Batalha Energética: Parede x Pele de Vidro

ACESSO A AULAS GRATUITAS EM CONSTRUÇÕES SUSTENTÁVEIS

Inscreva-se nas melhores aulas ao vivo em construções sustentáveis da internet.

Conhecer as possibilidades para a eficiência energética de uma edificação com pele de vidro é muito importante para qualquer profissional da construção civil, não necessitando ser algo restrito apenas para consultores.

É importante que arquitetos tenham a consciência dos parâmetros que elevam o desempenho de edificações para que eles possam contribuir com o máximo de eficiência e não descubram grandes oportunidades tarde demais.

Se você acompanhou nosso último artigo, já sabe da importância dos vidros na arquitetura e seus principais índices de performance. Sabe também que edifícios aparentemente idênticos em sua forma podem possuir níveis de consumo energético extremamente diferentes.

Agora nós vamos mais a fundo, mais precisamente compreendendo o PAF (Percentual de Abertura de Fachada) em uma edificação e a sua relação com os vidros. Vamos descobrir:

  • Qual é a importância do PAF?
  • De quais fachadas geralmente podemos extrair os maiores benefícios?
  • Qual a reação dos fechamentos de acordo com a eficiência dos vidros utilizados?

O que é PAF?

PAF é conhecido também como o Percentual de Abertura de Fachada, ou WWR (Window to Wall Ratio) em outros países. É obtido pela divisão da área de vidro pela área total de uma fachada. Se possuímos 2,00m² em uma fachada de 10,00m², possuímos um PAF de 20%. Se a área fosse 4,00m², seria 40%, e assim por diante.

O conceito do PAF é importante porque as janelas são geralmente o elo mais fraco quando falamos em eficiência energética em edificações no mundo todo.

Uma avaliação dessas proporções geralmente servem como um bom parâmetro inicial de projeto e podem ser extremamente benéficas para a eficiência energética de uma edificação.

modelo de simulacao energetica

O Modelo Utilizado para Simulação

O modelo que iremos utilizar será exatamente o mesmo utilizado no artigo passado: uma edificação de escritórios genérica em Curitiba, toda em vidro, de 30×30 metros, com 15 pavimentos de 3,60m de altura, posicionada 90° em relação ao norte.

Lembrando que os valores obtidos pelo Energyplus são apenas uma noção de grandeza, pois não foram considerados tratamentos de sombreamento, ajustes no uso da edificação, taxas de infiltração, nem transmitâncias precisas em elementos da edificação como paredes internas, pisos e cobertura.

A análise será realizada considerando 3 passos:

  • A melhor orientação da edificação.
  • A avaliação de quais fachadas serão as mais impactadas em uma edificação com vidros com SHGC de 0,8 e Valor U de 5,6.
  • A mesma avaliação anterior, apenas alterando o SHGC dos vidros para 0,25;

Round 1: A Melhor Orientação

orientacao edificacao

Como estamos avaliando uma caixa simples, sem considerações sobre condicionantes como edifícios vizinhos, sombreamentos, e possuímos o mesmo tratamento nos vidros em todas as fachadas, a edificação não apresentou grandes diferenças na economia energética com a mudança de orientação.

No entanto, esta relação será extremamente importante em qualquer caso real, então fica o alerta.

Mas aqui, considerando o melhor caso, em que rotacionamos a edificação 100° no sentido anti-horário, significa que podemos obter uma redução de 0,5% no consumo anual da edificação com pele de vidro.

Por este motivo mantivemos a orientação 90° em relação ao norte para facilitar o critério de análise.

Inscreva-se nas Melhores Aulas ao Vivo de Construções Sustentáveis da Internet

Acesse agora e obtenha acesso gratuito.

Round 2: Análise de PAF em cada fachada – SHGC 0,8 e Fator U de 5,6

shgc

Avaliar as proporções em cada fachada com pele de vidro é uma análise criteriosa que deve ser realizada com cuidado, pois os impactos energéticos podem ser imensos.

