Brise Soleil e a Arquitetura Bioclimática

A Utilização do Brise Soleil na Arquitetura Bioclimática

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No universo construtivo existem diversos elementos arquitetônicos que, quando bem utilizados, podem tornar ambientes muito mais saudáveis através de estratégias bioclimáticas. Um deles é com certeza o brise soleil.

Mas como utilizá-lo?

Leia o artigo para aprender. Mas antes…

O que é um brise soleil?

Brise é elemento arquitetônico cujo nome é derivado do termo brise-soleil, termo francês que significa quebra-sol.

Foi criado com o intuito de filtrar os raios solares através de suas placas, solução encontrada para garantir a permeabilidade da luz natural sem que o os ambientes fiquem totalmente expostos ao sol.

Credita-se ao arquiteto Le Corbusier a sistematização do elemento, normalmente definido pela disposição de lâminas.

Na constituição do brise soleil, pode-se distribuir lâminas horizontais ou verticais. Podem ser fixas ou móveis, variando de acordo com a necessidade.

Brise Soleil e arquitetura sustentável

O brise é um recurso muito utilizado em táticas que buscam maior aproveitamento lumínico, filtrando ou até mesmo mascarando a luz natural.

Caracteriza-se este elemento como um agente de controle solar externo. Sendo também de suma importância na composição de fachadas ventiladas.

Quando aplicado corretamente, pode contribuir com o conforto térmico, permitindo a passagem do ar diminuindo a carga térmica do ambiente.

Logo, este elemento em seu projeto reduz gastos energéticos gerando eficiência na edificação.

O brise soleil é um recurso bastante utilizado em estratégias bioclimáticas. Confere distribuição luminosa, filtrando a penetração dos raios solares de acordo com a orientação em que é empregado.

Equilibra a distribuição de luminâncias no ambiente interno, controlando o ofuscamento causado pela iluminância excessiva dos raios solares.

Garantir um bom desempenho térmico e lumínico contribui bastante na aquisição da certificação LEED, sendo assim o brise soleil torna-se um ótimo aliado.

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Como posso utilizar o brise soleil?

Popularizado pelo modernismo, foi empregado em diversas obras de grandes nomes da arquitetura moderna como Le Corbusier e Oscar Niemeyer.

Foi muito utilizado de forma fixa na própria fachada como no edifício Copan e no Palácio Capanema, obras em que Niemeyer pôde caracterizar a aparência da edificação por meio dos brises.

Para utiliza-lo de forma correta é necessário conhecer alguns princípios da geometria solar. Pois sua eficácia é adequada em resposta ao posicionamento e ângulo do sol.

O elemento se torna melhor empregado quando instalado no lado externo da fachada, pois garante o devido controle antes do contato com aberturas e paredes. Garantindo uma maior eficiência termodinâmica.

Qual o melhor brise? Vertical ou Horizontal?

Pensando na geometria solar, entendemos que o posicionamento do sol é diferente ao decorrer das horas e muda conforme as estações.

Portanto, é necessário compreender de que forma a radiação permeia pelas aberturas do edifício.

Para facilitar o entendimento, existem alguns estudos que recomendam o posicionamento dos brises de acordo como a orientação solar, sendo eles:

Verticais, em fachadas e aberturas que recebem os raios solares de forma ascendente e poente. Este tipo de insolação advém das orientação leste e oeste.

Horizontais, em fachadas e aberturas que recebem os raios solares em posição mais a pino, fenômeno que ocorre em boa parte do dia, sendo mais recomendado na orientação Norte.

Para fachadas e aberturas com orientação sul geralmente não é necessário a aplicação de brises soleil para fins de controle solar, pois recebem pouca insolação. Já em regiões próximas ao equador esta é  uma estratégia que pode ser considerada, já que existe incidência de sol em algumas horas no verão.

A forma ideal para definir o tipo de brise soleil que deve-se empregar é, através da técnica de mascaramento. Através dela é possível compreender a incidência solar do ponto em que se pretende trabalhar, podendo assim combinar as tipologias e criar modelos mistos.

Exemplos

Os brises podem ser móveis ou fixos, dispostos em diversos planos de forma horizontal, vertical ou mista. São muito requisitados os modelos móveis, pela facilidade em se adequar às necessidades ajustando as lâminas de forma conveniente.

