica é apostar em elementos que absorvem ruído. Esses elementos podem ser espumas acústicas ou cadeiras estofadas, por exemplo.

6. Mobiliário

Ao escolher os móveis, escolha fornecedores responsáveis. Você pode também optar por opções de móveis de material reciclável. Ou ainda, móveis que já foram reciclados.

O melhor a fazer é adotar essas dicas no momento de projetar o escritório. Assim, é possível pensar em todos os detalhes. Na etapa de projeto, é mais fácil testar diferentes opções. E se houver alguma mudança, você não precisa quebrar uma parede.

Nessa etapa, o ideal é realizar simulações energéticas para testar as melhores soluções.

Se você quiser adaptar seu escritório, talvez precise investir em uma reforma. Contudo, as vantagens compensam o investimento.

Por fim, iremos mostrar algumas atitudes cotidianas sustentáveis. Essas atitudes você pode adotar hoje mesmo em seu escritório.

3. Atitudes do dia-a-dia para um escritório sustentável

  • Reciclar o lixo

Separar o lixo reciclável do lixo orgânico é uma atitude muito fácil de ser adotada.

Pesquise sobre como funciona a reciclagem em sua cidade. Em escritórios, é comum haver bastante papel. Para que o papel seja reciclável, o ideal é que ele não seja amassado.

Conscientize os funcionários sobre os requisitos de reciclagem de sua cidade.

  • Reuniões à distância

Algumas questões não precisam de encontros pessoais para serem resolvidas. Com reuniões online, você evita emitir os gases poluentes emitidos pelo transporte.

  • Reduzir consumo de material descartável

Incentive os funcionários a trazer uma garrafa de água.

Encaminhar o plástico para a reciclagem não garante que ele será reciclado. Por isso, antes de pensar em reciclar, é preciso pensar em reduzir o consumo.

O mesmo vale para papéis. Incentive o uso das duas faces de uma folha. Deixe papéis usados para rascunho.

  • Meios de propaganda

Se você utiliza cartões de visita, ou folhetos de propaganda, use papel reciclado. Se não for possível, certifique-se que seu fornecedor tem responsabilidade ambiental.

  • Carona solidária

Incentive seus funcionários a oferecer carona. Ao compartilhar a locomoção, estará economizando combustível e dinheiro.

Um escritório sustentável…

Traz inúmeras vantagens para a empresa e para os funcionários. Invista em um bom projeto sustentável e realize simulações energéticas. É importante pensar na iluminação, ventilação e acústica para garantir conforto.

O design biofílico é um grande aliado para tornar o ambiente de trabalho mais agradável. Preste atenção na escolha de plantas. Elas devem ser adaptadas para ambiente internos.

Por fim, incentive os funcionários a tomarem atitudes sustentáveis no dia a dia. Você pode estar os influenciando para tomar as mesmas atitudes em suas casas. Escritórios sustentáveis são o futuro das empresas.

Os 3 passos para uma construção autossuficiente

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Os 3 passos para uma construção autossuficiente

Você sabe o que é uma construção autossuficiente?

Já pensou não precisar comprar alimentos no mercado? E nem pagar contas de água ou energia?

Antigamente isso era bastante normal. Antes do surgimento das cidades, cada residência era responsável por seu sustento. A única saída era ser autossuficiente.

Com o surgimento das cidades, várias pessoas passaram a compartilhar do mesmo espaço. Ao mesmo tempo, o fornecimento de água, alimento e energia foi setorizado.

Hoje nós dependemos da infraestrutura da cidade. É a cidade que providencia energia e água para nossas casas.

Porém, em busca de ter maior independência, muitas pessoas estão buscando construir casas autossuficientes.

1. O que é uma casa autossuficiente

Ser autossuficiente significa não depender de nada externo.

Imagine uma casa normal. Ela precisa ser alimentada com insumos que vem de fora para que você viva nela. A água e a energia geralmente são fornecidas pela prefeitura. Já os alimentos, você traz do mercado ou da feira.

Ao mesmo tempo, você devolve tudo para a cidade em forma de resíduo. Como o lixo e o esgoto. Essa cadeia não é sustentável.

A consequência é escassez de água potável e combustíveis fósseis no mundo inteiro. Esses recursos estão se esgotando em um ritmo muito acelerado. E as cidades têm uma grande parcela dessa responsabilidade.

Casas autossustentáveis utilizam a água de chuva, o sol, os ventos e as plantas de maneira inteligente. A questão não é o estilo construtivo. Mas sim, uma arquitetura pensada para coletar todos os recursos disponíveis.

Assim, é possível depender menos do da infraestrutura da cidade. Por consequência, você ainda economiza dinheiro.

É muito difícil ter uma casa completamente autossustentável. Mas elas existem, você verá um exemplo no final deste artigo.