Nesta análise, consideramos sempre 3 fachadas totalmente em vidro e para a última fachada realizamos diversas simulações no Energyplus para obter curvas de análise.

Avaliando as 4 fachadas com vidros incolores, é notável que as fachadas leste e oeste são as que mais oferecem benefícios energéticos quando diminuídas as proporções — exatamente conforme estudamos nas aulas de conforto na faculdade — obtendo benefícios de até 10-12%, se comparados com a diminuição de proporções apenas na fachada norte ou sul.

Ainda, percebemos que a diminuição de proporção de vidro nessas fachadas leste e oeste representam economias energéticas de 17%-20% em relação ao vidro incolor.

No entanto, devemos nos atentar para a intensidade luminosa dentro dos ambientes e principalmente avaliar a qualidade a nível térmico, afinal vidros incolores não são indicados para edifícios.

Round 3: Análise de PAF em cada fachada – SHGC 0,25 e Fator U de 5,6

shgc e fator u

Para esta análise mudamos “apenas” o SHGC dos vidros, o que representa uma mudança significativa de performance geral.

Considerar que 3 fachadas já estão com um SHGC de 0,25 e a última com uma redução na porcentagem de vidros já estabelece um nível de performance energética pelo menos 10% superior ao caso anterior.

Adicionalmente, é importante notar que os benefícios pela mudança de proporção não dão tão drásticos quanto o primeiro caso. Se anteriormente os ajustes representavam de 17-20% de economia, agora representam no máximo 5% de eficiência energética.

Comparando os 2 Casos de PAF x Pele de Vidro

pele de vidro

Avaliando na prática em uma simulação, percebemos que o PAF em pele de vidro é extremamente importante em edificações, mas que ele também é atenuado quando utilizamos vidros de controle solar.

No gráfico acima essa diferença apresenta-se de forma clara, pois trabalhamos em um nível energético mais otimizado quando estamos trabalhando com variações do PAF em fachadas que já consideram controle solar.

No entanto, ainda não consideramos aqui a aplicação cuidadosa do PAF em cada fachada individualmente, considerando visuais, um nível de iluminação aceitável em grande parte das superfícies e até mesmo dispositivos de sombreamento, que podem ajudar na economia por evitar o uso de vidros de alta performance em todas as fachadas.

Ignorar análises mais criteriosas poderia, por exemplo, sugerir que utilizássemos um PAF de 0% (parede cega) em uma das paredes da edificação para obtermos a maior economia energética conforme apresentadas nos gráficos, mas esquecermos da distribuição luminosa, o que geraria pontos de baixa luminosidade na edificação e um consequente custo adicional pela iluminação artificial, conforme podemos observar abaixo.

simulacao iluminacao natural

Conforme a conclusão do artigo passado, precisamos avaliar edificações com pele de vidro de forma completa para que possamos obter perfis energéticos aceitáveis. Regras, tecnologias e gráficos ajudam, mas não são tudo. O critério humano continua sendo essencial para obtermos a mais alta performance.

Esperamos que o conteúdo tenha sido útil para lhe ajudar a pensar mais sobre edificações de alta performance.

Inscreva-se nas Melhores Aulas ao Vivo de Construções Sustentáveis da Internet

Acesse agora e obtenha acesso gratuito.

Como utilizar vidros para a eficiência energética

ACESSO A AULAS GRATUITAS EM CONSTRUÇÕES SUSTENTÁVEIS

Inscreva-se nas melhores aulas ao vivo em construções sustentáveis da internet.

Uma boa arquitetura possui uma relação de equilíbrio com o design, conforto e eficiência energética.

Se você chegou até aqui, sabe que os vidros são muito importantes para a eficiência energética, e gostaria de aplicá-los de forma mais assertiva em sua arquitetura, certo?

Afinal, desde que Mies Van der Rohe criou um dos primeiros conceitos da torre de cristal em 1921, a Freidrichstrasse Skyscraper, muita coisa mudou.