São diversos materiais e formatos, podendo utilizar como exemplo a madeira, o aço e o bambu.

Existem brises que são compostos por tramas de diversas fibras, fixados em uma armação que garanta sua forma de placa ou lâmina.

Ganha-se notoriedade vários edifícios que aplicaram brises na composição de suas fachadas, denotando também um apelo estético pelo elemento.

Sua empregabilidade garante plasticidade e textura, podendo trabalhá-lo com criatividade.

A relação com o clima

O brise soleil é um ótimo aliado de regiões com climas quentes, onde a insolação é intensa durante grande parte do ano.

Através do sombreamento, garante uma maior eficiência termodinâmica do ambiente, mantendo-o mais ameno e ventilado, contribuindo para a regulação térmica sem elevar o consumo de energia.

Logo, estes preciosos elementos da composição arquitetônica não são só para regiões ensolaradas. Mesmo em climas frios, são utilizados para filtrar a permeabilidade visual, garantindo a privacidade dos ocupantes da edificação.

Conclusão

Fazer uso de brises claramente não proporciona só personalidade em seu projeto, mas garante também uma melhor eficiência energética.

São poderosos agentes bioclimáticos e portanto, conferem de forma inteligente respostas às necessidades, trabalhando recursos naturais e gratuitos como a luz solar e a ventilação para garantir qualidade ao ambiente interno.

Elementos como este, destacam as vantagens de adotar premissas projetuais que possam contribuir com um ambiente autossustentável.

Acima de tudo, podemos considerar que o brise é um elemento fundamental em edifícios que sofrem com muita insolação. Coloca em prática agentes primordiais ao conforto ambiental e ao bem-estar humano.

 

brise soleil

Referências

Araújo, M. R.; Gonçalves, V.; Cabús, R. ANÁLISE DA LUZ NATURAL A PARTIR DE ELEMENTOS VAZADOS. IX Encontro Nacional e V Latino Americano de Conforto no Ambiente Construído, Ouro Preto, p. 96-102. 2007.

Brises: Conheça os principais modelos disponíveis no mercado. CONAZ. disponível em: <https://www.conazsolucoes.com.br> acesso em 30 de maio de 2018.

Marçal, V. G.; Soares, G. B. N.; Souza, H. A. ANÁLISE DE ELEMENTOS ARQUITETÔNICOS XII Encontro Nacional e VIII Latino Americano de Conforto no Ambiente Construído, Brasília, p. 02-10. 2013.

Sorgato, M.J. DESEMPENHO TÉRMICO DE EDIFICAÇÕES RESIDENCIAIS E UNIFAMILIARES VENTILADAS NATURALMENTE. Florianópolis, 2009.

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Estratégias Fundamentais do Conforto Térmico

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Cada vez mais arquitetos buscam relacionar espaço e meio ambiente, na procura de atender exigências técnicas e proporcionar qualidade de vida para os ocupantes de uma edificação.

É neste contexto que entra o conforto térmico, onde o bem estar é proporcionado pelo equilíbrio humano em relação as interpéries.

Mas como compreender este fenômeno e utilizar os conceitos de forma assertiva em nossos espaços?

É o que você aprenderá neste artigo.

Mas primeiro, precisamos compreender…

A Relação do Conforto Térmico e Nosso Organismo

É importante dizer que o conforto térmico é um estado. Um organismo está termicamente confortável quando está em estado de equilíbrio com o meio que o envolve.

Caso a temperatura não esteja adequada, o corpo apela para à termorregulação para estabilizar a temperatura corporal.

Portanto, um indivíduo experimenta a sensação de conforto térmico quando seu corpo não necessita recorrer a nenhum mecanismo de termorregulação.

Assegurar o conforto térmico em nossos ambientes seria fácil caso fossemos todos iguais…mas como você sabe, não somos.

Possuímos metabolismos diferentes, utilizamos roupas variadas e até mesmo passamos por estados mentais distintos durante horas do dia. Por estes motivos o conforto térmico não pode ser definido com exatidão, sendo necessário o encontro de um denominador comum.