Fique tranquilo, existem alternativas para tornar a sua casa mais autossuficiente. Mesmo que ela já esteja construída.

A seguir você aprenderá algumas estratégias para aplicar na sua casa.

São três aspectos pelos quais uma casa pode ser autossuficiente: energia, água e alimentos.

2. Autossuficiência de energia

Existem casas capazes de produzir toda a energia que consomem. Também existem casas que produzem mais do que consomem. Nesse último caso, algumas conseguem vender esse excedente para a cidade.

Se você quer ter uma casa autossuficiente de energia, precisa observar alguns itens:

  • Recursos disponíveis em sua região

Analisar a insolação e os ventos do lugar onde você mora é o primeiro passo.

  • Equipamentos e serviços acessíveis

As tecnologias para gerar energia de fontes renováveis ainda são novas. Principalmente em pequenas escalas, como para uma casa.

Por esse motivo, pode ser que na sua cidade não haja fornecedores dos equipamentos necessários. Ou mesmo mão de obra especializada.

É importante verificar o que há disponível em sua região.

Exitem três principais maneiras principais de gerar energia em uma casa ou edifício.

  • Energia Solar

Essa é maneira mais comum de captar energia em residências. São instaladas placas solares na cobertura da casa.

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Exemplo de telhado com placas solares. (Fonte: g1.globo.com)

Antes de fazer a instalação das placas, é importante observar a carta solar da cidade. A carta solar irá mostrar qual a direção que recebe mais insolação.

O sol esquenta essas placas. E esse calor, então, é transformado em energia.

Você pode utilizar placas solares para gerar energia, ou somente para aquecer a água.

  • Energia eólica

Hoje já existem geradores de energia eólica em pequena escala.

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Gerador de energia eólico em condomínio de Florianópolis, SC (Fonte: revista.zapimoveis.com.br)

Para que esses geradores forneçam energia, suas turbinas precisam se movimentar. Em locais de ventos muito intensos, o movimento das turbinas pode causar ruído.

Por isso, é necessário ficar atendo ao local de instalação dessas usinas.

  • Biogás

O biogás é produzido a partir da decomposição de matéria orgânica. Esse gás pode ser transformado em energia elétrica.

Exatamente, você pode transformar o seu lixo orgânico em energia.

autossuficiente

Biodigestor em escala residencial. (Fonte: biomassabioenergia.com.br)

Os biodigestores são mais eficientes quando utilizados em comunidade. Assim, obtém-se mais eficiência para gerar boas quantidades de energia elétrica.

É incrível perceber como temos os recursos necessários para gerar energia para nossa casa, não é?

O próximo recurso abundante que podemos aproveitar é a água da chuva.

3. Autossuficiência de água

Um sistema de captação de água da chuva pode ser responsável por grandes economias de água. A autossuficiência vai depender muito do regime de chuvas da sua região, mas também é possível.

Para recolher a água da chuva, é necessário encaminhar a água que cai no telhado para uma cisterna.

A partir da cisterna, há duas opções:

  • Utilizar a água da chuva para jardim, limpeza e descargas.
  • Tratar e transformar em água potável para todas as funções da casa.

Por mais que possa parecer, a água da chuva não é potável. E principalmente depois de cair no telhado, ela fica bastante suja.

Portanto, se a intenção for utilizar a água da chuva na casa inteira, ela precisa ser tratada primeiro.

A instalação desses sistemas possa ter um custo inicial alto. Mas a longo prazo, a economia de água e energia compensam.

Além disso, você estará consciente que consome recursos de fontes renováveis.

O próximo item é o mais difícil de alcançar autossuficiência. Principalmente se você mora em uma zona urbana.

4. Autossuficiência de alimento

O cultivo de alimentos exige bastante trabalho. É necessário dispor de bastante terra para que se consiga uma variedade de culturas. Por isso, é muito difícil que alguém produza todos os alimentos que consome.

Mas esse aspecto pode englobar uma região maior. Se pensarmos como cidade e comunidade, a logística fica mais fácil. Uma cidade autossustentável é também aquela que produz sua própria energia e alimento.

Hoje já existem vilas autossustentáveis. Nessas pequenas comunidades, as pessoas compartilham entre si suas produções.

5. Exemplo de comunidade autossustentável.

Michael Reynolds é um arquiteto que constrói residências autossustentáveis. Ele ficou famoso por promover comunidades autossustentáveis no mundo inteiro.

O documentário “Garbage Warrior” conta sua trajetória. Ele desafiou as autoridades com seus projetos. O arquiteto construiu casas que não necessitavam de fornecimento de energia ou água.

Um exemplo é a casa “Nave Terra”, construída na Argentina.