Hoje possuímos tecnologias muito mais avançadas de construção, como softwares em 3D, BIM e estratégias de simulação, só para citar algumas mudanças.

Mas…eu espero que você não esteja projetando como 1921, certo?

Então leia este artigo para entender sobre um dos principais aspectos primordiais do conforto e eficiência energética em edificações: as características principais dos vidros.

Os principais fatores em vidros para a eficiência energética

Quais são os principais fatores relacionados em vidros para a eficiência energética?

Na verdade existem diversos itens importantes que iremos abordar em outros artigos, tais como:

  • As transmitâncias em paredes, pisos e tetos
  • Edifícios vizinhos
  • Elementos de sombreamento
  • O uso da edificação
  • A ventilação natural
  • A caracterização das zonas térmicas
  • A aplicação de placas fotovoltaicas no final do processo.

Outro índice muito importante – talvez primordial – é o WWR (Window to Wall Ratio) também chamado de PAF, que é a proporção entre as janelas em relação a cada fachada da edificação.

No entanto, o objetivo deste artigo é demonstrar como apenas 3 índices nos vidros de uma edificação podem mudar drasticamente os fatores de eficiência energética, por mais que visualmente uma edificação seja praticamente igual a outra.

[iframevideo] [/iframevideo]

 

Portanto, possuímos 3 índices primordiais em vidros para a eficiência energética:

  • O SHGC (Solar Heat Gain Coefficient)
  • Fator U (U Value)
  • O VLT (Visible Light Transmittance).

Cada um deles terá um papel diferenciado na eficiência energética da sua edificação, e nenhum pode ser ignorado.

A compreensão por uma simulação

Para que você entenda da forma mais didática possível, realizamos a simulação de vidros para a eficiência energética em uma edificação de escritórios genérica, toda em vidro, de 30×30 metros, com 15 pavimentos de 3,60m de altura, posicionada 90° em relação ao norte.

Serão realizadas 2 análises por índice:

  • A primeira será realizada comparando os índices em 5 cidades brasileiras.
  • A segunda será realizada comparando mais profundamente 2 cidades brasileiras com as condições mais diferenciadas — Curitiba e Manaus.

Lembrando que os valores obtidos são apenas uma noção de grandeza, pois não foram considerados tratamentos de sombreamento, ajustes no uso da edificação, taxas de infiltração, nem transmitâncias precisas em elementos da edificação como paredes internas, pisos e cobertura. Sempre considere avaliar todos elementos de uma edificação para obter melhores índices de eficiência energética.

O SHGC – Solar Heat Gain Coefficient

É sobre o ganho solar na edificação. Quando menor o seu índice – que vai de forma genérica de 0 até 1 – menor será o ganho solar dentro de um ambiente, pois ele se torna mais capaz de resistir à radiação.

Este fator é importante em todas as regiões brasileiras, principalmente as mais quentes, que irão geralmente sugerir índices baixos de SHGC nos vidros para que possamos manter um índice de conforto aceitável.

É importante mencionar que na maioria dos folhetos de fabricantes de vidros índice mais comum utilizado é o FS (Fator Solar). No entanto, o SHGC é mais completo, pois considera ganhos solares diretos em indiretos dentro da edificação e é mais amigável para softwares de simulação.

Como é o SHGC na prática?

Simulação da Edificação pelo Brasil

Podemos perceber no gráfico abaixo resultante da simulação de todas as fachadas em vidro simultaneamente que o consumo de energia anual aumenta de forma drástica dependendo do SHGC utilizado.

Esse aumento acontece de padrão similar nas 5 cidades analisadas, com aumentos no consumo energético quanto mais quente o clima da região.

Utilizando vidros de controle solar com SHGC`s próximos ao Baseline da ASHRAE 90.1.2013 – o principal padrão internacional para Otimização do Desempenho Energético em edificações — possuímos uma redução energética média de 20-25% em relação ao vidro incolor em todos os 5 estados brasileiros analisados.