Conforto x Performance Humana

Falando de forma mais prática, qualquer um que tenha tentado trabalhar quando está muito quente ou frio sabe o quanto o conforto térmico afeta nossa produtividade.

Estudos importantes, como o da REHVA Scientific, demonstram que, quanto maior o nível de desconforto em nossos ambientes, menos iremos produzir.

Já parou para pensar que existem empresas que podem estar sendo afetadas em 30% da sua produtividade em determinados dias do ano?

Por desconhecer os malefícios que temperaturas inadequadas podem infringir aos seus funcionários muitas empresas jogam dinheiro no lixo diariamente.

É justamente aqui que encontra-se uma grande oportunidade de atuação para arquitetos ou consultores: na elaboração de projetos de maior conforto térmico, garantindo um bem estar dos ocupantes de edificações.

Mas como atuar?

Estratégias Arquitetônicas

Para proporcionar conforto térmico em uma edificação é necessário fazer uso dos estudos da geometria solar, do fluxo dos ventos e dos dados climáticos da região.

Adequar a arquitetura e seus elementos de acordo com os estudos aplicados, estabelecer posicionamento dos ambientes, elementos de fachadas, e matérias que permitem a troca gasosa e térmica dos ambientes são algumas das estratégias.

Dentre os elementos que podemos utilizar, existem alguns bem conhecidos pela arquitetura brasileira como os brises, cobogós e venezianas.

Outros ótimos materiais para se trabalhar são o tijolo de adobe e a madeira, ou mesmo a adoção de técnicas bioarquitetônicas, como a Taipa de Pilão.

A ASHRAE 55 – Conforto Térmico Ambiental para Ocupação Humana

Para obtermos um critério de Conforto Térmico em edificações existem algumas normas que foram desenvolvidas. A mais famosa é a ASHRAE 55, definida pela Sociedade Americana de Engenheiros de Aquecimento, Refrigeração e Ar Condicionado (ASHRAE).

A primeira publicação ocorreu em 1966, delineando condições aceitáveis de conforto térmico em ambientes internos. É atualizada de tempos em tempos, e a última atualização ocorreu em 2017.

Como é o critério de análise?

O PMV (Voto Médio Estimado)

Para o desenvolvimento de uma simulação de conforto térmico, a norma determina o uso do PMV (Predicted Mean Vote, ou Voto Médio Estimado).

Considera-se o valor médio de um grupo de pessoas em um determinado ambiente para a determinação do fator de conforto térmico, levando em consideração uma escala de 7 sensações térmicas. Ela vai de -3 a +3, sendo:

O objetivo de uma simulação de conforto é manter os ambientes internos dentro do nível de conforto entre -0.5 e +0.5.

Isso quer dizer que a sensação térmica não pode ultrapassar “metade” da sensação de “ligeiramente frio” ou “ligeiramente calor” para aproximadamente 9% dos ocupantes da edificação em 98% dos horários em que esta estiver ocupada.

O gráfico abaixo ilustra esta situação, sendo o azul o parâmetro de conforto.

Critérios de Análise

Quais critérios são levados em conta em uma simulação de conforto térmico? Entre eles estão:

  • Temperatura de bulbo seco
  • Temperatura radiante média
  • Umidade relativa
  • Velocidade do ar
  • Valor da roupa de cada pessoa
  • Taxa metabólica de cada pessoa

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Os primeiros parâmetros são determinados pelo software de simulação — como por exemplo o EnergyPlus — utilizando os arquivos climáticos de uma região.

Já o valor da roupa é calculado dinamicamente, utilizando a fórmula da ASHRAE baseada na temperatura do ar externo às 6h em todos os dias do ano, conforme vemos abaixo.

Projetos Mais Consistentes pelo Conforto Térmico

Empregar diretrizes de conforto térmico pode contribuir muito para a saúde dos indivíduos e a salubridade dos ambientes.

Sob a ótica da saúde, um ambiente termicamente confortável previne doenças respiratórias, dermatológicas e cognitivas.

Através dos recursos arquitetônicos utilizados para a termorregulação do ambiente pode-se obter uma maior qualidade do ar e temperaturas que evitam na proliferação de fungos.