Nave Terra, construção autossustentável de Michael Reynolds. (Fonte: Archdaily)

Essa residência foi construída com materiais recicláveis, como pneus, latas e garrafas plásticas e de vidro.

A massa térmica da casa permite que ela mantenha uma temperatura agradável. Durante todo o ano, a casa oscila entre 18º e 22º C.

A construção também possui:

  • Coleta, filtragem e limpeza da água da chuva
  • Produção de frutas e verduras;
  • Abastecimento com energia eólica e solar.

Ou seja, ela possui todos os princípios de uma casa autossustentável.

Concluindo…

Pelo exemplo acima percebe-se que casas autossustentáveis são possíveis. Você precisa de um bom planejamento de acordo com o clima de sua região.

Também é possível transformar uma construção existente para que ela se torne mais autossustentável. Adotando algumas técnicas desse artigo você depende menos de recursos externos. Além de ser uma opção mais sustentável, você irá economizar dinheiro.

Biofilia: como aplicar o design biofílico em sua casa e em seus projetos

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Biofilia: como aplicar o design biofílico em sua casa e em seus projetos

O termo biofilia é bastante recente. Ele surgiu em torno de 1964, quando o psicanalista alemão Erich Fromm percebeu a atração do ser humano por tudo o que é vivo.

Desde então, a biofilia foi se tornando tendência. Hoje ela é estudada dentro de diversas áreas. Uma delas é o design de interiores.

Dentro da arquitetura e do design de interiores, ela é chamada de design biofílico.

Se biofilia é contato com a natureza, o que seria então o design biofílico?

O que é biofilia e design biofílico

A evolução tecnológica é muito recente na história da evolução humana. Isso significa que nosso organismo evoluiu de forma a responder a estímulos naturais.

Acordamos com a luz do sol e à noite temos sono. Alguns sons nos tranquilizam, como o da água.

Biofilia é a sinergia do homem com o meio natural. É percepção de que estamos ligados à natureza e que ela nos faz bem.

Diversos estudos já comprovaram os benefícios da presença da natureza em nosso cotidiano. Hoje, a maioria das pessoas passa grande parte do dia em ambientes fechados. Portanto, a ideia do design biofílico é trazer natureza para dentro dos ambientes.

O design biofílico pode ser bastante complexo. Ele vai muito além de ter plantas dentro de casa, ou uma vista para a floresta.

Luz do sol, ventilação, formas orgânicas, texturas, existem inúmeras maneiras de inserir esses itens na arquitetura. Contudo, tudo deve ser planejado com cautela para promover vantagens reais.

Neste artigo, listamos todos os elementos da biofilia na arquitetura. Além disso, as principais vantagens de investir no design biofílico em sua casa ou em seus projetos.

Leia até o fim e comece hoje mesmo a transformar os ambientes ao seu redor.

Quais as vantagens da Biofilia

Porque a biofilia se tornou uma tendência tão grande?

Com certeza isso se deve às inúmeras vantagens que ela proporciona. A biofilia melhora nossa saúde, produtividade e aumenta o lucro de estabelecimentos comerciais.

Confira as principais vantagens da biofilia para cada ambiente:

Em hospitais:

  • Acelera a recuperação de pacientes
  • Funcionários trabalham mais satisfeitos
  • Melhora a imagem pública do hospital

Em escolas:

  • Ajuda na concentração dos alunos
  • Melhorias cognitivas
  • Incentiva a curiosidade e observação

Em escritórios

  • Melhora o rendimento dos trabalhadores
  • Maior lucratividade para empresas

Em lojas ou supermercados:

  • Valoriza os produtos
  • Atrai clientes

Em residências:

  • Melhora o humor dos habitantes
  • Previne ansiedade

Isso demonstra como o design biofílico é uma ferramenta eficiente em qualquer ambiente.

Inserir a biofilia nos espaços não é muito simples. Listamos abaixo os 6 elementos que abrangem esse conceito.

Os 6 aspectos da Biofilia

1. Elementos ambientais:

Os elementos base da natureza são percebidos e interpretados facilmente pelo ser humano.

As cores sempre foram um aspecto importante para a nossa sobrevivência. A biofilia ressalta cores mais comuns na natureza, como tons terrosos, verde e marrom.

A água pode ser inserida nos espaços através do paisagismo com espelhos d’água. Na água, já seria possível colocar mais um elemento natural: animais. Aquários com peixes fazem parte de um design biofílico.

O ar pode ser valorizado em ambientes através da ventilação cruzada. Um sistema de ventilação natural garante um ar com qualidade superior. Portanto, é mais benéfico que o ar condicionado.

Plantas são fonte de alimento, forragem, podem transmitir segurança e proteção.

Janelas com vistas de qualidade nos permitem acompanhar o clima e ter uma noção do horário do dia. Além disso, podem ser o acesso visual a outros elementos biofílicos, como plantas, água e o próprio céu.