Uma Lupa em Curitiba: Simulação da Edificação por Fachadas Individuais

Avaliando uma cidade de clima mais frio, podemos reconhecer claramente as diferenças os aumentos no consumo de energia pela utilização do SHGC em cada fachada.

Se utilizamos, por exemplo, 3 fachadas com o SHGC dentro do baseline da ASHRAE 90.1 e apenas a fachada oeste com vidro incolor, o aumento do consumo é mais drástico do que realizar o mesmo com 3 fachadas e considerar um vidro sem controle solar na fachada sul.

Se utilizarmos vidros de controle solar próximos a 0,33 de SHGC, podemos manter um bom nível energético não necessitando de diferenciações em cada fachada.

Uma Lupa em Manaus: Simulação da Edificação por Fachada

O mesmo padrão de resultado apresentado em Curitiba acontece também em Manaus, com a diferença de que o consumo energético é maior em condições idênticas de análise.

As fachadas leste/oeste também se destacam no consumo energético, e utilizar vidros com SHGC perto de 0,30 possibilitaria o uso do mesmo tipo de vidro em todas as fachadas mantendo um bom nível de performance.

Fator U (U Value)

Este é o fator de condutividade térmica do vidro. Quanto menor o fator U – que vai de forma genérica de 0.1 até 6.9 – menos calor ou frio será transferido para os ambientes.

Este fator será imprescindível principalmente em regiões onde a diferença da temperatura externa é muito diferente da interna, afinal, quanto mais o vidro deixar passar a temperatura externa/interna, mais energia será necessária para manter a edificação dentro de níveis aceitáveis de conforto.

Como é o Fator U na prática?

Simulação da Edificação pelo Brasil

Analisando as 4 fachadas de uma edificação simultaneamente em 5 estados brasileiros, podemos perceber o mesmo padrão de comportamento na edificação, com o natural aumento do consumo energético em regiões mais quentes utilizando o mesmo padrão nos outros índices — transmitâncias, perfis de uso, etc — da simulação.

É importante perceber também que em regiões mais quentes conseguiríamos uma eficiência de 3-5% caso utilizássemos um vidro com um Fator U próximo ao baseline da ASHRAE 90.1.2013.

No entanto, é imprescindível uma análise mais detalhada desses índices para cada fachada, que é o que faremos logo para Curitiba e Manaus.

Inscreva-se nas Melhores Aulas ao Vivo de Construções Sustentáveis da Internet

Acesse agora e obtenha acesso gratuito.

Uma Lupa em Curitiba: Simulação da Edificação por Fachada

Analisando Curitiba, podemos perceber claramente que poderíamos obter ótimos benefícios utilizando índices próximos a 3,51 no Fator U, em todas as fachadas — com destaque novamente pra a fachada oeste — contrariando inclusive o baseline da ASHRAE 90.1.2013 que exige índices mais criteriosos.

As fachadas oeste e leste, mantendo o padrão do SHGC, são novamente as fachadas onde podemos extrair os maiores benefícios.

É importante ressaltar que a ordem de grandeza do Fator U é muito menor que a do SHGC, portanto é muito importante avaliar o custo dessa solução x a economia energética obtida, que tende a ser menor do que os resultados obtidos pelo SHGC logo acima.

 

Uma Lupa em Manaus: Simulação da Edificação por Fachada

Já um outro extremo, como Manaus, exigiria um Fator U próximo a 2,27 para obtermos uma otimização energética máxima considerando a fachada toda em vidro.

Outro fator importante é que, acima do Baseline da ASHRAE, ocorre um salto no consumo, novamente nas fachadas leste oeste. É importante mais uma vez notar que este avanço não representa tanto quando comparado ao SHGC na edificação.

VLT – Visible Light Transmittance

É sobre a Transmitância de Luz Visível. Quanto maior – que vai de forma genérica de 0 a 1 – mais luz visível este vidro permitirá passar.

É lógico que o valor do VLT vai se relacionar diretamente com o SHGC em vidros para a eficiência energética, pois quanto mais luz uma janela passar, a tendência é que o valor também passe.