Vários estudos comprovam a importância de um ambiente termicamente confortável para o desempenho cognitivo, contribuindo para a aprendizagem em ambientes escolares e produção em ambientes profissionais. É também muito importante no ambiente hospitalar, solidarizando no quadro de melhora dos pacientes internados.

O conforto térmico é uma atribuição incrível para um projeto, pois pode ser proporcionado por meio da radiação solar e das correntes de ar, que são fontes gratuitas, naturais e renováveis. Comprova o compromisso dos arquitetos com projetos eficientes, garantindo satisfação e bem estar a seus clientes.

Você está disposto a começar?

Referências

Batiz, E. C.; Goedert, J.; Morsch, J. J.; Kasmirski-Jr, P.; Venske, R. AVALIAÇÃO DO CONFORTO TÉRMICO NO APRENDIZADO: Estudo de Caso Sobre Influência na Atenção e Memória. Produção, v. 19, n. 3, set./dez. 2009, p. 477-488

Frota, A. B.; Schiffer, S. R. MANUAL DO CONFORTO TÉRMICO. São Paulo: Ed.Studio Nobel, 2003.
Sorgato, M.J. DESEMPENHO TÉRMICO DE EDIFICAÇÕES RESIDENCIAIS E UNIFAMILIARES VENTILADAS NATURALMENTE. Florianópolis, 2009.

www.ashrae.org/technical-resources/bookstore/standard-55-thermal-environmental-conditions-for-human-occupancy

O Que É Cobogó e Sua Importância Em Construções Sustentáveis

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O Cobogó e Sua Importância em Construções Sustentáveis

No mundo da arquitetura existem diversos elementos construtivos que, quando bem utilizados, podem tornar ambientes muito mais belos, confortáveis e funcionais. Um deles é certamente o Cobogó.

Mas o que é um cobogó e o que é possível ser feito com ele?

Leia o artigo para aprender. Mas antes…

Os Cobogós na História

O Cobogó é um elemento construtivo brasileiro, criado na década de 1920. Seu nome é batizado com as primeiras sílabas dos sobrenomes de seus criadores, Amadeu Oliveira Coimbra, Ernest August Boeckmann e Antônio de Góis.

Foi criado em Recife, com o intuito de manter a ventilação natural através dos planos de parede – uma solução encontrada para auxiliar na termo regulação dos ambientes perante o calor Nordestino.

Em alguns lugares do Nordeste Brasileiro o nome cobogó sofreu variações interessantes. Alguns exemplos são comogócomogol, comungó, combobó e combogó.

Sua criação baseou-se nos Muxarabis, elementos arquitetônicos oriundos da arquitetura árabe, que permitem a ventilação e preservam a privacidade familiar.

Constitui-se em um elemento vazado, criado primeiramente em concreto e que teve sua difusão em diversos materiais como cerâmica, cimento, vidro, acrílico, PVC, resina e madeira.

cobogo

Porque o cobogó é importante

Usar cobogós é um recurso muito utilizado em estratégias que conferem maior eficiência bioclimática. A função principal é dividir ambientes e permitirem a entrada da luz natural e ventilação. A beleza do elemento é inegável nas áreas externas.

Seu uso proporciona a racionalização da construção, elencando ventilação, iluminação e controle solar como agentes de qualidade e conforto ambiental.

Empregando-o de forma adequada nos ambientes, eleva o índice de qualidade do ar através da troca constante. É recomendável para criar ambientes salubres e reduz gastos energéticos, com redução no uso da climatização artificial.

Quanto à iluminação, o uso de cobogós torna-se um ótimo dispositivo, protegendo a edificação contra a incidência direta dos raios solares, os direcionando e redistribuindo pelo ambiente.

A escolha deste elemento contribui com a uniformidade luminosa de acordo com a orientação solar em que é empregada, equilibrando a distribuição de luminâncias em superfícies internas.

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Como utilizar um Cobogó?

Um cobogó pode ser utilizado em praticamente qualquer tipo de construção, seja residencial, comercial e até mesmo industrial.

Popularizado pelo modernismo nas décadas de 1950 e 1960, foi empregado em várias obras de grandes nomes da arquitetura moderna como o arquiteto Lúcio Costa. Inicialmente utilizados na composição de divisões internas e posteriormente na composição de fachadas ventiladas.