O fogo é outro elemento natural, ele denota cor, movimento e aconchego.

2. Formas Naturais

As formas da natureza podem ser representações naturais ou simulações. Essas formas podem ser:

  • Padrões botânicos
  • Ornamentos
  • Biomimética
  • Formais ovais
  • Tubulares
  • Arcos e abobadas.

Essas formas podem se adaptar ao clima e à vegetação de cada lugar, como nas imagens abaixo:

Biofilia

Biofilia

Biofilia

3. Padrões e processos naturais

Esse item remete às diferentes sensações que a natureza nos proporciona. Essa variabilidade sensorial pode ser representada por sons, cheiros, texturas e experiências.

Em ambientes amplos, a riqueza de informações pode encorajar as pessoas a explorarem o local. Por outro lado, espaços delimitados e menores passam a sensação de segurança. Na biofilia, os padrões e formas podem ser planejados para facilitar a leitura dos espaços.

Outro fator é a idade e denotação do tempo. Elementos que contam histórias através da aparência valorizam a cultura local.

De mesma maneira, elementos naturais que crescem e se transformam com o tempo geram um sentimento de prazer e satisfação.

4. Luz e espaço

Aqui, damos atenção à relação do ser humano com a passagem de luz durante o dia e também durante as estações. A presença ou ausência de luz causa diferentes estímulos no corpo humano.

Um ambiente de trabalho bem iluminado irá colaborar na produtividade dos trabalhadores. Por outro lado, nos sentimos mais confortáveis em um ambiente com pouca luz quando queremos relaxar.

Ao realizar projetos de iluminação, devemos ficar atentos à quantidade de Lúmens (medida de fluxo luminoso). Cada ambiente e atividade possui uma intensidade luminosa ideal necessárias. Essas quantidades estão especificadas pela norma NBR15575.

Quando se tem a intenção de valorizar a iluminação natural, é necessário tomar cuidado com o ofuscamento. O ideal é buscar um equilíbrio entre distribuição e quantidade de luz. Cortinas e persianas podem ajudar nesse sentido.

Para distribuir melhor a luz no interior, utiliza-se cores claras e materiais com alta refletância.

5. Relação de cultura e local

As relações afetivas também são consideradas na biofilia. Através da familiaridade, gera-se o sentimento de pertencimento e cuidado.

Essa sensação pode ser destacada pela geografia, através da enfatização da vegetação local. É possível destacar essa vegetação com vistas, jardins e paisagismo. Ou até na forma das construções inspirada nas formas da vegetação.

Outra maneira de valorizar esse aspecto é utilizar mão-de-obra local nas construções. Ou também, matérias-primas da região ou de regiões próximas.

A conexão histórica e cultural pode ser feita através da preservação do patrimônio local. Ou também, pela valorização do caráter nas novas construções. Evita-se assim edifícios muito padronizados e sem identidade.

6. Relações humanas com a natureza

O último aspecto traz a biofilia justamente como a nossa relação com a natureza.

Você já parou para reparar os sentimentos que a natureza transmite?

Por exemplo, ao ver uma cachoeira muito grande, você já sentiu medo? Alguns elementos naturais imponentes como esse causam sentimento de reverência e respeito.

A busca pela beleza e atração nos espaços sempre foi natural do ser humano. Locais bonitos estimulam nossa curiosidade e imaginação. Ao passo que locais que demonstram a engenhosidade humana geram confiança e auto estima.

Espaços fechados e cobertos transmitem segurança, acolhimento. Já lugares muito complexos, com excessos de cores e formas podem causar confusão.

Você conseguiu relacionar algum desses sentimentos com suas vivências?

Um projeto com biofilia

Se você pretende aplicar a biofilia em sua casa, preste atenção nos sentimentos que você deseja gerar. Com um propósito definido, é mais fácil definir quais aspectos serão mais importantes.

Da mesma maneira, é essencial que arquitetos e designers passem a aplicar os conceitos do design biofílico em seus projetos. O conhecimento existe e sua eficácia é comprovada.

A biofilia é uma forma de criar espaços que respeitam as pessoas. Ela revoluciona a nossa relação com o ambiente construído.

Os elementos listados nesse artigo garantem vantagens econômicas, sociais e ambientais. Desta forma, percebe-se que a biofilia é também uma grande aliada da sustentabilidade.

Fontes:
Stephen R. Kellert, Judith Herrwagen, Martin Mador – The Theory, Science and Practie of Biophilic Design
Stephen R. Kellert, Elizabeth F. Calabrese – The Practice os Biophilic Design
Timothy Beatley – Biophilic Cities
Timothy Beatley – The Handbook of Biophilic City Planning and Design
Jana Soderlund – The Emergence of Biophilic Design