Como é o VLT na prática?

Simulação da Edificação pelo Brasil

Para entender como este índice se comporta em vidros para a eficiência energética, utilizamos os critérios de iluminação natural da IES (LM) 83-12, que é o método mais recomendado pelo LEED e consiste em 2 fatores de análise:

  • O Sda (Spatial Daylight Autonomy), que se refere a Automomia da Luz. São as áreas na altura do plano de trabalho em que conseguimos obter pelo menos 300 lux nos ambientes regularmente ocupados da edificação em um período entre as 8:00 até as 18:00 por 50% das horas do ano, ou 1825 horas.
  • Já o Ase (Annual Sunlight Exposure), é sobre a exposição da luz do sol nos ambientes para 250 horas do ano. Obter mais que 1000 lux pontuais significa que a edificação possui áreas com ofuscamento excessivo pela luz do sol. Uma exposição maior do que 10% da área da edificação pode ser considerada excessiva para os ambientes e é punido em certificações como o LEED.

Avaliando por este critério, podemos observar que, utilizando um VLT médio de 0,42 em 4 cidades brasileiras em vidros para a eficiência energética, obtemos diferenças importantes por fachada, como por exemplo a inexistência de ASE nas fachadas sul de Curitiba e São Paulo.

Outro fator que é importante observar é que não possuímos áreas regularmente ocupadas com um baixo índice de iluminação natural (sDA), o que acontece por não consideramos partições internas na edificação.

É perceptível também que, embora os principais impactos estejam ao oeste da edificação, cidades como Curitiba e Rio de Janeiro apresentam índices de ASE são superiores à São Paulo e Manaus, o que exigiria mais performance dos sistemas de sombreamento na edificação, como persianas horizontais, verticais, ou mesmo venezianas internas ou externas.

Inscreva-se nas Melhores Aulas ao Vivo de Construções Sustentáveis da Internet

Acesse agora e obtenha acesso gratuito.

Uma Lupa em Curitiba

Avaliando Curitiba individualmente com vidros utilizando índices de VLT de 0,16, 0,42 e 0,69 respectivamente, podemos notar que o índice de 0,16 geram áreas com baixa iluminação natural. Este índice seria ainda pior caso utilizássemos partições internas na edificação.

Para solucionar a baixa iluminação mantendo o baixo VLT, algumas soluções seriam possíveis, como diminuir a profundidade da planta, ou a utilização de sistemas de sombreamento tipo light shelf, que permitiria uma penetração maior da luz.

Mas o mais recomendado para esta edificação seria o aumento nos índices de VLT entre 40-50%.

Uma Lupa em Manaus

Manaus de comporta de forma parecida com Curitiba, no entanto a intensidade da iluminação no oeste se intensifica drasticamente com o VLT de 0,69, tornando praticamente obrigatório o uso de sistemas de sombreamento caso esse índice seja mantido.

Conclusão

conclusao eficiencia energetica

A conclusão básica que podemos tirar desse estudo é que não existem verdades absolutas quando falamos sobre vidros para a eficiência energética.

Edificações aparentemente idênticas podem apresentar padrões de consumo energético completamente diferentes dependendo da consideração dos vidros.

No entanto, os vidros são apenas um fator importante entre diversos outros, como as transmitâncias em paredes, pisos e tetos, elementos de sombreamento, o uso da edificação, a ventilação natural e a proporção de janela por fachada.

Considerar apenas a possibilidade de uma edificação vizinha existente ou futura poderia alterar drasticamente os índices apresentados neste estudo.

Outra conclusão simples é que precisamos entender que a análise energética não pode mais ser realizada como um diagnóstico tardio sobre “onde estamos”, e sim sobre “onde estamos e podemos ir”.

E para sabermos onde podemos ir, as simulações precisam ser realizadas logo no início do projeto, para que possamos realmente obter edificações de alta performance.