Existem diversas formas criativas para se utilizar um cobogó. O mais usual é na divisão de ambientes externos e internos, mas outras possibilidades podem ser utilizadas. A separação de ambientes internos é uma destas formas, ou mesmo a divisão entre mesmos ambientes, gerando áreas mais íntimas por meio do bloqueio visual.

O custo de uma peça de cobogó é bastante variável. Podemos encontrar modelos mais simples de até R$1,50 no valor unitário chegando até R$90,00 nos modelos com um design diferenciado e maior qualidade de acabamento. Os tamanhos também variam, partindo as 19x19cm chegando até 40x40cm.

Em relação ao acabamento, podemos encontrar desde modelos rústicos em cerâmica crua, até peças esmaltadas ou acetinadas. Destaque para os Ecoblocos, que podem ser encontrados na faixa de R$17 e que possuem em seu processo de fabricação menos emissões. Para saber mais sobre o processo de fabricação ecológica de blocos ecológicos, leia este artigo.

É necessário um cálculo minucioso quando aplicado em planos com altura superior a 3 metros. Uma parede de cobogó não deve substituir qualquer parede de alvenaria, pois não é indicado em caso de grandes cargas de compressão.

Normas Técnicas Relacionadas à Cobogós

  • NBR 05712, que trata de blocos vazados modulares de concreto.
  • NBR 07173, que orienta no uso de blocos de concreto simples sem função estrutural.
  • NBR 07184, que fornece parâmetros para determinar a resistência e compressão.

O sucesso do cobogó também depende da orientação solar e das correntes de ar. Para orientar o desempenho térmico e a iluminância dos ambientes, contamos com as normas:

  • NBR 15220, que fornece instruções para análises térmicas em fachadas ventiladas
  • NBR 8995, que informa níveis mínimos de iluminação de acordo com a atividade e função do ambiente.

Grandes Exemplos de Cobogó

Casa Cobogó, por Márcio Kogan

casa cobogo

 

Residência Los Algarrobos / MasFernandez Arquitectos + Claudio Tapia

cobogó

Em meio aos cheios e vazios, entre paginação e composição, uma parede de cobogós concebe formas e gera plasticidade. Além da diversidade dos materiais é imensa a variedade de cores e formas, sendo possível brincar com a criatividade empregando personalidade em seu projeto.

Biblioteca Nacional de Brasília (BNB), por Oscar Niemeyer:

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A Relação do Cobogó com o Clima

Como cobogós são elementos de controle solar, age filtrando a incidência da radiação e correntes de ar. Entendendo isso, deve-se atentar para a região e o clima onde se pretende trabalhar com esses elementos.

Pode ser utilizado como uma excelente estratégia bioclimática para regiões com climas equatoriais, tropicais e subtropicais. É muito útil na resolução de problemas termo-higroscópicos.

Em climas frios, onde se admite a insolação, ou secos, onde a qualidade do ar é imprópria, não se recomenda a aplicação em fachadas, pois considerando os condicionantes, o cobogó pode tornar-se um adversário.

Deve-se tomar cuidado com a aplicação de cobogós de formas duvidosas e principalmente cobogós em vidro. Apesar de parecerem interessantes à primeira vista, podem não cumprir seu papel de gerar ventilação e ao mesmo tempo sombreamento. Logo, pode gerar mais iluminação do que o necessário, comprometendo o conforto lumínico e até mesmo térmico da edificação.

Alguns Usos Para o Cobogó

Os cobogós podem ser utilizados para praticamente qualquer tipo de superfície. Porém, estas são as aplicações mais comuns:

  • Fachadas: É o modo de uso mais tradicional. Se implementado da forma certa, é obtido o misto de ventilação natural e iluminação no ambiente.
  • Hall de Entrada em Casas ou Escritórios: permite transparência e uma boa transição visual do ambiente público para o privado.
  • Muros: é aplicável em perímetros menos extensos em regiões mais tranquilas, gerando um visual diferenciado.
  • Banheiros: geralmente aplicável em box de banheiros. Porém, deve se tomar cuidado para não ocasionar vazamentos para o piso do banheiro.
  • Cozinhas: geralmente utilizadas em bancadas ou transições entre espaços.
  • Quartos: permite a transição entre uma áreas mais íntimas. Abaixo um exemplo aplicado pela arquiteta Flávia Kloss de Curitiba:

Cuidados Com o Cobogó

Projetar com cobogós requerem cuidados bastante especiais. Veja alguns abaixo:

  • Certos modelos de cobogó podem acumular poeira e até mesmo mofo. Portanto, realize limpezas periódicas tanto internamente quanto na parte externa.
  • Em climas frios, o cuidado com o uso do elemento deve ser maior. É provável que o elemento não obtenha o resultado esperado nestes climas.
  • Como os cobogós reduzem a luminosidade, o posicionamento correto é crucial. Em alguns casos podemos optar por vazios maiores, mantendo o conceito e aumentando a taxa de iluminação.
  • No caso do uso de cobogós para proteger equipamentos, é necessário deixar espaços para o acesso a manutenção.
  • No caso de uma reutilização, é necessário a remoção com extremo cuidado. Muitas peças são frágeis e podem sofrer ruptura quando desconectadas da argamassa.

Cobogó: Um Triunfo da Arquitetura Sustentável

Entendemos que o cobogó é um grande triunfo das edificações sustentáveis e da arquitetura brasileira. É um ótimo aliado nas regiões quentes com presença de umidade e fortalece inclusive o design de interiores.

Compreendemos que quando bem empregado, torna-se um avanço nas estratégias bioclimáticas. Sua participação em um projeto é a prova do uso racional nas tecnologias construtivas.

Emprega beleza, plasticidade e controle de recursos naturais, distribuindo luz do sol e permitindo a circulação do ar.

Sua competência é comprovada por grandes nomes da arquitetura, capaz de garantir sucesso na qualidade espacial e no conforto ambiental. É um fenômeno arquitetônico tipicamente brasileiro.

Referências

Araújo, M. R.; Gonçalves, V.; Cabús, R. ANÁLISE DA LUZ NATURAL A PARTIR DE ELEMENTOS VAZADOS. IX Encontro Nacional e V Latino Americano de Conforto no Ambiente Construído, Ouro Preto, p. 96-102. 2007.

Marçal, V. G.; Soares, G. B. N.; Souza, H. A. ANÁLISE DE ELEMENTOS ARQUITETÔNICOS: Cobogós e Fachadas Ventiladas. XII Encontro Nacional e VIII Latino Americano de Conforto no Ambiente Construído, Brasília, p. 02-10. 2013.

Estratégias Para um Design de Interiores Sustentável – Parte 7: Ergonomia

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A Ergonomia é um ramo da ciência que busca compreender as habilidades e limitações humanas, para depois aplicá-las na melhoria da interação das pessoas com produtos, sistemas e ambientes.

A maioria das pessoas que escuta falar sobre ergonomia considera que é algo a ver com assentos de cadeiras ou a altura de sua mesa de trabalho, mas existe muito mais por trás!

Vamos descobrir?

Por que a ergonomia é importante?

A ergonomia aplica-se ao design de qualquer coisa que envolva pessoas: espaços de trabalho, esportes e lazer, saúde e segurança. Considerando a maior mobilidade de trabalho conquistada nos últimos anos e espaços cada vez mais dinâmicos, a ergonomia torna-se uma ferramenta imprescindível na arquitetura de interiores.

A intenção é criar espaços de trabalho seguros, confortáveis e produtivos, integrando habilidades e limitações humanas no design de um espaço de trabalho, incluindo o tamanho do corpo, força, habilidade, velocidade, habilidades sensoriais (visão, audição) e até atitudes.

Não é segredo que lesões relacionadas à ergonomia podem afetar funcionários em todos os setores, independentemente do ambiente de trabalho. Inclusive, essa é a forma de lesão que mais prevalece, representando 1/3 de todos os casos de ferimentos e doenças de trabalhadores. A dor lombar é o problema mais frequente no mundo todo, afetando funcionários em todos os setores da economia.

Como resultado, é fundamental que as empresas invistam em medidas adequadas que protejam seus ativos mais valiosos: seus funcionários. Várias começam a compreender que não é apenas algo certo a se fazer, mas é algo bom também para os negócios: funcionários saudáveis possuem uma força de trabalho mais produtiva, tornam o ambiente de trabalho mais colaborativo, além de reduzir custos por faltas.