Inscreva-se nas Melhores Aulas ao Vivo de Construções Sustentáveis da Internet

Acesse agora e obtenha acesso gratuito.

Baixe este infográfico em alta definição!

Obrigado! Aqui está seu infográfico para download. Espero que goste do material!

Net Zero energia em edificações: como viabilizar este projeto?

ACESSO A AULAS GRATUITAS EM CONSTRUÇÕES SUSTENTÁVEIS

Inscreva-se nas melhores aulas ao vivo em construções sustentáveis da internet.

Net Zero Energia – Você sabe como viabilizar esse projeto?

No começo de maio fizemos um post sobre Edifício Net Zero. Caso este seja seu primeiro encontro com o termo, vale conferir.

Aqui neste artigo, nosso objetivo é detalhar as variadas definições do Edifício NetZero e como alcançar esse objetivo. Essa meta é viável para a maioria dos projetos, mas não é fácil. É necessário uma equipe comprometida em maximizar a eficiência do design e um investimento de menos de 10% sobre o valor total da obra.

O retorno financeiro se dá em uma média geral de 7 anos, podendo variar em um pouco mais ou menos de acordo com a tipologia de projeto.

Vamos iniciar nossa conversa apontando que:

  • 90% dos impactos ambientais que uma edificação exerce sobre o meio está atrelada ao uso de energia.
  • A vida útil de uma edificação gira em torno de 70 a 75 anos.

Olhando apenas esses números fica fácil entender o motivo de uma edificação sustentável, e principalmente eficiente, ser tão importante, devendo ser popularizada.

Nós, arquitetos e engenheiros, devemos assumir esse compromisso de forma mais séria e contundente. Aprendendo a administrar isso dentro de nossos projetos e junto a nossos clientes. Construir de forma equilibrada.

net zero

Equilíbrio

Essa é a palavra que melhor define um edifício NetZero. Esse equilíbrio deve ser alcançado em múltiplos aspectos – geração e destinação de resíduos, eficiência no uso da água e eficiência energética.  Hoje, no Brasil, o que vem sendo mais comercializado é NetZero Eficiência Energética no seu conceito mais básico: uma unidade de energia usada por uma produzida.

Contudo, NetZero pode ser muito mais se olharmos para a definição mais completa e já adotada em diversos países ao redor do mundo.  As definições abaixo foram publicadas pelo Departamento de Energia dos Estados Unidos através do seu Laboratório de Energias Renováveis:

  • Net Zero Energia Local – A mais comum e utilizada das definições. Segundo ela, o prédio deve, dentro do período de um ano, produzir ao menos o mesmo tanto de energia que consumiu dentro da sua localidade.
  • Net Zero Fonte de Energia – Dentro desta definição, o prédio deve produzir em um ano a mesma quantidade de energia que consome, incluindo a quantidade de energia que é gasta trazendo e levando energia deste prédio a sua fonte externa de energia.
  • Net Zero Custo de Energia – Este modelo é baseado na troca monetária, ou seja, o valor que o edifício recebe pela energia gerada a partir de suas fontes próprias e inseridas na rede deve ser igual ao valor que o prédio paga pela energia que retira da rede ao longo do período de um ano.
  • E Net Zero Emissões da Energia– Neste caso o balanço se dá da seguinte forma: o edifício deve produzir, em quantidade de energias renováveis sem emissões, a mesma quantidade que utiliza de energias que geram emissões. Vale lembrar que o Brasil é predominantemente atendido por energia hidráulica que gera menos emissões que energia via combustíveis fósseis, o que é uma vantagem ao proprietário do edifício na hora do balanço.

Entendeu agora que o buraco é bem mais embaixo?

Com isso podemos reafirmar que no Brasil as edificações que se denominam NetZero não alcançaram esse objetivo em sua totalidade, zerando em todos os aspectos citados acima. Aliás, poucos prédios no mundo alcançaram essa façanha.

Isso é ruim…estamos sendo enganados?

De forma alguma. Os impactos que uma edificação causa no meio ambiente são tantos que zerar em apenas uma definição representa um progresso significativo para o desempenho da construção.

Se o prédio produzir no ano a mesma quantidade em energia que ele consome, seu desempenho aumenta em média entre 50%-70% em relação a uma edificação convencional. Além de se tornar uma edificação mais confiável e sustentável, comercialmente seu valor e visibilidade aumentam bastante.

Agora que já cobrimos a parte teórica da coisa e já estamos convencidos de que NetZero é um objetivo ótimo para se ter, vamos ao que realmente interessa.

Como chegar no objetivo NetZero?

Como sugerido no nosso post de maio, Eficiência deve ser a chave e critério fundamental do projeto desde o inicio. Não basta ser eficiente, precisa ser super eficiente. Itens como os citados abaixo devem ser estudados e desenvolvidos com muita cautela pelo time de projeto.

Maximizar no design

Isso quer dizer que devemos projetar para usufruir passivamente de tudo que o meio pode nos oferecer, orientando o prédio para melhor utilizar:

  • Ventilação cruzada;
  • Luz natural;
  • Sombreamento; e
  • Calor do sol.

Um estudo de orientação solar e dos ventos bem executado é determinante. Ele apontará os artifícios passivos que podem ser instalados como:

  • Tamanho, orientação e altura das janelas;
  • Tamanho do beiral do telhado;
  • Necessidade de sombreamento ou exposição ao sol;
  • Necessidade de prateleiras de luz;
  • Parede e telhado verde, etc.

A distribuição das cargas geradas por equipamentos e dos ocupantes por andar ou setor também podem contribuir. Pessoas  produzem calor e isso deve ser contabilizado no balanço geral dos cálculos. Para que se tenha uma ideia, um adulto produz  100 watts de calor em repouso e 500 watts praticando exercícios.

Envelope da Edificação

A escolha do envelope é importante para o conforto e isolamento térmico dos ambientes.

  • Verificar aberturas e vedações para evitar trocas de ar indesejadas;
  • Utilizar diferentes tipos de vidros para atender às diferentes necessidades de cada fachada;
  • Espessura e materiais que compõem as paredes também devem variar de acordo com cada fachada;
  • Tipo de tintas e absorção de calor que a cor escolhida possui; e
  • Revestimentos que possuam nanotecnologia para isolamento acústico e térmico.

 

net zero

Equipamentos

Equipamentos de alto desempenho devem ser especificados trazendo benefícios como:

  • baixa manutenção e
  • mínimo de energia na operação.

Só neste item já reduzimos perto de 50% da conta final. Procure equipamentos que possuam o selo Energy Star. Quando possível utilizar tecnologias que captam energia de forma passiva, como aquecimento solar de água.

net zero

Uso e Manutenção consciente

Existe vida após o projeto!

De nada serve um projeto desta complexidade sem os devidos cuidados. Os usuários e a equipe de manutenção devem entender as melhores práticas de gerenciamento para as medidas implantadas.

Medir uma edificação vazia com equipamentos zerados cheirando novo é fácil. Realmente o mais difícil é manter e, constantemente, otimizar os resultados alcançados. O Brasil está cheio de placas LEED empoeiradas, telhados verdes mortos e etc.

Essas dicas devem ser estudadas e aplicadas de forma consciente, além de bem programadas para durar todo ciclo de vida da Edificação.

E o Brasil está aonde com esse objetivo?

O Brasil está comprometido com a sustentabilidade. As metas brasileiras dentro do Acordo de Paris para com as emissões de carbono e geração de energia limpa são ambiciosas. Com isso acreditamos que os incentivos governamentais devem aumentar muito.

Após a aprovação da ANEEL em 2012, a micro e a mini geração crescem aceleradas e já produzem ótimos resultados.

Esse crescimento tende a continuar, barateando os sistemas e projetos. Edificações NetZero não são coisas de orçamento rico, elas estão cada dia mais viáveis para a maioria das construções novas e existentes.