Sintomas da Falta de Ergonomia

Os sintomas principais incluem:

  • Dor nos dedos, mãos, antebraços, pescoço, lombar ou ombros.
  • Fraqueza geral nas mãos e / ou antebraços.
  • Formigamento, dormência ou perda de sensibilidade nas mãos ou nos braços.
  • Dificuldade em abrir e fechar as mãos ou maior dificuldade de manipulação dos objetos.

Caso você, um colega ou cliente possua algum destes sintomas, verifique estes espaços e os reajuste. Crie estratégias para reduzir a quantidade de tempo da atividade agravante. Se esses problemas continuarem ou piorarem, é importante entrar em contato um médico para uma avaliação.

Como funciona a ergonomia?

Para alcançar as melhores práticas no design de interiores, arquitetos e decoradores podem utilizar técnicas de várias disciplinas:

  • Antropometria: tamanhos corporais, formas, populações e variações.
  • Biomecânica: músculos, alavancas, forças e força.
  • Física ambiental: ruído, luz, calor, frio, radiação, sistemas corporais de vibração: audição, visão e sensações.
  • Psicologia aplicada: habilidade, aprendizado, erros e diferenças.
  • Psicologia social: grupos, comunicação, aprendizagem e comportamentos.

Estratégias para um Design Ergonômico

Para obtermos um design ergonômico em nosso espaços de trabalho, precisamos nos atentar aos seguintes aspectos (extraído da certificação WELL):

Ergonomia Visual

Todas as telas de computador, incluindo laptops, devem ser ajustáveis em altura e distância do usuário.

Flexibilidade na altura da mesa

Pelo menos 30% das estações de trabalho devem possuir a capacidade de alternar entre as posições “sentado e em pé”, por meio das seguintes combinações:

  • Mesas de apoio de altura ajustável.
  • Suportes de ajuste para a altura de mesas.
  • Pares de mesas de alturas fixas, de pé e sentadas — não precisando ser localizadas adjacentes.

Flexibilidade do Assento

O mobiliário dos ocupantes deve ser ajustável das seguintes formas:

  • Procurar mobiliários cuja a capacidade de ajuste de altura da cadeira de estação de trabalho estejam em conformidade com a HFES 100 ou a BIFMA G1.
  • Procurar mobiliários cujo ajuste de profundidade do assento da estação de trabalho também estejam compatíveis com as diretrizes acima.

Suporte Permanente

As estações de trabalho em que os ocupantes são obrigados a permanecer por longos períodos de tempo devem incluir os seguintes serviços:

  • Pelo menos 10 cm de espaço na base da estação de trabalho para permitir uma redução das necessidades de alcance para os ocupantes.
  • Um descanso para os pés para permitir que os ocupantes alternem os pés quando estão em repouso.
  • Esteiras ou almofadas anti-fadiga.

Ergonomia e Acessibilidade

A Ergonomia possui uma conexão muito forte com a Acessibilidade. O motivo é simples: em diversos países do mundo o número de pessoas idosas começam a ocupar uma grande parte da população.

Com isso, os equipamentos, serviços e sistemas também precisam ser projetados para acomodar as crescentes necessidades do envelhecimento populacional: transportes públicos, instalações prediais e espaços de convivência.

A NBR9050 já apresenta estratégias essenciais ligadas a acessibilidade e que não podem ser ignoradas em projetos arquitetônicos, mas o que percebemos é que arquitetos de interiores muitas vezes pecam nestes aspectos.

Não podemos pensar em ergonomia apenas sobre espaços de trabalho. Precisamos também de aplicações práticas no design residencial. O design de interiores, quando possui um conceito ergonômico e acessível, produz espaços mais fáceis de se viver e que proporcionam mais alegria.

Molly Story, Ronald Mace e James Mueller publicaram um artigo em 1998 que se tornou bastante famoso, chamado “O Arquivo Universal de Design: Projetando para Pessoas de Todas as Idades e Habilidades”, em que descrevem os sete princípios fundamentais do que veio a ser conhecido como “Design Inclusivo”.

Os conceitos fundamentais são imprescindíveis para todos os arquitetos ou designers de interiores:

Princípio 1: Design Igualitário

O design da edificação deve propor a utilização igualitário por todos.

Idealmente, os meios pelos quais as pessoas usam uma edificação devem ser os mesmos, sem segmentação. Equivalentes em termos de privacidade, segurança e conveniência. A edificação nunca deve empregar meios que isolem ou estigmatizem qualquer grupo de usuários, ou privilegiem um grupo em detrimento de outro.

Princípio 2: Flexibilidade no Uso

O projeto deve permitir que as pessoas utilize o design em mais de uma maneira.

Um exemplo é uma bancada que permite o uso tanto sentado quanto de pé. Outro é a facilidade de uso tanto por pessoas destras quanto canhotas.

O projeto deve possuir uma flexibilidade incorporada, para que seja utilizável mesmo que de maneira não convencional ou imprevista.

Princípio 3: Design Simples e Intuitivo

A edificação deve facilitar a compreensão da finalidade de cada recurso de design e como utilizá-lo. Um exemplo são torneiras de lavatórios, que devem ter seu método de operação facilitado.

Seus meios de uso devem ser intuitivamente óbvios para que funcionem como previsto e, portanto, possam ser usados espontaneamente.

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Princípio 4: Informação Perceptível

A edificação deve fornecer todas as informações essenciais em uma variedade de modos (escrito, simbólico, tátil, verbal), garantindo uma comunicação eficaz com todos os usuários, independentemente de suas habilidades sensoriais.

As informações fornecidas devem ser apresentadas com contraste suficiente às condições do entorno, de modo que sejam distinguíveis de seu contexto e decifráveis em todos os seus vários modos de apresentação.

Princípio 5: Tolerância ao erro

O ideal é que o projeto do edificação elimine, isole ou proteja quaisquer recursos de projeto que possam ser perigosos ou inconvenientes para qualquer usuário.

Quando condições potencialmente perigosas são inevitáveis, os usuários devem receber avisos à medida que se aproximam do elemento. Um exemplo são avisos de proximidade perto do topo das escadas.

O design da edificação também deve antecipar ações acidentais ou não intencionais de qualquer usuário. Minimizar o inconveniente e / ou proteger o usuário de danos.

Princípio 6: Baixo Esforço Físico

O projeto da edificação deve empregar recursos de design que exijam pouca ou nenhuma força física para usá-los. Um exemplo exemplo é a substituição de uma maçaneta tradicional por uma alavanca que não exija a capacidade de agarrar e girar o pulso.

Se for necessário um baixo nível de força, qualquer usuário deve ser capaz de ativar o recurso sem assumir uma posição corporal desajeitada ou perigosa. Um exemplo é fornecer uma superfície de deslocamento suave com inclinação mínima ao longo do trajeto de percurso que leva à entrada.

Princípio 7: Tamanho e Espaço de Aproximação e Uso

As características do projeto de uma edificação devem fornecer uma quantidade adequada de espaço que seja adequadamente disposta para permitir que qualquer pessoa as use. Um exemplo é fornecer espaço para os joelhos sob um lavatório para permitir o uso por alguém na posição sentada.

Além disso, o espaço precisa ser organizado para fornecer um caminho claro de viagem e de recursos importantes para todos os usuários.

Conclusão

É importante compreender que, a medida que as tecnologias mudam, é necessário garantir que as ferramentas que acessamos para o trabalho, o descanso e o entretenimento sejam projetadas para os novos requisitos do nosso corpo.

Não é difícil ver como os espaços de vida que se esforçam para incorporar essas qualidades não serão apenas mais fáceis de usar, mas provavelmente aumentariam a produtividade doméstica.

É importante que todos os arquitetos e designers de interiores se atentem a essas estratégias para promover espaços mais produtivos, felizes, e principalmente, igualitários.

Fontes:

www.gsd.harvard.edu/resources/ergonomics
old.askergoworks.com/news/102/7-Principles-of-Ergonomic-Interior-Design.aspx
arch100and110.blogspot.com.br/2012/11/ergonomic.html
www.specix.com/2017/05/ergonomics-in-interior-design-can-you-have-comfort-and-beauty
idea.ap.buffalo.edu/udny/Section3.htm
standard.wellcertified.com/comfort/ergonomics-visual-and-physical

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